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Lula abre vantagem sobre Flávio, e a conta chega ao Paraná

Moro construiu sua candidatura ao Governo do Paraná associada ao campo político de direita e tem em Flávio Bolsonaro um dos principais apoiadores nacionais

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Redação12/08/2026
Lula abre vantagem sobre Flávio, e a conta chega ao Paraná

A nova pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta terça-feira (11), acrescenta um elemento importante ao cenário eleitoral de 2026: Lula aparece com 42,4% das intenções de voto no primeiro turno, contra 28,7% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado tem 4%, Romeu Zema, 3,3%, e Renan Santos, 2,8%. No segundo turno, Lula aparece com 48%, contra 39% de Flávio, reduzindo de 12 para 9 pontos a vantagem registrada no levantamento anterior.

Há, porém, uma ressalva importante sobre o título da matéria: os 42,4% de Lula contra 28,7% de Flávio representam uma diferença de 13,7 pontos no primeiro turno, e não de 12. Os 12 pontos mencionados no título referem-se à vantagem anterior de Lula no segundo turno, que agora caiu para nove pontos.

Mas o que uma pesquisa presidencial tem a ver com a eleição para o Governo do Paraná?

Tem bastante.

Não porque o eleitor paranaense necessariamente reproduza a escolha nacional — e seria um erro tratar a eleição estadual como uma simples extensão da disputa presidencial —, mas porque as alianças nacionais funcionam como importantes referências para determinados segmentos do eleitorado.

E é justamente aí que aparece Sergio Moro.

Flávio Bolsonaro é mais do que um apoiador de Moro

Moro construiu sua candidatura ao Governo do Paraná associada ao campo político de direita e tem em Flávio Bolsonaro um dos principais apoiadores nacionais. O próprio desenho eleitoral paranaense passou a explorar essa associação: levantamentos recentes chegaram a apresentar cenários identificando Moro como candidato apoiado por Flávio e Sandro Alex como candidato apoiado por Ratinho Junior.

Isso significa que a eleição paranaense poderá receber, em alguma medida, os reflexos da disputa presidencial.

Flávio Bolsonaro não é apenas mais um cabo eleitoral para Moro. Seu nome representa, para uma parcela significativa do eleitorado, a continuidade do bolsonarismo na eleição de 2026. Ao mesmo tempo, para outro segmento, essa associação pode produzir resistência.

É justamente essa característica que torna a aliança politicamente interessante — e arriscada.

A pergunta que começa a aparecer no Paraná

Se Flávio conseguir crescer nacionalmente e aproximar-se de Lula, Moro poderá se beneficiar desse movimento entre os eleitores paranaenses mais identificados com o bolsonarismo?

É possível.

Mas o inverso também precisa ser considerado: se Flávio não conseguir superar Lula ou permanecer distante da liderança nacional, até que ponto a associação com Moro será suficiente para garantir ao candidato do PL uma vantagem no Paraná?

Essa é uma equação que a campanha de Moro terá de administrar.

Nas pesquisas estaduais, Moro continua aparecendo em posição competitiva. Um levantamento divulgado após o encerramento das convenções apontou 35,3% para Moro, 27,6% para Sandro Alex e 19,5% para Requião Filho. Ou seja, Moro mantém a liderança, mas Sandro já aparece em segundo e reduziu a distância.

Outro levantamento realizado anteriormente pelo IRG mostrou justamente como os apoios nacionais e estaduais podem alterar a percepção do eleitor: em um cenário de segundo turno apresentado aos entrevistados, Moro aparecia associado ao apoio de Flávio Bolsonaro, enquanto Sandro Alex era associado a Ratinho Junior.

Não é por acaso.

O eleitor não escolhe apenas um nome. Em eleições altamente polarizadas, muitas vezes escolhe também o campo político que acredita que aquele candidato representa.

Moro terá de transformar apoio nacional em voto estadual

Aqui está o desafio de Sergio Moro.

Ter Flávio Bolsonaro ao seu lado pode ajudar a consolidar sua identidade junto ao eleitorado de direita. Mas o Paraná não elegerá um presidente da República em outubro. Elegerá um governador.

