NARRATIVA.política, poder e versão

Alexandre Curi aparece entre os favoritos e mantém o Senado como peça importante do grupo de Ratinho Junior

Para Alexandre Curi, o resultado é relevante porque confirma sua presença no grupo de candidatos que, neste momento, disputam diretamente as duas cadeiras. E há um aspecto político que ajuda...

R
Redação18/08/2026
Alexandre Curi aparece entre os favoritos e mantém o Senado como peça importante do grupo de Ratinho Junior

A nova pesquisa RealTime Big Data, divulgada nesta terça-feira (18), mostra uma disputa bastante equilibrada pelas duas vagas do Paraná no Senado. E, entre os nomes testados, Alexandre Curi aparece em posição competitiva, com 17%, empatado tecnicamente com Deltan Dallagnol, que tem 19%, e Filipe Barros, também com 17%. Gleisi Hoffmann aparece com 15% e Cristina Graeml com 13%.

O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 13 e 17 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Para Alexandre Curi, o resultado é relevante porque confirma sua presença no grupo de candidatos que, neste momento, disputam diretamente as duas cadeiras. E há um aspecto político que ajuda a compreender sua posição: Curi está inserido no grupo político do governador Ratinho Junior e chega à disputa com uma trajetória consolidada na política paranaense, atualmente como presidente da Assembleia Legislativa.

É importante, contudo, fazer uma distinção: os 17% da RealTime não podem ser apresentados simplesmente como um novo crescimento em relação a pesquisas anteriores, porque os levantamentos utilizam metodologias e formas de apresentação diferentes. O dado mais seguro é dizer que Curi se mantém em patamar competitivo e aparece novamente no bloco da frente.

Uma eleição de duas vagas muda completamente o jogo

A particularidade da eleição deste ano é que o Paraná não escolherá apenas um senador. Serão dois.

Isso faz com que uma candidatura não precise necessariamente liderar para ser vitoriosa. O objetivo é terminar entre os dois mais votados.

E é exatamente aí que os números da RealTime chamam atenção.

Dallagnol tem 19%.

Curi, 17%.

Filipe Barros, 17%.

Gleisi, 15%.

Cristina Graeml, 13%.

Temos, portanto, cinco candidaturas concentradas em uma faixa relativamente estreita.

A diferença entre o primeiro e o quinto colocado é de apenas seis pontos percentuais.

Isso significa que a campanha ainda terá enorme capacidade de alterar posições.

Curi tem um ativo que vai além da pesquisa

Um dos elementos que precisam ser considerados na análise da candidatura de Curi é sua ligação com o projeto político de Ratinho Junior.

Isso não significa que votos do governador sejam automaticamente transferidos para seu candidato ao Senado. Transferência eleitoral nunca é automática.

Mas existe uma estrutura política que pode ser mobilizada.

Ratinho Junior possui uma administração com elevado nível de aprovação em pesquisas recentes, e Sandro Alex, candidato apoiado pelo grupo ao Governo do Paraná, também disputa a eleição apresentando-se como continuidade do projeto administrativo atual. Na pesquisa RealTime divulgada hoje, Sandro aparece com 22% no primeiro turno, atrás de Sergio Moro, com 37%, e à frente de Requião Filho, com 20%.

Esse cenário cria uma possibilidade política interessante para a campanha: associar as candidaturas ao Governo e ao Senado dentro de uma mesma narrativa eleitoral.

Sandro Alex no Governo.

Alexandre Curi no Senado.

E uma segunda candidatura ao Senado para completar a representação do grupo.

Isso não garante votos a nenhum dos candidatos, mas oferece uma lógica de campanha que pode ser explorada durante o horário eleitoral e nas agendas políticas.

A experiência de Curi pode ganhar espaço na campanha

Outro fator é a experiência institucional.

Curi é presidente da Assembleia Legislativa e está em seu sexto mandato consecutivo como deputado estadual.

