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Do amor ao ódio: o PL do Paraná e a política das conveniências

A política raramente consegue esconder por muito tempo suas relações de interesse.

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Redação12/05/2026
Do amor ao ódio: o PL do Paraná e a política das conveniências

Foto: Valdir Amaral/Alep

O comportamento recente da bancada do PL na Assembleia Legislativa do Paraná talvez seja um dos exemplos mais claros dessa política das conveniências.

Durante anos, parte importante do PL ocupou espaço confortável dentro da base do governo Ratinho Junior. Havia cargos, espaço político, influência administrativa, proximidade institucional e acesso ao poder.

Nesse período, predominavam elogios, alinhamento, fidelidade pública e demonstrações quase permanentes de apoio ao governo.

Mas bastou a ruptura política causada pela pré-candidatura de Sérgio Moro ao governo pelo PL para que o cenário mudasse completamente e rapidamente. A saída da base expôs a fragilidade da relação.

O PL deixou oficialmente a base aliada após a consolidação do projeto eleitoral de Moro. Com isso, vieram perda de espaços no governo, redução de influência, afastamento político e o encerramento de privilégios que parte do partido desfrutava dentro da estrutura estadual.

A mudança de comportamento foi imediata. Deputados que antes exaltavam o governo passaram a assumir postura agressiva e oposicionista.

O episódio na Alep, nesta segunda-feira (11) envolvendo o pedido para convocar secretário do governo para explicar convênios ligados a Guto Silva, simboliza exatamente essa nova fase.

O deputado Jacovós chegou a requerer em plenário a criação da bancada independente, o que foi de imediato negado pelo presidente Alexandre Curi, que conduzia a sessão naquele momento, que afirmou não haver previsão regimental.

Não se trata de uma oposição, propriamente dita, mas sim, de uma oposição ressentida. Esse talvez seja o ponto mais delicado. Porque a nova postura do PL não transmite exatamente divergência programática. Transmite ruptura de interesses. E isso fica evidente pela velocidade da transformação.

  • O que antes era “gestão eficiente”, virou “problema grave”.
  • O que antes era “parceria”, virou “suspeita”.
  • O que antes era “base”, virou “oposição”.

Na prática, o comportamento da bancada acaba revelando algo constrangedor para a própria política: a aliança não era sustentada por convicção, mas por participação no poder.

O efeito Moro desorganizou completamente o PL. A entrada de Sérgio Moro no centro da disputa estadual obrigou o PL paranaense a fazer uma escolha: permanecer próximo do governo Ratinho Junior ou construir um palanque competitivo para 2026. Escolheu o confronto.

E confronto exige discurso oposicionista. O problema é que parte da bancada ainda carrega o peso do passado recente, porque muitos dos atuais críticos eram defensores entusiasmados do mesmo governo há poucos meses.

O contraste fortalece Ratinho politicamente. Paradoxalmente, essa mudança brusca pode até fortalecer o governador politicamente. Na prática, ajuda a consolidar uma narrativa simples: enquanto Ratinho mantém agenda intensa de obras, entregas e viagens pelo interior, parte da oposição parece movida mais por perda de espaço do que por projeto alternativo. E isso tem impacto importante na percepção pública.

A política do interesse explícito. O episódio também revela uma característica antiga da política brasileira: muitos grupos permanecem “fiéis” enquanto participam do governo. Quando deixam de participar: mudam o discurso, alteram a postura e descobrem repentinamente problemas que antes ignoravam. A diferença agora é que isso ocorre de forma muito mais visível, acelerada pelas redes sociais e pelo ambiente pré-eleitoral.

E aí? A ruptura entre PL e o governo Ratinho Junior parece menos uma divergência ideológica profunda e mais uma disputa por espaço político (leia-se, cargos) dentro da sucessão estadual. E talvez o comportamento recente da bancada tenha revelado algo importante ao eleitor: parte da relação nunca foi construída sobre lealdade política real, mas apenas e tão somente sobre conveniência.

Fato. Na política, alianças costumam durar enquanto o poder é compartilhado. O problema é que, quando o “amor” termina imediatamente após a perda dos cargos e das benesses, a oposição deixa de parecer convicção e começa a parecer ressentimento.