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Ganhando o Mundo: quando a educação pública do Paraná atravessa fronteiras.

Durante décadas, a política educacional brasileira acostumou o país a um padrão limitado: discutir falta, administrar carência e tratar o estudante

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Redação14/05/2026
Ganhando o Mundo: quando a educação pública do Paraná atravessa fronteiras.

Foto: Lucas Fermin/SEED

Durante décadas, a política educacional brasileira acostumou o país a um padrão limitado: discutir falta, administrar carência e tratar o estudante da rede pública como alguém destinado a sonhar pequeno. O programa Ganhando o Mundo rompe justamente com essa lógica. E talvez esse seja o aspecto mais importante — e menos debatido — da iniciativa do governo do Paraná.

O programa não exporta apenas estudantes. Exporta expectativa. Quando alunos da rede estadual embarcam para os Estados Unidos, Canadá, Austrália ou Nova Zelândia, não é apenas um intercâmbio acontecendo.

É uma quebra simbólica de limite social. O estudante da escola pública deixa de enxergar o mundo como algo distante e passa a perceber que também pode ocupar espaços globais.

O Ganhando o Mundo Agrícola carrega um significado ainda maior. A experiência dos estudantes agrícolas nos Estados Unidos revela um dos pontos mais inteligentes do programa. Conecta, educação, tecnologia, agronegócio e formação técnica internacional. Não se trata apenas de ensinar inglês. Trata-se de inserir jovens do interior do Paraná em ambientes de inovação agrícola de escala mundial. E isso dialoga diretamente com a identidade econômica do estado.

O Paraná constrói algo raro na educação pública. O que o programa produz não é apenas experiência cultural. Produz repertório, autoestima, ambição profissional e transformação de horizonte social. Quando um estudante da rede pública volta de Iowa, Toronto ou Auckland, ele retorna diferente. E isso inevitavelmente impacta a escola, a família, a cidade e o ambiente ao redor.

A crítica inevitável: custo ou prioridade? Como toda política pública de grande escala, o programa também desperta questionamentos. Há quem argumente que o investimento deveria priorizar exclusivamente problemas estruturais internos da educação. É uma discussão legítima, mas existe um contraponto importante:

Governos não transformam educação apenas construindo paredes. Transformam também ampliando perspectiva.

E esse é o maior mérito do Ganhando o Mundo, quando mostra ao aluno da rede pública que o mundo não termina no limite geográfico da sua cidade.

O programa ajuda a construir a imagem política do governo. Politicamente, o impacto também é evidente. O programa reforça uma característica que o governo Ratinho Junior conseguiu consolidar: gestão associada à modernização e oportunidade. E faz isso em uma área extremamente sensível: educação, juventude e mobilidade social.

A força simbólica do programa. Existe algo profundamente político — no melhor sentido — quando o filho de uma família simples embarca pela primeira vez para estudar fora do país com apoio do Estado. Porque isso altera uma lógica histórica brasileira: a ideia de que experiências internacionais pertencem apenas à elite.

E aí? O Ganhando o Mundo é uma das políticas públicas mais simbólicas do atual governo do Paraná. Não apenas pelo número de estudantes enviados ao exterior, mas pelo que o programa representa: ampliação de horizonte, mobilidade social e valorização da educação pública. Fato.

Durante muito tempo, o estudante da rede pública brasileira foi treinado para acreditar no limite. O Ganhando o Mundo faz o contrário

Ensina que o aluno pode atravessar fronteiras. E, na política, poucas coisas geram tanto impacto quanto um governo que transforma expectativa em possibilidade real. Não se trata se o governante é do partido A ou B. Se trata, sim, de fazer acontecer. Que os bons projetos tenham vida longa! Que a descontinuidade de um mandato político não represente o fim do sonho de um estudante.