A confirmação de que Álvaro Dias não disputará uma vaga ao Senado encerra uma das maiores incógnitas da política paranaense nesta reta final das convenções. Mais do que a decisão pessoal de um dos políticos mais influentes da história recente do Estado, o movimento reorganiza completamente o tabuleiro da sucessão estadual e fortalece uma estratégia que vinha sendo construída há meses pelo governador Ratinho Junior.
Desde o início das articulações, Ratinho Junior demonstrou que sua prioridade não era apenas escolher um candidato ao Governo. Seu objetivo era bem mais amplo: preservar a unidade da base governista e construir uma chapa capaz de chegar competitiva às urnas.
Foi exatamente isso que aconteceu.
Primeiro, convenceu Rafael Greca a abrir mão da candidatura própria ao Palácio Iguaçu para compor como vice de Sandro Alex. Com isso, retirou da disputa um candidato que aparecia bem posicionado nas pesquisas e incorporou ao projeto governista uma liderança com forte influência em Curitiba e na Região Metropolitana.
Depois, administrou com cautela a disputa pelas vagas ao Senado.
Enquanto a opinião pública enxergava indefinição, os bastidores mostravam um processo de negociação delicado. Ratinho Junior evitou precipitações, manteve diálogo com os partidos aliados e trabalhou até o limite do calendário eleitoral para acomodar interesses que, em muitos momentos, pareciam incompatíveis.
É nesse contexto que a decisão de Álvaro Dias ganha relevância.
Durante semanas, seu nome era apontado como um dos mais competitivos para o Senado. Sua permanência na disputa representava um desafio para qualquer composição da base governista. Ao retirar seu nome da corrida, elimina um dos principais fatores de incerteza da eleição e permite que a engenharia política construída pelo Palácio Iguaçu avance para uma nova etapa.
Quem sai diretamente beneficiado é o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi.
Embora Ratinho Junior já tivesse reiterado publicamente seu apoio à pré-candidatura de Curi ao Senado, a possível participação de Álvaro Dias mantinha o cenário em aberto e alimentava especulações sobre a composição definitiva da chapa. Com a desistência de Álvaro, Alexandre Curi passa a ter um caminho politicamente mais desobstruído para consolidar sua candidatura, fortalecendo um projeto que o governador vem defendendo desde o início das articulações.
Não significa que a eleição esteja decidida.
A disputa pelo Senado continuará sendo uma das mais concorridas do país e dependerá das definições partidárias, do comportamento do eleitorado e do desempenho dos candidatos durante a campanha. Mas, do ponto de vista da articulação política, o cenário tornou-se muito mais favorável para Curi do que era há poucos dias.
Esse talvez seja o maior mérito de Ratinho Junior.
Enquanto adversários ainda buscavam definir candidaturas e administrar conflitos internos, o governador concentrou esforços na construção de uma ampla coalizão. Em poucos dias, conseguiu reunir Sandro Alex e Rafael Greca na mesma chapa, manteve a base praticamente unificada e viu desaparecer um dos maiores obstáculos à consolidação da candidatura de Alexandre Curi ao Senado.
Na política, vitórias eleitorais não são conquistadas apenas nas urnas. Elas começam muito antes, na capacidade de construir alianças, administrar interesses divergentes e convencer lideranças a colocar um projeto coletivo acima de projetos individuais.
É justamente isso que Ratinho Junior parece ter feito.
As próximas pesquisas mostrarão se essa engenharia política produzirá dividendos eleitorais. Mas, independentemente dos números que virão, uma conclusão já se impõe: o governador demonstrou habilidade para conduzir uma negociação complexa, reduzir tensões dentro de sua base e reorganizar o cenário eleitoral paranaense sem grandes rupturas públicas.
Em um ambiente político marcado por vaidades e disputas de espaço, essa talvez tenha sido sua maior vitória até agora. Afinal, enquanto muitos enxergavam apenas candidaturas, Ratinho Junior parecia jogar uma partida maior: a de montar um tabuleiro no qual seus principais aliados permanecessem no mesmo lado.
Com a saída de Álvaro Dias da disputa, Alexandre Curi passa a ter, mais do que nunca, o caminho aberto para transformar essa estratégia em uma candidatura competitiva ao Senado.
Leia na íntegra a carta de Álvaro Dias
