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Mais uma pesquisa que aponta o crescimento de Sandro Alex e Rafael Greca e a menor rejeição entre os candidatos

Os trabalhos de campo são próximos, embora não simultâneos: o novo levantamento do Paraná Pesquisas foi feito de 25 a 27 de...

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Redação28/09/2026
Mais uma pesquisa que aponta o crescimento de Sandro Alex e Rafael Greca e a menor rejeição entre os candidatos

Novo levantamento coloca Moro com 46,2%, Requião Filho com 23,6% e Sandro Alex com 21,5%. O problema é que outras pesquisas recentes contam histórias muito diferentes

A reta final da eleição para o Governo do Paraná ganhou nesta segunda-feira mais uma pesquisa. E, em vez de diminuir as dúvidas, o novo levantamento acrescenta mais uma peça a um quebra-cabeça que já estava difícil de montar.

O Paraná Pesquisas coloca Sergio Moro com 46,2% das intenções de voto, seguido por Requião Filho, com 23,6%, e Sandro Alex, com 21,5%.

A pesquisa foi realizada entre 25 e 27 de setembro, ouviu 1.280 eleitores em 60 municípios, por meio de entrevistas pessoais e domiciliares, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número PR-02701/2026.

Até aí, mais uma pesquisa.

O problema começa quando se coloca esse resultado ao lado dos demais levantamentos divulgados nos últimos dias.

E aí aparece uma eleição com fotografias muito diferentes.

Moro tem 46%, 36% ou 35%?

Essa é a primeira pergunta que o eleitor pode fazer.

Na pesquisa Paraná Pesquisas, Moro aparece com 46,2%.

Na Quaest, divulgada poucos dias antes, tinha 36%.

No Índice Inteligência, 35%.

Não estamos falando de diferenças de dois ou três pontos. Entre o Paraná Pesquisas e a Quaest são mais de dez pontos percentuais. Entre Paraná Pesquisas e Índice Inteligência, a diferença ultrapassa 11 pontos.

Os trabalhos de campo são próximos, embora não simultâneos: o novo levantamento do Paraná Pesquisas foi feito de 25 a 27 de setembro; a Quaest, de 20 a 23; e o Índice Inteligência, de 19 a 21.

Isso não significa que uma pesquisa esteja necessariamente errada.

Mas significa que o eleitor precisa entender por que institutos que pesquisam o mesmo eleitorado, em períodos tão próximos, encontram resultados tão diferentes.

Metodologia não pode ser uma informação escondida no fim da reportagem.

Neste momento da campanha, ela deveria estar no centro da discussão.

Sandro Alex: o número mais interessante da pesquisa

Se existe um dado que merece atenção especial neste levantamento, é a trajetória de Sandro Alex dentro da própria série do Paraná Pesquisas.

Ele tinha 16,5%, passou para 17,5%, depois 19,7% e agora chega a 21,5%.

É uma evolução de cinco pontos em quatro levantamentos.

Moro, no mesmo período, praticamente permaneceu no mesmo patamar: 46,1%, 45%, 44,7% e agora 46,2%.

Requião Filho também apresenta relativa estabilidade: 23,4%, 24%, 23% e 23,6%.

Aqui está uma diferença importante entre simplesmente olhar para uma pesquisa e analisar uma eleição.

O número do momento é importante. A curva também é.

Sandro não aparece na liderança.

Mas aparece em trajetória de crescimento dentro da série do instituto.

E Moro, embora continue muito à frente nesse levantamento, apresenta estabilidade.

São informações diferentes — e ambas precisam ser consideradas.

Mas então Sandro está com 21,5% ou 32%?

Eis a dúvida que o eleitorado paranaense tem o direito de colocar.

Na nova Paraná Pesquisas, Sandro aparece com 21,5%.

Na Quaest, 20%.

No Índice Inteligência, 32%.

No Real Time Big Data, divulgado em 21 de setembro, 27%.

  • São números muito diferentes.

E não é correto simplesmente somá-los, fazer uma média improvisada e dizer que esse seria o “verdadeiro” percentual de Sandro.

Cada instituto trabalha com uma amostra, uma metodologia, um período de coleta e um questionário próprios.

Mas também não é razoável fingir que essas diferenças não existem.

Elas existem. E são grandes.

Por isso, a pergunta jornalística mais importante neste momento não deveria ser apenas “quem está na frente?”.

Deveria ser:

Por que as pesquisas estão enxergando eleitorados tão diferentes?

A espontânea conta outra história

Há outro dado do levantamento que merece muito mais atenção do que costuma receber nas manchetes: a pesquisa espontânea.

Quando os nomes dos candidatos não são apresentados previamente, Moro aparece com 33,4%, Requião Filho com 14,2% e Sandro Alex com 13%.

Mas o dado mais importante talvez esteja em outra linha:

34,3% não souberam ou não quiseram opinar.

Ou seja, mais de um terço do eleitorado não apresentou espontaneamente um nome.

Na estimulada, quando o eleitor recebe a lista de candidatos, Moro chega a 46,2%.

É uma diferença de quase 13 pontos.

