O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, voltou ao centro do debate político após publicar em seu perfil pessoal no Instagram um vídeo abordando um morador de rua e afirmando que ele não poderia permanecer naquele local. A cena rapidamente ganhou repercussão. E não apenas pelo conteúdo. Mas pelo simbolismo político que ela carrega.
O tema que mais mobiliza Curitiba hoje A questão da população em situação de rua se tornou um dos temas mais sensíveis da capital. Segurança, ocupação do espaço público, dependência química, degradação urbana, tudo isso passou a influenciar diretamente a percepção sobre gestão pública. E Eduardo Pimentel parece ter entendido isso.
O vídeo não foi casual. Foi um gesto político calculado.
A estratégia da presença direta Ao aparecer pessoalmente nas ruas, conversando diretamente com moradores em situação de vulnerabilidade, Pimentel tenta transmitir uma imagem específica: prefeito presente, gestão ativa, enfrentamento direto do problema.
Essa estratégia conversa diretamente com parte importante do eleitorado curitibano, que cobra ações mais firmes sobre o tema.
O limite entre ação e exposição Mas existe um ponto delicado. Quando o gestor transforma esse tipo de abordagem em conteúdo político, surge um risco: a linha entre política pública e espetacularização fica mais tênue.
Esse debate já apareceu em reportagens recentes que criticaram o uso de vídeos envolvendo pessoas em situação de rua como ferramenta de comunicação política. A crítica central é clara: combater o problema é uma coisa. Transformar vulnerabilidade em narrativa digital é outra.
O contraponto que a própria prefeitura apresenta Ao mesmo tempo, a prefeitura tenta sustentar outra narrativa: a de recuperação social. Em ações recentes divulgadas oficialmente, o município mostrou casos de pessoas acolhidas e reinseridas socialmente após apoio da administração municipal.
O caso do morador de 64 anos divulgado pela prefeitura simboliza exatamente isso: acolhimento, assistência, reconstrução de perspectiva de vida, a gestão tenta demonstrar que não se trata apenas de retirada das ruas, mas de reestruturação social.
O impacto político Politicamente, o movimento é arriscado — mas potencialmente eficiente. Porque toca em um ponto emocional forte do eleitorado: sensação de ordem urbana. E Curitiba historicamente responde muito a esse tipo de discurso.
O reflexo em 2026 O tema também dialoga diretamente com o ambiente eleitoral estadual. Eduardo Pimentel é hoje uma das peças centrais do grupo político de Ratinho Junior. Sua atuação na capital influencia: percepção sobre gestão, ambiente político urbano, e o desempenho do grupo governista em Curitiba e Região Metropolitana.
E aí? O vídeo não foi apenas uma postagem. Foi uma mensagem política. E a mensagem parece clara: a prefeitura quer mostrar ação, presença, e controle do espaço urbano. O problema é que, quanto mais a política entra no território da vulnerabilidade social, maior também se torna o risco de transformar sofrimento em disputa narrativa.
Fato Eduardo Pimentel decidiu enfrentar um dos temas mais difíceis da cidade de forma direta. Isso pode fortalecer sua imagem de gestor, ou ampliar a crítica de que Curitiba está transformando vulnerabilidade em espetáculo político.
E, na política, às vezes a diferença entre firmeza e excesso, depende apenas da forma como a cena é percebida.