Isso obriga Moro a responder uma pergunta que será cada vez mais importante: por que Sergio Moro é o melhor nome para governar o Paraná?

Não basta ser o candidato identificado com o bolsonarismo. É necessário apresentar um projeto para saúde, educação, infraestrutura, segurança, agricultura, desenvolvimento regional, transporte e equilíbrio fiscal.

E essa é justamente a oportunidade que Sandro Alex pretende explorar.

Enquanto Moro se apresenta como uma alternativa de mudança e conta com o apoio de Flávio Bolsonaro, Sandro Alex pode apresentar uma identidade diferente: a continuidade de um governo que já administra o Estado e tem Ratinho Junior como seu principal cabo eleitoral.

A diferença entre os dois campos começa a ficar bastante nítida.

De um lado, Moro e Flávio.

De outro, Sandro Alex e Ratinho Junior.

No meio desse confronto está um eleitor que não necessariamente votará em bloco.

A eleição paranaense não será uma simples repetição da presidencial

Esse talvez seja o ponto mais importante.

Não se pode simplesmente pegar uma pesquisa presidencial e transportá-la para o Paraná. O comportamento eleitoral muda de acordo com o cargo, os candidatos, as alianças, a avaliação do governo estadual e até o conhecimento que o eleitor tem de cada concorrente.

O Paraná possui dinâmica política própria.

Ratinho Junior tem uma aprovação e uma estrutura política que não podem ser ignoradas. Sua capacidade de transferência de apoio para Sandro Alex será um dos principais testes desta eleição. Ao mesmo tempo, Moro possui uma marca nacional muito conhecida e uma identificação forte com parte do eleitorado conservador.

A disputa, portanto, não será apenas entre candidatos.

Será também uma disputa entre duas forças políticas e duas narrativas.

Moro tentará transformar sua ligação com Flávio Bolsonaro em força eleitoral no Estado. Sandro Alex tentará fazer da aprovação e do legado de Ratinho Junior uma ponte para sua candidatura.

E há ainda Requião Filho, que representa outro campo político e pode capturar o eleitor que rejeita tanto a continuidade de Ratinho quanto a identificação de Moro com o bolsonarismo.

O resultado nacional pode mexer com o estadual

A pesquisa CNT mostra Lula na frente de Flávio no primeiro turno e também no segundo, embora a vantagem no segundo turno tenha diminuído de 12 para 9 pontos.

Isso não significa que Moro esteja condenado a perder no Paraná — longe disso.

Mas significa que a estratégia de vincular Moro a Flávio Bolsonaro terá de ser acompanhada com muita atenção.

Se Flávio crescer nacionalmente, Moro poderá tentar capitalizar esse movimento. Se Lula mantiver vantagem expressiva, os adversários poderão explorar a associação de Moro com o candidato presidencial do PL como forma de ampliar a polarização estadual.

É uma faca de dois gumes.

E quanto mais a eleição presidencial se tornar polarizada, maior será a possibilidade de seus efeitos contaminarem a disputa pelo Palácio Iguaçu.

Por isso, a pesquisa CNT merece ser observada também sob a ótica paranaense.

Moro tem um padrinho político nacional muito conhecido. Sandro Alex tem um padrinho político estadual com forte presença no Paraná. Flávio Bolsonaro tenta levar a força do bolsonarismo para Moro; Ratinho Junior tenta transformar a avaliação de seu governo em votos para Sandro.

No fim, o eleitor paranaense terá de decidir se quer fazer da eleição estadual uma extensão da disputa nacional ou se prefere escolher o governador a partir dos problemas, resultados e perspectivas do próprio Paraná.

E essa talvez seja uma das maiores incógnitas da campanha.

Porque, enquanto Brasília disputa Lula contra Flávio, o Paraná começa a desenhar uma disputa própria: Moro contra Sandro Alex, com Flávio Bolsonaro e Ratinho Junior ocupando, cada um de um lado, posições estratégicas nesse tabuleiro.

A pesquisa presidencial pode não decidir a eleição paranaense.

Mas, a partir de agora, certamente será mais uma peça no jogo.