A disputa pelo Governo do Paraná entra em uma nova etapa e, desta vez, a matemática das alianças partidárias começa a aparecer na tela. Sandro Alex terá 49,3% do tempo destinado à propaganda eleitoral para governador, o equivalente a aproximadamente 4 minutos e 26 segundos em cada bloco de nove minutos. É, de longe, a maior fatia entre os candidatos.
Na prática, isso significa que a coligação liderada pelo PSD terá praticamente metade de todo o espaço disponível no horário eleitoral destinado à disputa pelo Palácio Iguaçu. Requião Filho ficará com 25,9%, cerca de 2 minutos e 20 segundos, enquanto Sergio Moro terá 24,8%, aproximadamente 2 minutos e 14 segundos por bloco.
A diferença não é resultado de uma escolha editorial das emissoras, mas da própria composição partidária das chapas. A legislação distribui 90% do tempo proporcionalmente à representação dos partidos na Câmara dos Deputados e 10% igualmente entre as candidaturas. No caso das coligações majoritárias, são consideradas as bancadas dos seis maiores partidos integrantes da aliança.
E é justamente aí que aparece a dimensão política da engenharia construída em torno de Sandro Alex.
A coligação reúne PSD, MDB, União Brasil, PP, Republicanos, PSDB, Cidadania, Avante e Democrata, formando um bloco que, segundo os cálculos divulgados, reúne 253 deputados federais considerados para a distribuição do tempo.
O tamanho da aliança, portanto, deixa de ser apenas uma fotografia das convenções partidárias e transforma-se em uma vantagem concreta de comunicação.
Rafael Greca, que abandonou a candidatura própria ao Governo para assumir a vice de Sandro Alex, também passa a ter papel importante nesse espaço de televisão. A presença do ex-prefeito de Curitiba poderá ser utilizada para ampliar o diálogo da chapa com o eleitorado da capital e da Região Metropolitana, enquanto Sandro Alex terá a oportunidade de apresentar sua candidatura e defender a continuidade do projeto político associado ao governo Ratinho Junior.
É importante, entretanto, não confundir tempo de televisão com intenção de voto.
Ter mais espaço não significa automaticamente conquistar mais eleitores. O horário eleitoral oferece uma oportunidade; cabe à campanha decidir como utilizá-la. Quase cinco minutos podem ser uma vantagem extraordinária se houver uma narrativa clara, propostas objetivas e capacidade de comunicação. Também podem se transformar em desperdício se o conteúdo não conseguir despertar interesse no eleitor.
A comparação com Moro e Requião Filho torna essa diferença ainda mais evidente.
Os dois adversários terão pouco mais de dois minutos por bloco. Isso os obrigará a uma comunicação mais concentrada, na qual cada segundo terá peso. Sandro Alex, por outro lado, terá condições de apresentar uma narrativa mais completa, explorar sua trajetória, mostrar aliados, apresentar propostas e, principalmente, estabelecer sua defesa do legado da atual administração estadual.
Mas há um detalhe que merece atenção: a televisão não é mais o único campo de batalha eleitoral.
Redes sociais, plataformas de vídeo, sites, aplicativos de mensagens e debates terão papel decisivo na campanha. O eleitor não necessariamente assistirá ao horário eleitoral inteiro e poderá receber cortes e trechos das propagandas em ambientes digitais completamente diferentes daqueles planejados pelas equipes de marketing.
Por isso, a vantagem televisiva terá de ser convertida em conteúdo capaz de circular para além da televisão.
E o Senado?
A mesma força da coligação aparece na disputa pelas duas cadeiras do Paraná no Senado. Alexandre Curi e Cristina Graeml terão, juntos, 3 minutos e 27 segundos de cada bloco de sete minutos, correspondentes aos mesmos 49,3% destinados à aliança governista na propaganda majoritária.
Isso cria uma situação particularmente interessante: a mesma estrutura partidária que dará a Sandro Alex quase metade do horário eleitoral também oferecerá aos dois candidatos ao Senado um espaço considerável para apresentar suas candidaturas.
O horário eleitoral gratuito começa em 28 de agosto e vai até 1º de outubro, poucos dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Até lá, a disputa continuará sendo construída nas ruas, nas redes, nos debates e nas pesquisas.
Mas uma coisa já está definida: quando a propaganda eleitoral entrar no ar, Sandro Alex terá uma vantagem objetiva de exposição. A grande questão será saber se a maior janela de televisão conseguirá produzir aquilo que toda campanha procura: transformar tempo de tela em atenção, atenção em identificação e identificação em voto.
Porque, no fim, a matemática das alianças pode garantir os minutos. Quem transforma esses minutos em resultado continua sendo o eleitor.
