Não será apenas mais um levantamento. Será uma pesquisa observada com atenção porque tentará medir três movimentos políticos simultâneos: o impacto do possível desgaste recente envolvendo Flávio Bolsonaro, com reflexos na campanha de Sergio Moro, a capacidade de transferência política de Ratinho Junior e o crescimento real de Sandro Alex no interior do estado.
O principal foco estará em Moro. Até aqui, Sergio Moro vinha ocupando posição confortável nas pesquisas: alta lembrança, forte conhecimento estadual, eleitorado consolidado à direita e praticamente ausência de desgaste regional relevante.
Mas o cenário começou a mudar. O episódio envolvendo o áudio de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro colocou Moro no centro de uma turbulência política que ainda não foi efetivamente medida eleitoralmente.
E esse é um dos objetivos do IRG: descobrir se houve dano real à imagem do senador ou apenas ruído momentâneo de bastidor.
A força de Moro será testada emocionalmente — não apenas numericamente. Existe um detalhe importante nesse momento. Moro sempre foi um candidato muito associado à imagem pessoal, ao combate à corrupção e à credibilidade individual. Quando esse tipo de candidato sofre desgaste político ou passa a integrar conflitos de bastidor, a reação do eleitor costuma ser diferente da política tradicional. O IRG provavelmente tentará identificar se o eleitor de Moro continua emocionalmente consolidado ou se começou um processo inicial de desgaste silencioso.
A grande expectativa está sobre Sandro Alex. Mas o dado mais aguardado está do outro lado da disputa. Porque esta será uma das primeiras pesquisas realmente capazes de medir se Ratinho Junior começa a transferir capital político para Sandro Alex. O governo intensificou agendas no interior, encontros do PSD, entregas de obras, viagens regionais e aparições conjuntas entre governador e pré-candidato.
Na prática, o estado já vive uma pré-campanha de continuidade. O teste mais importante da pesquisa não será intenção de voto pura. O dado decisivo provavelmente estará nos cenários vinculando explicitamente Sandro Alex + apoio de Ratinho Junior e Moro + apoio de Flávio Bolsonaro. Isso porque a eleição paranaense começa a assumir duas narrativas muito claras: O campo governista: continuidade, gestão, obras, interiorização e aprovação administrativa. O campo de Moro: notoriedade, identidade ideológica, oposição ao sistema tradicional e alinhamento bolsonarista.
A pesquisa deve começar a mostrar qual dessas narrativas ganha mais força no atual momento.
Ratinho Junior entra definitivamente no centro da eleição. Outro ponto importante: o governador deixa de ser apenas “o cabo eleitoral desejado”. Agora passa a ser o principal personagem da sucessão estadual. As perguntas sobre transferência de voto mostram exatamente isso: o tamanho da influência política de Ratinho e sua capacidade de transformar aprovação em sucessão.
Os indecisos continuarão sendo decisivos. Mesmo com Moro liderando a maioria dos cenários até aqui, existe um dado estrutural importante: a eleição ainda está muito aberta. Pesquisas anteriores mostram que há parcela expressiva de indecisos, eleitores sem candidato consolidado e votos ainda em formação.
Isso significa que notoriedade inicial ajuda, mas não encerra disputa.
Especialmente quando o grupo governista possui máquina administrativa forte, presença regional intensa e governador com aprovação elevada.
E aí? A pesquisa do IRG não deve apenas medir intenção de voto. Ela provavelmente começará a responder algo maior: Moro já atingiu seu teto? Ratinho consegue transferir força política? Sandro Alex começa a crescer de forma consistente? e o eleitor paranaense continuará votando mais pela gestão ou pela identidade ideológica?
Fato. Até aqui, Moro liderou a corrida muito pela força do próprio nome. Mas a eleição começa a entrar em uma nova fase: a fase da transferência política. E é exatamente isso que a pesquisa do dia 21 tentará medir.
