A nova pesquisa IRG sobre a disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado confirma que a eleição está completamente aberta. Mas, em meio ao equilíbrio entre os principais candidatos, há um movimento que merece atenção especial: o crescimento de Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná e um dos nomes mais próximos do grupo político do governador Ratinho Junior.
No cenário estimulado para o primeiro voto, Curi aparece com 18,0%, atrás apenas de Deltan Dallagnol, com 19,6%, e Gleisi Hoffmann, com 19,3%. Filipe Barros registra 16,8%. Pela margem de erro de 2,67 pontos percentuais, os quatro estão tecnicamente empatados.
Para Curi, o número é particularmente significativo porque, na pesquisa IRG anterior, divulgada no fim de julho, ele tinha 14,2% no primeiro voto. Agora chega a 18%: um crescimento de 3,8 pontos percentuais em pouco mais de duas semanas.
Pode parecer pouco quando observado isoladamente. Politicamente, porém, é bastante relevante.
Curi começa a transformar estrutura política em intenção de voto
Alexandre Curi não está chegando à disputa pelo Senado como um nome desconhecido.
Sua trajetória na Assembleia Legislativa, sua experiência política e, sobretudo, sua posição de presidente da Alep colocam-no em uma condição diferente de candidatos que dependem quase exclusivamente da exposição eleitoral.
Curi também está inserido no grupo político de Ratinho Junior, justamente no momento em que o governador trabalha para construir uma composição capaz de garantir ao seu sucessor, Sandro Alex, uma base política sólida para um eventual governo.
E aqui está o ponto central desta eleição: a escolha para o Senado não pode ser analisada isoladamente da disputa pelo Governo do Paraná.
Se Sandro Alex mantém a trajetória de crescimento observada nas últimas pesquisas, a eleição de senadores alinhados ao futuro governador pode ganhar importância estratégica.
A força de uma bancada alinhada
Um governador precisa de interlocução política em Brasília.
Recursos federais, grandes obras de infraestrutura, financiamento, defesa dos interesses do Estado, questões tributárias, investimentos e articulação junto ao governo federal passam também pelo Senado.
Ter senadores que compartilhem uma visão política semelhante à do governo estadual pode facilitar essa interlocução.
É justamente nesse ponto que a candidatura de Curi ganha dimensão maior.
A eleição de Sandro Alex para o Governo e Alexandre Curi para o Senado formaria uma dupla politicamente integrada: um no Palácio Iguaçu e outro em Brasília.
Não significa que um senador deva ser subordinado ao governador. Muito pelo contrário. O papel do Senado exige independência e fiscalização. Mas há uma diferença importante entre independência institucional e oposição sistemática.
Para um governo que pretende dar continuidade ao projeto administrativo de Ratinho Junior, contar com aliados no Congresso pode representar uma vantagem política relevante.
E os números mostram uma disputa aberta
A pesquisa deixa claro que nenhuma das duas vagas está definida.
No primeiro voto:
Ou seja, há apenas 2,8 pontos separando o primeiro do quarto colocado.
A situação é ainda mais interessante quando se observa o segundo voto. Curi aparece com 11,4%, atrás de Dr. Rosinha, com 13,9%, Deltan, com 12,5%, e Filipe Barros, com 12,4%. Cristina Graeml tem 8,3%.
Isso demonstra que o eleitor ainda está formando suas combinações.
E há um detalhe fundamental: o paranaense poderá votar em dois candidatos diferentes para o Senado. Não existe obrigação de votar em uma "chapa fechada". Um eleitor pode escolher Curi no primeiro voto e outro candidato no segundo.
Essa característica torna a construção das alianças ainda mais importante.
A indefinição é enorme
Se alguém procurar uma definição antecipada para a disputa do Senado, a pesquisa oferece justamente o contrário.
No cenário espontâneo, 71% dos entrevistados não sabem ou não responderam em quem votar. Curi tem 3,8%, Deltan 7,6% e Gleisi 5,7%.
É um cenário de enorme volatilidade.
Isso significa que a campanha terá capacidade de alterar significativamente a fotografia atual.
