A nova pesquisa RealTime Big Data, divulgada nesta terça-feira (18), coloca Sergio Moro na liderança da corrida pelo Governo do Paraná, com 37% das intenções de voto no cenário estimulado. Sandro Alex aparece com 22% e Requião Filho com 20%, configurando empate técnico pelo segundo lugar, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
Mas, por trás da liderança de Moro, existe um dado que merece muito mais atenção: na pesquisa espontânea, 53% dos entrevistados não souberam indicar em quem pretendem votar.
É praticamente um em cada dois paranaenses.
E esse número muda bastante a leitura da fotografia eleitoral.
A espontânea revela uma eleição ainda em formação
Quando os nomes dos candidatos são apresentados, Moro chega aos 37%. Sem a lista, porém, seu índice cai para 15%.
Sandro Alex passa de 22% no cenário estimulado para 8% na espontânea. Requião Filho vai de 20% para 6%.
Também aparece uma peculiaridade: Ratinho Junior é lembrado espontaneamente por 5%, embora não seja candidato ao governo. Branco ou nulo somam 10%, outros nomes chegam a 3% e 53% não sabem.
A diferença entre os dois cenários é reveladora.
Ela mostra que uma parte importante do eleitorado ainda está em processo de identificação das candidaturas. E isso é absolutamente compreensível quando se considera que a campanha oficial acabou de começar.
O eleitor que acompanha política diariamente já conhece Moro, Sandro e Requião. Mas existe uma parcela muito maior da população que ainda não incorporou essas candidaturas ao seu repertório eleitoral.
É justamente esse eleitor que será disputado nas próximas semanas.
O número que pode mudar a eleição
Os 53% da espontânea talvez sejam o dado mais importante do levantamento.
Não significa, tecnicamente, que todos esses eleitores estejam indecisos. A pergunta espontânea mede a capacidade de o entrevistado indicar um nome sem receber uma lista de candidatos.
Mas o resultado demonstra algo incontestável: a preferência ainda não está consolidada para a maioria dos entrevistados.
E a campanha eleitoral começa justamente agora.
Televisão, rádio, debates, sabatinas, entrevistas, redes sociais, caminhadas, carreatas e encontros com eleitores vão aumentar exponencialmente a exposição dos candidatos.
É nesse ambiente que os nomes que hoje são pouco lembrados espontaneamente poderão ganhar espaço.
A pesquisa foi realizada entre 13 e 17 de agosto, praticamente coincidindo com a entrada oficial da campanha, e ouviu 1.600 eleitores.
Portanto, é uma fotografia de um momento em que a campanha ainda estava começando.
Moro lidera, mas também carrega a maior rejeição depois de Requião
Outro número que merece atenção é a rejeição.
Requião Filho aparece com 41% de rejeição, Sergio Moro com 38% e Sandro Alex com 29%.
Isso significa que Moro lidera a intenção de voto, mas também possui uma rejeição bastante elevada.
E aqui está uma das contradições da eleição: liderar não significa necessariamente ter uma posição confortável.
Moro tem 37% no cenário estimulado, mas 38% dizem que não votariam nele de jeito nenhum, segundo o levantamento.
É um eleitorado fortemente polarizado em torno de sua candidatura.
Isso pode ser uma vantagem em uma eleição de dois turnos, porque ele possui um núcleo expressivo de apoio. Mas também pode representar uma barreira para ampliar sua votação.
A questão será saber se Moro conseguirá conquistar os eleitores que hoje não estão com ele sem aumentar ainda mais sua rejeição.
Sandro Alex tem um espaço importante para crescer
Para Sandro Alex, os números apresentam uma situação particularmente interessante.
Ele aparece com 22% no primeiro turno, contra 20% de Requião Filho. Está, portanto, numericamente à frente do adversário e dentro do empate técnico pela segunda colocação.
Mas sua espontânea é de apenas 8%.
Isso significa que há uma diferença de 14 pontos percentuais entre sua intenção de voto estimulada e sua lembrança espontânea.
Esse é um espaço que a campanha terá de trabalhar.
A candidatura de Sandro chega ao horário eleitoral com uma vantagem importante: tempo de televisão e rádio significativamente maior que o de seus principais adversários, além da associação direta com o governo Ratinho Junior e da presença de Rafael Greca como candidato a vice.
A questão agora será transformar exposição em reconhecimento — e reconhecimento em voto.
O segundo turno também traz uma informação importante
Nos cenários de segundo turno, Moro mantém vantagem.
Contra Requião Filho, aparece com 55% a 27%.
Contra Sandro Alex, Moro registra 45% contra 30%.
Mas há um terceiro cenário que chama atenção: sem Moro, a disputa entre Sandro Alex e Requião Filho aparece em 33% a 30%, respectivamente, com 19% de não sabe/não respondeu e 18% de branco/nulo.
Esse resultado demonstra que, retirado o líder, a eleição fica extremamente aberta.
E também reforça a importância de não interpretar a pesquisa como uma previsão do resultado final.
A campanha ainda precisa produzir seus efeitos.
A aprovação de Ratinho Junior é outro elemento do tabuleiro
Há ainda um número que merece ser colocado ao lado dos resultados eleitorais: 80% dos entrevistados aprovam a gestão de Ratinho Junior, enquanto 18% desaprovam.
Politicamente, esse é um dado relevante para Sandro Alex.
O candidato do PSD não disputa apenas apresentando seu próprio nome. Ele também pretende vender a ideia de continuidade de um governo que possui elevado nível de aprovação.
A estratégia será transformar a aprovação de Ratinho Junior em intenção de voto para seu sucessor.
Mas existe uma diferença entre aprovar um governo e votar em seu candidato.
Essa transferência não é automática.
Sandro terá de convencer o eleitor de que é capaz de manter os acertos da atual administração e, ao mesmo tempo, apresentar seu próprio projeto para os próximos quatro anos.
O verdadeiro começo da eleição
A melhor leitura dessa pesquisa é justamente esta: Moro lidera, mas a eleição ainda não pertence a ninguém.
A liderança é real.
Os 37% no cenário estimulado colocam Moro em uma posição confortável neste momento. Ele também lidera os cenários de segundo turno testados.
Mas os 53% de eleitores que não indicam espontaneamente nenhum candidato revelam um campo eleitoral gigantesco ainda em disputa.
E esse campo será alcançado agora de maneira muito mais intensa.
O eleitor verá os candidatos na televisão. Ouvirá suas propostas no rádio. Assistirá aos debates. Acompanhará sabatinas. Verá entrevistas. Receberá propaganda nas redes sociais.
E começará a comparar não apenas os nomes, mas as propostas, as alianças, as biografias e a capacidade de cada um para governar o Paraná.
É aí que a fotografia atual poderá começar a mudar.
A pergunta que fica
Sergio Moro começa essa nova fase na frente.
Sandro Alex e Requião Filho disputam palmo a palmo o segundo lugar.
Mas 53% dos eleitores ainda não conseguem apontar espontaneamente nenhum candidato.
Esse é o número que deveria estar no centro da análise.
Porque a eleição não será decidida apenas pelos votos que os candidatos já têm.
Será decidida, principalmente, por quem conseguir conquistar os votos que ainda não têm.
E, com a campanha oficialmente nas ruas, começa agora a verdadeira batalha pelo eleitor paranaense.
