À meia-noite de 5 de agosto terminou um dos períodos mais intensos da política paranaense. Com o encerramento do prazo legal para as convenções partidárias, as especulações deram lugar às definições. Os partidos oficializaram seus candidatos, vices e nomes para o Senado, encerrando meses de negociações e abrindo espaço para uma nova fase: a disputa direta pelo voto do eleitor.
A última grande peça desse quebra-cabeça foi colocada pelo PDT e pelos partidos que compõem sua coligação. Requião Filho teve sua candidatura ao Governo do Paraná oficializada, tendo Michelle Caputo como candidata a vice-governadora, enquanto a chapa para o Senado foi formada por Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha. Com isso, todas as principais forças políticas que disputarão o Palácio Iguaçu estão oficialmente definidas.
O encerramento das convenções também permite uma leitura mais ampla do cenário político.
O governador Ratinho Junior chega ao início da campanha tendo alcançado praticamente todos os objetivos que perseguia desde que decidiu permanecer no governo e conduzir pessoalmente sua sucessão. Em poucas semanas, conseguiu reunir em torno de Sandro Alex uma ampla coalizão, trouxe Rafael Greca para a vice-governadoria, consolidou Alexandre Curi como um dos candidatos ao Senado e fechou a chapa com Cristina Graeml, ampliando o alcance político da aliança governista. Essas articulações alteraram significativamente o cenário em relação às pesquisas divulgadas antes das convenções.
Do outro lado, a oposição também chega organizada.
Sergio Moro entra na disputa representando o PL e seus aliados, buscando transformar sua projeção nacional em força eleitoral no Paraná. Já Requião Filho lidera uma frente de centro-esquerda formada por PDT, PT, PV, PSOL, PCdoB, Rede, PRD e Solidariedade, apresentando uma plataforma voltada para políticas públicas e um discurso de contraste em relação ao governo estadual.
A partir de agora, a campanha muda de natureza.
Até ontem, o centro das atenções eram os bastidores: quem seria vice, quem disputaria o Senado, quais partidos permaneceriam unidos e quais alianças seriam formadas. Essas perguntas foram respondidas. A agenda eleitoral passa a ser dominada por debates, programas de rádio e televisão, propaganda eleitoral, agendas públicas e confronto de propostas.
É justamente nesse momento que as pesquisas também ganham um novo significado.
Os levantamentos realizados antes das convenções retratavam um cenário que já não existe. Rafael Greca aparecia como pré-candidato ao Governo, Cristina Graeml ainda não tinha sua posição definida na chapa majoritária e diversas alianças permaneciam em aberto. As próximas pesquisas serão as primeiras a medir como o eleitor reagiu às decisões tomadas pelos partidos e se as composições construídas nos bastidores terão reflexo nas intenções de voto.
Há ainda um aspecto simbólico importante.
O fim das convenções marca o encerramento da pré-campanha e o início efetivo da corrida eleitoral. A partir deste momento, os candidatos deixam de falar prioritariamente para dirigentes partidários e lideranças políticas e passam a disputar o eleitor comum, aquele que decidirá nas urnas quem governará o Paraná pelos próximos quatro anos e quem ocupará as duas vagas do Estado no Senado Federal.
O tabuleiro, enfim, está completo.
As peças foram posicionadas, as alianças consolidadas e os protagonistas definidos. Agora, o protagonismo deixa os gabinetes e as mesas de negociação para chegar às ruas, às redes sociais, aos debates televisivos e ao contato direto com a população.
Se os últimos meses foram marcados pela habilidade política de construir chapas e acomodar interesses, os próximos serão definidos pela capacidade de convencer o eleitor. É nesse momento que a estratégia dá lugar à campanha, e a articulação política passa a ser testada pelo julgamento mais importante de todos: o voto.