E Curi tem um ativo importante: já ocupa uma posição de destaque na política paranaense e possui uma estrutura política consolidada.
Agora precisa transformar esse capital político em conhecimento e voto junto ao eleitor comum.
A equação Sandro Alex + Curi
É impossível ignorar a coincidência entre os movimentos das duas candidaturas.
Sandro Alex vem apresentando crescimento nas pesquisas para o Governo. Na pesquisa Grupo RIC/IRG divulgada nesta semana, ele aparece com 24,8%, muito próximo de Requião Filho, que tem 21%, enquanto Sergio Moro lidera com 40,2%. No segundo turno contra Moro, Sandro registra 38,1%, contra 42,7% do senador.
Ao mesmo tempo, Curi cresce na corrida pelo Senado.
É claro que uma pesquisa não permite afirmar que o crescimento de um candidato provoque automaticamente o crescimento do outro. Mas politicamente existe uma lógica evidente: quanto mais competitiva se torna a chapa governista para o Governo, maior tende a ser a capacidade de apresentar também seus candidatos ao Senado como parte de um mesmo projeto.
Essa será uma das grandes apostas do grupo de Ratinho Junior.
A mensagem poderá ser simples: Sandro Alex no Governo, Curi no Senado e uma segunda candidatura ao Senado capaz de completar a representação política do Paraná.
O experiente Curi contra uma eleição de nomes nacionais
Outro aspecto interessante é que Curi enfrenta adversários com forte exposição nacional.
Deltan Dallagnol carrega a marca da Lava Jato. Gleisi Hoffmann possui trajetória nacional e forte ligação com o governo Lula. Filipe Barros representa o bolsonarismo no Paraná. Cristina Graeml também disputa o espaço da direita.
Curi precisa fazer uma campanha diferente.
Seu argumento não é necessariamente o da celebridade nacional. É o da experiência política, conhecimento do Estado e capacidade de articulação.
E essa pode ser justamente sua vantagem.
O Senado não é uma eleição para escolher apenas quem tem maior presença nas redes sociais. É uma eleição para escolher quem terá seis anos de mandato representando o Paraná em Brasília.
Nesse sentido, a experiência de Curi na Assembleia e sua capacidade de articulação política podem se transformar em uma credencial eleitoral.
O Paraná terá de escolher que Senado quer
A disputa deste ano coloca uma questão que vai além dos nomes.
O eleitor escolherá dois senadores. E esses dois nomes terão papel importante na relação do Paraná com Brasília durante os próximos anos.
Se Sandro Alex confirmar seu crescimento e chegar ao Palácio Iguaçu, terá pela frente um cenário nacional que exigirá articulação permanente.
Ter senadores alinhados com o governo estadual pode ser uma vantagem estratégica.
É nesse contexto que Alexandre Curi deixa de ser apenas mais um candidato na extensa lista que disputa o Senado.
Ele passa a representar uma peça importante no projeto político construído por Ratinho Junior.
Ainda é cedo para dizer que sua eleição está garantida. 18% não são uma vitória, assim como 71% de indecisão não são garantia de derrota para ninguém.
Mas o movimento é claro.
Curi saiu de 14,2% para 18% no primeiro voto. Está agora no grupo dos quatro candidatos tecnicamente empatados na liderança e aparece entre os nomes mais competitivos também no segundo voto.
E, enquanto Sandro Alex tenta transformar crescimento em segundo turno, Curi tenta transformar experiência e estrutura política em uma das duas cadeiras do Paraná no Senado.
Se os dois conseguirem confirmar essa trajetória, Ratinho Junior poderá entregar ao seu sucessor não apenas um projeto de governo, mas também uma importante retaguarda política em Brasília.
E, em política, ter aliados no lugar certo na hora certa pode fazer tanta diferença quanto ganhar a própria eleição.
- Deltan Dallagnol — 19,6%
- Gleisi Hoffmann — 19,3%
- Alexandre Curi — 18,0%
- Filipe Barros — 16,8%
- Cristina Graeml — 6,2%
- Dr. Rosinha — 4,3%