Isso não significa que a pesquisa estimulada seja inválida. Ela responde a uma pergunta diferente: diante dos nomes apresentados, em quem o eleitor declara que votaria?

Já a espontânea mostra quais nomes estão efetivamente presentes na lembrança do eleitor quando ninguém os apresenta.

São duas informações importantes.

O problema é quando uma vira manchete e a outra vira rodapé.

Pesquisa não é torcida — e também não deveria virar propaganda

É preciso dizer isso com clareza.

Pesquisa eleitoral é instrumento legítimo de informação.

Mas a maneira como ela é divulgada pode produzir um efeito político.

Quando a manchete diz que determinado candidato “dispara”, “abre vantagem” ou “caminha para vencer”, o leitor pode interpretar a pesquisa como uma espécie de prévia da eleição.

Não é.

Pesquisa registra um momento.

E, principalmente, pesquisas diferentes podem registrar momentos diferentes porque utilizam metodologias diferentes.

Por isso, veículos de comunicação e jornalistas que cobrem política precisam ter cuidado para não transformar um levantamento em uma espécie de placar eleitoral.

A função do jornalismo deveria ser ajudar o eleitor a compreender os números — e não simplesmente reproduzir a narrativa que o número mais chamativo permite construir.

O que realmente mudou?

Essa talvez seja a pergunta mais importante.

No caso de Sandro Alex, há um movimento que merece ser observado.

Dentro da série do Paraná Pesquisas, ele saiu de 16,5% e chegou a 21,5%.

Na Quaest, passou de 15% para 20%.

No Índice Inteligência, chegou a 32%, embora esse percentual esteja muito acima dos 20% encontrados pela Quaest e dos 21,5% registrados agora pelo Paraná Pesquisas.

Portanto, há evidência de crescimento de Sandro dentro de diferentes séries, embora o tamanho desse crescimento varie conforme o instituto.

Esse é um dado mais sólido do que simplesmente comparar 32% de um instituto com 20% de outro.

Da mesma maneira, não se pode afirmar que Moro esteja “despencando” apenas porque apareceu com 35% ou 36% em determinados levantamentos.

No Paraná Pesquisas, ele está em 46,2%.

Na série desse instituto, os números mostram estabilidade.

É preciso olhar a curva de cada pesquisa.

A eleição não é uma fotografia

Esse talvez seja o maior erro da cobertura eleitoral.

A eleição está sendo tratada como se fosse uma fotografia congelada.

Não é.

É um filme.

O que importa não é apenas onde cada candidatura está hoje.

Importa também de onde veio, quanto cresceu, quanto perdeu, qual é sua rejeição, quanto é conhecida e, principalmente, quantos eleitores ainda podem mudar de opinião.

Na nova Paraná Pesquisas, 34,3% não apresentaram espontaneamente um candidato.

Isso não significa que todos estejam indecisos ou que todos mudarão de voto.

Mas mostra que existe um contingente expressivo do eleitorado que não apresenta espontaneamente uma escolha.

E isso é relevante na reta final.

A percepção de vitória também é uma variável

O levantamento ainda perguntou aos eleitores quem eles acreditam que vencerá a eleição.

52,7% apontaram Moro, contra 17,7% que citaram Sandro Alex e 15,1% que apontaram Requião Filho.

Esse número não é intenção de voto.

É percepção de quem deverá vencer.

E justamente por isso precisa ser tratado separadamente.

Há uma diferença entre querer votar em alguém e acreditar que alguém vencerá.

Confundir as duas coisas seria outro erro de interpretação.

E a rejeição?

Também aqui o levantamento traz informações importantes.

Requião Filho aparece com 39% de rejeição, Moro com 27,3% e Sandro Alex com 12,9%.

Como era permitida mais de uma resposta, os percentuais não podem ser somados para formar 100%.

O dado mostra uma diferença relevante entre os candidatos, mas rejeição também não é intenção de voto.

É outro indicador.

E é justamente a combinação de todos esses indicadores que deveria formar a análise jornalística.

Mais uma pesquisa. Mais uma fotografia. Mais dúvidas.

A nova Paraná Pesquisas não resolve a divergência entre os institutos.

Ela acrescenta mais um elemento.

E talvez seja exatamente isso que o eleitor precise entender.

Hoje, temos levantamentos que apresentam Moro com números bastante diferentes, enquanto Sandro aparece em patamares que vão de aproximadamente 20% a 32%.

Isso não permite escolher arbitrariamente o número que mais agrada a determinado grupo político.

Também não permite declarar que uma candidatura está “morta” ou “disparada” com base em uma única pesquisa.

O caminho mais responsável é olhar as séries históricas, as metodologias, as datas de coleta, a espontânea, a estimulada, a rejeição e o grau de conhecimento dos candidatos.

Porque pesquisa é fotografia.

Mas uma eleição é movimento.

E, na reta final, talvez a pergunta mais importante não seja quem aparece na frente nesta fotografia, mas quem está subindo, quem está descendo e quantos eleitores ainda não decidiram definitivamente o que fazer diante da urna.

O eleitor paranaense merece essa análise.

Merece números, mas merece, principalmente, contexto.