NARRATIVA.política, poder e versão

Agora é tudo ou nada! A campanha começa oficialmente. Na prática, ela já está nas ruas há meses

Desde as primeiras articulações partidárias, os candidatos já percorrem municípios, participam de eventos, concedem entrevistas...

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Redação15/08/2026
Agora é tudo ou nada! A campanha começa oficialmente. Na prática, ela já está nas ruas há meses

O calendário eleitoral determina que a campanha para as eleições de 2026 começa oficialmente neste domingo, 16 de agosto. A partir daí, candidatos poderão fazer propaganda eleitoral na internet, realizar comícios, caminhadas, carreatas, distribuir material gráfico e utilizar outras formas de divulgação. A propaganda gratuita no rádio e na televisão, porém, só começa em 28 de agosto

Mas há uma certa ironia nessa data.

A campanha começa oficialmente neste domingo. Na prática, ela já está nas ruas há meses.

Desde as primeiras articulações partidárias, os candidatos já percorrem municípios, participam de eventos, concedem entrevistas, publicam vídeos, fazem reuniões políticas, testam discursos, apresentam propostas e disputam espaço nas redes sociais. O que muda agora não é exatamente a existência da campanha, mas a possibilidade de fazê-la de maneira aberta e dentro das regras da propaganda eleitoral.

A pré-campanha já cumpriu boa parte do trabalho.

Foi nesse período que as alianças foram construídas, os candidatos foram escolhidos, os vices definidos e as candidaturas ao Senado acomodadas. Foi também quando pesquisas começaram a medir a força dos nomes e quando os principais concorrentes passaram a testar suas narrativas diante do eleitor.

No Paraná, o exemplo mais evidente é a transformação da candidatura de Sandro Alex.

Ele começou o processo como um nome ligado ao governo Ratinho Junior, passou a ser testado nas pesquisas, ganhou Rafael Greca como vice, consolidou uma ampla aliança partidária e agora chega ao início oficial da campanha apresentando uma proposta clara: dar continuidade ao projeto do atual governo e preparar o Estado para buscar a terceira maior economia do Brasil.

Nada disso foi construído nos últimos dias.

Foi resultado de meses de articulação.

Agora começa a campanha que o eleitor verá

A diferença é que, a partir deste domingo, aquilo que vinha sendo construído nos bastidores poderá ganhar uma exposição muito maior.

Sergio Moro, líder das pesquisas segundo os levantamentos citados na reportagem, inicia sua campanha em Maringá, onde pretende conversar diretamente com eleitores. Sua estratégia deverá dar grande espaço às redes sociais, enquanto seu tempo no rádio e na televisão será de aproximadamente 2 minutos e 14 segundos por bloco.

Requião Filho também chega ao início oficial apostando em agendas externas, entrevistas e sabatinas. No horário eleitoral, terá cerca de 2 minutos e 20 segundos por bloco.

Já Sandro Alex terá uma vantagem objetiva na televisão: 4 minutos e 26 segundos por bloco, correspondentes a 49,3% do tempo destinado à disputa pelo Governo do Paraná.

É quase o dobro do tempo dos dois principais adversários.

Isso não significa, evidentemente, que tempo de televisão se transforme automaticamente em voto. Mas oferece a Sandro uma ferramenta poderosa para apresentar sua trajetória, defender o governo Ratinho Junior, mostrar Rafael Greca ao seu lado e explicar seu plano de governo.

O eleitor começa a ser apresentado aos candidatos

Talvez essa seja a principal mudança deste domingo.

Até agora, a eleição foi acompanhada principalmente por quem tem interesse direto em política. A partir de agora, ela começa a entrar na rotina de quem não acompanha diariamente pesquisas, convenções e articulações partidárias.

E esse eleitor é enorme.

Pesquisas recentes mostram que a maioria dos paranaenses ainda não consolidou espontaneamente sua escolha. Isso significa que a campanha terá capacidade real de modificar o cenário.

É justamente por isso que os próximos 45 dias serão tão importantes.

Moro precisará transformar sua liderança nas pesquisas em uma candidatura capaz de convencer o eleitor sobre seu projeto para o Paraná — e não apenas sobre sua trajetória nacional.

Requião Filho terá de mostrar que pode ocupar o espaço de oposição e, ao mesmo tempo, recuperar terreno na disputa pelo segundo turno.

Sandro Alex terá de transformar o conhecimento adquirido dentro do governo em voto e convencer o eleitor de que continuidade não significa acomodação, mas capacidade de avançar sobre aquilo que já foi construído.

E o discurso começa a mudar

Essa talvez seja a parte mais interessante do início oficial.

Na pré-campanha, havia espaço para discursos genéricos, provocações, testes de posicionamento e mensagens dirigidas principalmente às bases políticas.

Agora, a cobrança será outra.

O eleitor vai querer saber o que cada candidato pretende fazer.

Quanto vai investir em saúde? Como pretende melhorar a segurança? Que obras serão prioritárias? Como ampliar empregos? O que fazer com as rodovias? Como desenvolver o interior? Como enfrentar os desafios da educação? Como aumentar a competitividade da economia paranaense?

A campanha eleitoral, finalmente, terá de sair do terreno das frases de efeito e entrar no território das propostas.

E isso pode ser particularmente importante para Sandro Alex, que pretende utilizar justamente seu plano de governo como uma das principais ferramentas de comunicação.

A verdadeira disputa começa agora

O curioso é que os candidatos chegam ao domingo em posições bastante diferentes das que ocupavam meses atrás.

Moro continua liderando boa parte das pesquisas.

Sandro Alex cresceu e se aproximou do segundo lugar em levantamentos recentes.

Requião Filho tenta reagir.

Rafael Greca mudou o desenho da eleição ao abandonar a candidatura própria e assumir a vice de Sandro.

Ratinho Junior passou de articulador da sucessão a um dos principais apoiadores da candidatura governista.

E o eleitor, que até agora acompanhou tudo isso de maneira relativamente distante, começa a receber a campanha diretamente em sua casa, no celular, nas ruas e, em duas semanas, no rádio e na televisão.

Por isso, 16 de agosto é menos o começo da campanha do que o início de uma nova fase dela.

A pré-campanha já fez seu trabalho: escolheu os nomes, definiu as alianças, produziu as primeiras pesquisas e criou as narrativas que serão levadas às urnas.

Agora vem a parte mais difícil.

Convencer o eleitor.

E, se a campanha já estava nas ruas há meses, a partir deste domingo ela começa oficialmente a bater à porta de todos os paranaenses.