Essa trajetória permite que sua campanha construa uma imagem baseada em experiência política, articulação institucional e conhecimento da realidade paranaense.

É uma estratégia diferente daquela adotada por candidatos cuja principal força eleitoral está associada a uma atuação nacional.

No Senado, esse argumento pode ter peso: o parlamentar eleito terá de representar o Paraná em Brasília durante oito anos, participando de decisões sobre orçamento, infraestrutura, legislação, financiamento público, segurança, saúde e relações federativas.

Nesse sentido, Curi poderá procurar apresentar sua experiência estadual como uma credencial para a função que pretende exercer em âmbito federal.

O crescimento que pode vir da campanha

A possibilidade de Curi avançar ainda mais precisa ser tratada com cautela.

O atual 17% não significa, por si só, tendência matemática de crescimento. O que os números mostram é que ele está dentro da margem de disputa pelas duas vagas.

A partir daqui, entretanto, começa uma fase completamente diferente da eleição.

O eleitor terá contato muito mais intenso com os candidatos.

Haverá horário eleitoral, inserções de rádio e televisão, debates, sabatinas, entrevistas e campanhas nas redes sociais.

E Curi terá a oportunidade de transformar sua presença institucional em uma candidatura mais conhecida pelo eleitor que não acompanha diariamente a política paranaense.

Esse é provavelmente um dos principais desafios da campanha.

O fator Ratinho Junior

A ligação com Ratinho Junior pode ser um ativo político, mas também cria uma responsabilidade.

Se Curi pretende se apresentar como parte de um grupo que busca eleger Sandro Alex para o Governo, será necessário explicar ao eleitor qual será exatamente seu papel em Brasília.

A mensagem pode ser construída em torno da ideia de integração entre Governo do Paraná e bancada federal.

Mas o eleitor também poderá perguntar: o que Curi fará diferente? Quais projetos defenderá? Que recursos pretende trazer para o Paraná? Como pretende atuar diante de um eventual governo federal de orientação política diferente da sua?

São essas respostas que transformarão uma aliança política em uma proposta eleitoral concreta.

O Senado pode ser decidido pela combinação de votos

Há ainda uma peculiaridade importante.

O eleitor poderá escolher dois candidatos.

Isso significa que a campanha de Curi não precisa necessariamente convencer todos os eleitores a colocá-lo como primeira opção. Pode também buscar construir uma combinação em que seu nome apareça como um dos dois escolhidos.

Essa dinâmica torna a disputa muito mais complexa.

Um candidato pode liderar o primeiro voto e perder o segundo. Outro pode aparecer em segundo em vários grupos eleitorais e terminar entre os eleitos.

Por isso, os 17% de Curi devem ser lidos dentro de uma eleição para duas cadeiras, e não como se fosse uma disputa convencional de candidato único.

A eleição ainda está aberta

A pesquisa RealTime mostra um cenário no qual cinco candidatos estão separados por apenas seis pontos percentuais.

Dallagnol aparece com 19%; Curi e Filipe Barros têm 17%; Gleisi, 15%; e Cristina Graeml, 13%.

É uma disputa aberta.

E, para Curi, o dado mais importante talvez seja justamente esse: ele está no grupo que hoje tem condições de disputar uma das duas vagas.

A partir de agora, sua campanha terá de ampliar o reconhecimento do nome, apresentar propostas para o Senado e, principalmente, explorar — sem presumir uma transferência automática de votos — a conexão política com o projeto de Ratinho Junior e com a candidatura de Sandro Alex.

Se essa associação conseguir ser compreendida pelo eleitor, Curi poderá ganhar uma dimensão eleitoral maior do que aquela registrada até aqui.

Mas a pesquisa também deixa claro que não há espaço para acomodação.

Com cinco nomes tecnicamente próximos, qualquer movimento pode alterar a ordem.

E, na eleição para o Senado, onde existem apenas duas cadeiras, estar no grupo da frente é importante — mas permanecer nele até outubro será o verdadeiro desafio.