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Curi se consolida entre os favoritos e disputa pelo Senado esquenta no Paraná

O presidente da Assembleia Legislativa aparece com 29,6%, apenas 4,4 pontos atrás de Deltan e praticamente empatado, dentro da margem de erro, com Gleisi Hoffmann...

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Redação17/08/2026
Curi se consolida entre os favoritos e disputa pelo Senado esquenta no Paraná

A nova pesquisa divulgada nesta segunda-feira (17) recoloca a disputa pelo Senado no Paraná no centro do jogo eleitoral. O levantamento mostra Deltan Dallagnol com 34%, Alexandre Curi com 29,6%,

com 28,1% e Filipe Barros com 26%. Como o eleitor paranaense escolherá dois senadores, os números revelam uma disputa bastante aberta e, principalmente, uma corrida na qual poucos pontos separam os candidatos mais competitivos.

Mas há um detalhe que não pode ser colocado em segundo plano: Deltan aparece nas pesquisas como candidato, mas sua situação eleitoral ainda depende da Justiça Eleitoral.

E essa diferença é fundamental.

Deltan está na pesquisa, mas sua candidatura ainda não é uma questão encerrada

Dallagnol protocolou em julho no TRE-PR um Requerimento de Declaração de Elegibilidade, justamente para tentar obter antecipadamente uma definição sobre sua condição eleitoral. O próprio pedido demonstra que existe uma questão jurídica a ser enfrentada.

Portanto, não se deve confundir estar incluído em uma pesquisa eleitoral com ter a candidatura definitivamente validada pela Justiça Eleitoral.

O próprio TRE-PR já teve processos relacionados à situação eleitoral de Deltan e, em decisão anterior, foi registrado que seu requerimento de candidatura estava pendente de julgamento.

Essa ressalva é especialmente importante porque Dallagnol teve o mandato de deputado federal cassado pelo TSE em 2023, em decisão relacionada à sua saída do Ministério Público enquanto havia procedimentos administrativos pendentes. A discussão sobre os efeitos dessa decisão sobre sua elegibilidade para 2026 continua sendo objeto de disputa jurídica.

Em outras palavras: a pesquisa pode medir a força eleitoral de Deltan, mas não resolve a questão jurídica de sua candidatura.

E isso pode alterar significativamente a disputa.

Alexandre Curi é o dado político mais interessante

Se há um movimento que merece atenção especial na pesquisa, é o de Alexandre Curi.

O presidente da Assembleia Legislativa aparece com 29,6%, apenas 4,4 pontos atrás de Deltan e praticamente empatado, dentro da margem de erro, com Gleisi Hoffmann.

Mas o mais importante não é apenas o número absoluto: É a trajetória.

Em levantamento anterior do Paraná Pesquisas, realizado em julho, Curi aparecia com 29,7%, enquanto Deltan tinha 33,9%. Ou seja, Curi permanece no mesmo patamar, enquanto continua consolidado no grupo que disputa diretamente as duas cadeiras.

E isso precisa ser analisado à luz de sua trajetória política.

Curi não depende exclusivamente de exposição nacional ou de uma marca eleitoral construída em torno de um único tema. Ele chega à eleição com experiência política, presença institucional e uma estrutura partidária consolidada, além de integrar o grupo político do governador Ratinho Junior.

É justamente essa combinação que pode fazer diferença na reta final.

O Senado é uma eleição diferente

Existe uma particularidade que torna essa pesquisa ainda mais interessante: o Paraná elegerá dois senadores.

Isso significa que não basta ser o primeiro colocado. O objetivo real é estar entre os dois mais votados. E, nesse cenário, Curi está muito bem posicionado.

Se Deltan lidera numericamente, Curi está logo atrás. Gleisi aparece praticamente no mesmo nível. Filipe Barros também permanece dentro da disputa.

Temos, portanto, quatro candidatos concentrados em uma faixa relativamente estreita.

Deltan: 34%.

Curi: 29,6%.

Gleisi: 28,1%.

Filipe: 26%.

A diferença entre o primeiro e o quarto é de apenas 8 pontos percentuais.

