Se o cenário estimulado da pesquisa Grupo RIC/IRG mostra Sergio Moro na liderança e Sandro Alex em crescimento, o cenário espontâneo revela uma realidade ainda mais importante: a eleição está longe de estar consolidada na cabeça do eleitor paranaense.
Quando os nomes dos candidatos são apresentados, o eleitor pode escolher entre as opções colocadas à sua frente. No cenário espontâneo, porém, ninguém recebe uma lista. O entrevistado precisa lembrar, por conta própria, quem está disputando o Governo do Paraná.
E o resultado é eloquente: 60,4% dos entrevistados não souberam ou não responderam em quem pretendem votar.
Esse é, provavelmente, um dos números mais importantes de toda a pesquisa.
Moro lidera entre os nomes lembrados
Entre aqueles que conseguiram apontar espontaneamente um candidato, Sergio Moro aparece com 17,4%.
Requião Filho registra 7,4%, enquanto Sandro Alex aparece com 6,8%. Na sequência, 4% escolheram branco, nulo ou nenhum candidato.
A fotografia espontânea, portanto, é:
- Sergio Moro — 17,4%
- Requião Filho — 7,4%
- Sandro Alex — 6,8%
- Nenhum/Branco/Nulo — 4,0%
- Ratinho Junior — 2,6%
- Rafael Greca — 0,9%
- Luiz França — 0,1%
- Alexandre Curi — 0,1%
- Eduardo Pimentel — 0,1%
- Gleisi Hoffmann — 0,1%
- Tayná Miessa — 0,1%
- Não sabe/Não respondeu — 60,4%.
Há um detalhe interessante: Ratinho Junior ainda é lembrado por 2,6% dos entrevistados, embora não seja candidato ao governo. Rafael Greca, que agora integra a chapa de Sandro Alex como vice, aparece com 0,9%.
Isso ajuda a mostrar como a memória eleitoral do público ainda está em processo de reorganização depois das convenções.
O que significa ter 60,4% de indecisos?
Não significa que 60,4% estejam necessariamente indecisos no sentido estrito. A pergunta espontânea mede principalmente a capacidade de o eleitor identificar e declarar imediatamente uma preferência sem receber os nomes dos candidatos.
É uma diferença metodológica fundamental.
Ainda assim, o número revela algo importante: a maioria do eleitorado ainda não incorporou uma candidatura ao seu repertório espontâneo.
Em uma eleição que acabou de entrar na fase oficial de campanha, isso abre um espaço considerável para mudanças.
Os candidatos terão agora televisão, rádio, debates, entrevistas, redes sociais, propaganda eleitoral e uma presença muito mais intensa junto ao eleitor. A tendência é que o nível de conhecimento sobre as candidaturas aumente.
A pergunta passa a ser: quem conseguirá transformar conhecimento em preferência?
Sandro Alex ainda tem um desafio — e uma oportunidade
Os 6,8% de Sandro Alex no cenário espontâneo merecem ser lidos em conjunto com os 24,8% obtidos no cenário estimulado.
A diferença é de 18 pontos percentuais.
Ou seja, quando o nome e a chapa são apresentados, Sandro alcança uma intenção de voto muito maior do que aquela que consegue obter espontaneamente.
Isso pode indicar que sua candidatura ainda depende bastante da exposição para ser reconhecida pelo eleitor.
E isso é particularmente relevante porque a campanha está apenas começando.
Sandro Alex é uma candidatura que foi consolidada recentemente, depois da desistência de Rafael Greca de concorrer ao governo e sua entrada como vice. A própria pesquisa do Grupo RIC/IRG é uma das primeiras a medir as chapas completas depois dessas definições.
Portanto, 6,8% no espontâneo não deve ser interpretado isoladamente como força eleitoral definitiva. É também um indicador do quanto ainda há para a campanha apresentar o candidato ao eleitor.
Moro tem uma vantagem de conhecimento
O resultado de Sergio Moro é diferente.
Os 17,4% no espontâneo, comparados aos 40,2% no estimulado, mostram uma distância de 22,8 pontos. Ainda existe diferença importante entre lembrança espontânea e intenção estimulada, mas Moro é claramente o candidato mais lembrado sem que seu nome seja apresentado.
Isso é coerente com sua trajetória nacional e com uma candidatura que já vinha sendo amplamente discutida antes mesmo do período de convenções.
Requião Filho também possui uma vantagem de reconhecimento proporcionada pelo sobrenome e pela tradição política da família.
Sandro, portanto, parte de uma condição diferente: precisa ampliar rapidamente o reconhecimento de seu nome e transformar a associação com Ratinho Junior e Rafael Greca em identidade eleitoral própria.
A eleição ainda está em formação
O cenário espontâneo talvez seja a melhor demonstração de que as pesquisas não podem ser tratadas como resultado antecipado.
O levantamento ouviu 1.350 eleitores entre 8 e 12 de agosto, com margem de erro de 2,67 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número PR-09301/2026.
Mas, mais importante do que a margem de erro, é observar o comportamento do eleitor.
Se seis em cada dez entrevistados não conseguem apontar espontaneamente um nome, significa que a campanha ainda terá um papel enorme na formação das escolhas.
Isso vale para todos.
Moro precisará manter sua liderança e transformar sua vantagem de conhecimento em votos efetivos.
Requião Filho terá de consolidar o segundo lugar e impedir que Sandro avance.
Sandro Alex, por sua vez, terá de aproveitar a exposição que começa agora para reduzir a distância entre seus índices espontâneo e estimulado.
E existe uma enorme massa eleitoral disponível
O dado de 60,4% não deve ser tratado simplesmente como "voto a conquistar" — porque nem todos esses entrevistados necessariamente migrarão para algum candidato.
Mas ele demonstra que existe uma parcela majoritária do eleitorado que ainda não manifesta espontaneamente uma escolha.
É justamente nesse espaço que a campanha poderá ser decidida.
Debates podem alterar percepções. A propaganda eleitoral pode ampliar o conhecimento dos candidatos. As redes sociais podem criar fatos novos. A avaliação do governo Ratinho Junior pode favorecer ou prejudicar a candidatura de Sandro. A associação de Moro com o campo bolsonarista pode ser um ativo para alguns eleitores e um obstáculo para outros. Requião Filho terá de apresentar sua alternativa ao eleitorado que busca oposição ao atual governo.
Tudo isso ainda está em aberto.
E talvez essa seja a principal conclusão do cenário espontâneo da pesquisa Grupo RIC/IRG:
Moro lidera entre os nomes lembrados, Requião Filho e Sandro Alex aparecem próximos, mas a maioria absoluta do eleitorado ainda não colocou nenhum deles no topo de sua memória eleitoral.
Com 60,4% sem declarar espontaneamente uma preferência, a eleição do Paraná ainda tem muito mais perguntas do que respostas.
E, a partir de agora, começa justamente a disputa para preenchê-las.
Dados da Pesquisa
A pesquisaGrupo RIC/IRGouviu1.350 eleitoresno Paraná, entre os dias08 e 12 de agosto. A margem de erro é de2,67%pontos percentuaispara mais ou para menos. O índice de confiança é de95%. A sondagem está registrada na Justiça Eleitoral sob o númeroPR-09301/2026.
