A nova pesquisa RealTime Big Data, divulgada nesta terça-feira (18), mostra uma disputa bastante equilibrada pelas duas vagas do Paraná no Senado. E, entre os nomes testados, Alexandre Curi aparece em posição competitiva, com 17%, empatado tecnicamente com Deltan Dallagnol, que tem 19%, e Filipe Barros, também com 17%. Gleisi Hoffmann aparece com 15% e Cristina Graeml com 13%.
O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 13 e 17 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Para Alexandre Curi, o resultado é relevante porque confirma sua presença no grupo de candidatos que, neste momento, disputam diretamente as duas cadeiras. E há um aspecto político que ajuda a compreender sua posição: Curi está inserido no grupo político do governador Ratinho Junior e chega à disputa com uma trajetória consolidada na política paranaense, atualmente como presidente da Assembleia Legislativa.
É importante, contudo, fazer uma distinção: os 17% da RealTime não podem ser apresentados simplesmente como um novo crescimento em relação a pesquisas anteriores, porque os levantamentos utilizam metodologias e formas de apresentação diferentes. O dado mais seguro é dizer que Curi se mantém em patamar competitivo e aparece novamente no bloco da frente.
Uma eleição de duas vagas muda completamente o jogo
A particularidade da eleição deste ano é que o Paraná não escolherá apenas um senador. Serão dois.
Isso faz com que uma candidatura não precise necessariamente liderar para ser vitoriosa. O objetivo é terminar entre os dois mais votados.
E é exatamente aí que os números da RealTime chamam atenção.
Dallagnol tem 19%.
Curi, 17%.
Filipe Barros, 17%.
Gleisi, 15%.
Cristina Graeml, 13%.
Temos, portanto, cinco candidaturas concentradas em uma faixa relativamente estreita.
A diferença entre o primeiro e o quinto colocado é de apenas seis pontos percentuais.
Isso significa que a campanha ainda terá enorme capacidade de alterar posições.
Curi tem um ativo que vai além da pesquisa
Um dos elementos que precisam ser considerados na análise da candidatura de Curi é sua ligação com o projeto político de Ratinho Junior.
Isso não significa que votos do governador sejam automaticamente transferidos para seu candidato ao Senado. Transferência eleitoral nunca é automática.
Mas existe uma estrutura política que pode ser mobilizada.
Ratinho Junior possui uma administração com elevado nível de aprovação em pesquisas recentes, e Sandro Alex, candidato apoiado pelo grupo ao Governo do Paraná, também disputa a eleição apresentando-se como continuidade do projeto administrativo atual. Na pesquisa RealTime divulgada hoje, Sandro aparece com 22% no primeiro turno, atrás de Sergio Moro, com 37%, e à frente de Requião Filho, com 20%.
Esse cenário cria uma possibilidade política interessante para a campanha: associar as candidaturas ao Governo e ao Senado dentro de uma mesma narrativa eleitoral.
Sandro Alex no Governo.
Alexandre Curi no Senado.
E uma segunda candidatura ao Senado para completar a representação do grupo.
Isso não garante votos a nenhum dos candidatos, mas oferece uma lógica de campanha que pode ser explorada durante o horário eleitoral e nas agendas políticas.
A experiência de Curi pode ganhar espaço na campanha
Outro fator é a experiência institucional.
Curi é presidente da Assembleia Legislativa e está em seu sexto mandato consecutivo como deputado estadual.
Essa trajetória permite que sua campanha construa uma imagem baseada em experiência política, articulação institucional e conhecimento da realidade paranaense.
É uma estratégia diferente daquela adotada por candidatos cuja principal força eleitoral está associada a uma atuação nacional.
No Senado, esse argumento pode ter peso: o parlamentar eleito terá de representar o Paraná em Brasília durante oito anos, participando de decisões sobre orçamento, infraestrutura, legislação, financiamento público, segurança, saúde e relações federativas.
Nesse sentido, Curi poderá procurar apresentar sua experiência estadual como uma credencial para a função que pretende exercer em âmbito federal.
O crescimento que pode vir da campanha
A possibilidade de Curi avançar ainda mais precisa ser tratada com cautela.
O atual 17% não significa, por si só, tendência matemática de crescimento. O que os números mostram é que ele está dentro da margem de disputa pelas duas vagas.
A partir daqui, entretanto, começa uma fase completamente diferente da eleição.
O eleitor terá contato muito mais intenso com os candidatos.
Haverá horário eleitoral, inserções de rádio e televisão, debates, sabatinas, entrevistas e campanhas nas redes sociais.
E Curi terá a oportunidade de transformar sua presença institucional em uma candidatura mais conhecida pelo eleitor que não acompanha diariamente a política paranaense.
Esse é provavelmente um dos principais desafios da campanha.
O fator Ratinho Junior
A ligação com Ratinho Junior pode ser um ativo político, mas também cria uma responsabilidade.
Se Curi pretende se apresentar como parte de um grupo que busca eleger Sandro Alex para o Governo, será necessário explicar ao eleitor qual será exatamente seu papel em Brasília.
A mensagem pode ser construída em torno da ideia de integração entre Governo do Paraná e bancada federal.
Mas o eleitor também poderá perguntar: o que Curi fará diferente? Quais projetos defenderá? Que recursos pretende trazer para o Paraná? Como pretende atuar diante de um eventual governo federal de orientação política diferente da sua?
São essas respostas que transformarão uma aliança política em uma proposta eleitoral concreta.
O Senado pode ser decidido pela combinação de votos
Há ainda uma peculiaridade importante.
O eleitor poderá escolher dois candidatos.
Isso significa que a campanha de Curi não precisa necessariamente convencer todos os eleitores a colocá-lo como primeira opção. Pode também buscar construir uma combinação em que seu nome apareça como um dos dois escolhidos.
Essa dinâmica torna a disputa muito mais complexa.
Um candidato pode liderar o primeiro voto e perder o segundo. Outro pode aparecer em segundo em vários grupos eleitorais e terminar entre os eleitos.
Por isso, os 17% de Curi devem ser lidos dentro de uma eleição para duas cadeiras, e não como se fosse uma disputa convencional de candidato único.
A eleição ainda está aberta
A pesquisa RealTime mostra um cenário no qual cinco candidatos estão separados por apenas seis pontos percentuais.
Dallagnol aparece com 19%; Curi e Filipe Barros têm 17%; Gleisi, 15%; e Cristina Graeml, 13%.
É uma disputa aberta.
E, para Curi, o dado mais importante talvez seja justamente esse: ele está no grupo que hoje tem condições de disputar uma das duas vagas.
A partir de agora, sua campanha terá de ampliar o reconhecimento do nome, apresentar propostas para o Senado e, principalmente, explorar — sem presumir uma transferência automática de votos — a conexão política com o projeto de Ratinho Junior e com a candidatura de Sandro Alex.
Se essa associação conseguir ser compreendida pelo eleitor, Curi poderá ganhar uma dimensão eleitoral maior do que aquela registrada até aqui.
Mas a pesquisa também deixa claro que não há espaço para acomodação.
Com cinco nomes tecnicamente próximos, qualquer movimento pode alterar a ordem.
E, na eleição para o Senado, onde existem apenas duas cadeiras, estar no grupo da frente é importante — mas permanecer nele até outubro será o verdadeiro desafio.