É pouco para uma eleição em que ainda haverá semanas de propaganda, debates, entrevistas, sabatinas e exposição diária dos candidatos.

A força de Curi está também no projeto político

Existe outro componente que não pode ser ignorado.

Curi não está disputando o Senado isoladamente.

Sua candidatura está inserida em um projeto político mais amplo do grupo de Ratinho Junior, que tem Sandro Alex como candidato ao Governo do Paraná.

E isso pode ganhar importância durante a campanha.

Se Sandro Alex conseguir confirmar o crescimento que vem apresentando nas pesquisas e chegar competitivo ao segundo turno, a candidatura de Curi poderá ser apresentada ao eleitor como parte de uma mesma composição política: um governador no Paraná e um senador com capacidade de articulação em Brasília.

Não se trata de defender que o Senado deva ser subordinado ao Palácio Iguaçu. Um senador precisa exercer seu mandato com independência.

Mas existe uma diferença entre independência e oposição permanente.

Um senador alinhado politicamente com o governo estadual pode facilitar a construção de uma ponte entre Paraná e Brasília, especialmente em temas como infraestrutura, financiamento, saúde, segurança, desenvolvimento econômico e investimentos federais.

E Curi tem um atributo adicional: conhece a máquina política paranaense por dentro.

O fator Deltan pode produzir uma eleição ainda mais imprevisível

Se a Justiça Eleitoral confirmar a candidatura de Deltan, ele parte de uma posição muito competitiva.

Mas se houver qualquer decisão que impeça sua participação, o cenário eleitoral precisará ser completamente recalculado.

E não apenas porque seus votos desapareceriam. Eles terão de ser redistribuídos entre candidatos que disputam exatamente o mesmo eleitorado.

Esse é um dos elementos que tornam a eleição para o Senado especialmente imprevisível.

A pesquisa mede um cenário no qual Deltan está presente. A urna, porém, só terá os nomes que forem juridicamente considerados aptos.

É por isso que qualquer análise definitiva neste momento seria precipitada.

Curi pode ser o nome da estabilidade

Enquanto outros candidatos carregam marcas políticas muito fortes — seja a Lava Jato, o bolsonarismo ou o lulismo — Curi ocupa um espaço diferente.

Sua candidatura pode ser construída em torno de experiência, articulação e continuidade administrativa.

E isso pode conversar diretamente com o eleitor que não está necessariamente procurando um senador para protagonizar grandes guerras ideológicas em Brasília, mas alguém capaz de defender os interesses do Estado.

Há uma vantagem adicional.

A própria pesquisa mostra que a disputa não está consolidada. Dallagnol lidera, mas não abriu uma distância confortável. Curi está a menos de cinco pontos. Gleisi está a menos de seis. Filipe está a oito.

Quatro nomes para duas vagas.

É praticamente uma eleição dentro da eleição.

O jogo está aberto

A fotografia apresentada pela pesquisa da CartaCapital é importante justamente porque desmonta qualquer ideia de eleição definida para o Senado.

Deltan aparece na frente, mas sua situação jurídica ainda precisa ser definida pela Justiça Eleitoral.

Curi está logo atrás e demonstra capacidade de permanecer entre os candidatos mais competitivos, Gleisi está no mesmo bloco, Filipe Barros permanece na disputa.

E ainda existe todo o período de campanha pela frente. Por isso, talvez a leitura mais interessante seja esta:

Alexandre Curi não está apenas sobrevivendo à disputa pelo Senado. Está se consolidando como um dos nomes mais competitivos para ocupar uma das duas cadeiras do Paraná.

E, para o grupo de Ratinho Junior, isso tem uma importância estratégica evidente.

Se Sandro Alex avançar na corrida pelo Governo e Curi confirmar sua posição no Senado, o grupo poderá chegar a outubro disputando não apenas o comando do Palácio Iguaçu, mas também uma das duas cadeiras que representarão o Paraná em Brasília.

A pesquisa mostra que essa possibilidade existe. Mas também mostra que ninguém pode cantar vitória ainda.

A eleição está aberta — e a situação jurídica de Deltan é uma das variáveis que podem mudar completamente o tabuleiro.