NARRATIVA.política, poder e versão

Moro quer briga! O PL tenta impedir Sandro Alex de aparecer ao lado de Ratinho Junior, o que revela medo político.

O que realmente incomoda a oposição é a força política da associação entre Ratinho Junior e Sandro Alex

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Redação21/05/2026
Moro quer briga! O PL tenta impedir Sandro Alex de aparecer ao lado de Ratinho Junior, o que revela medo político.

A ação apresentada pelo PL de Sergio Moro e pelo Novo no TRE do Paraná diz mais sobre o cenário eleitoral do que sobre a própria legislação eleitoral. No fundo, o que está em discussão não é apenas propaganda institucional, atos de governo ou presença em eventos oficiais. O que realmente incomoda a oposição é a força política da associação entre Ratinho Junior e Sandro Alex, que cresce a cada pesquisa e tende a crescer mais nos próximos dias.

A ação tenta criminalizar a sucessão política natural. Historicamente, governadores sempre constroem sucessores. Isso acontece no Paraná, em São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e praticamente em todos os estados. É absolutamente natural que um governador apresente ao eleitor o grupo político que pretende manter no poder, principalmente, quando o governante que está para sair, tem aprovação elevada, obras espalhadas pelo estado e capital político acumulado.

O problema para o PL parece ser justamente esse: Ratinho Junior possui hoje uma das maiores aprovações do Brasil e Sandro Alex aparece cada vez mais ligado a infraestrutura, entregas, obras e interiorização do governo

A fragilidade jurídica da tese. A Justiça Eleitoral negou o pedido do PL e do Novo e isso produz um efeito político importante. O TRE sinaliza que a presença institucional, por si só, não configura automaticamente irregularidade eleitoral. Aliás, se fosse assim, prefeitos não poderiam aparecer com secretários, governadores não poderiam apresentar aliados e praticamente toda sucessão política seria proibida.

Sandro cresce com Ratinho. Talvez esse seja o verdadeiro ponto central, o maior problema do PL. Durante muito tempo, a oposição apostou que Sergio Moro venceria apenas pela notoriedade. Mas os bastidores mostram uma crescente preocupação com a transferência de capital político de Ratinho Junior, o peso do interior, a máquina municipalista e o avanço gradual e consistente de Sandro Alex.

A ação judicial revela exatamente essa dificuldade de enfrentar politicamente a exposição conjunta entre governador e sucessor. O tapetão, dessa vez, não funcionou e expôs o medo e a vontade de brigar.

A contradição do PL é o aspecto mais curioso da situação. O próprio bolsonarismo sempre utilizou intensamente imagem política, atos públicos, motociatas, eventos oficiais e associação direta entre líderes e candidatos. Agora, no Paraná, o PL parece defender que o governador não possa sequer aparecer ao lado do pré-candidato apoiado por ele. Politicamente, isso soa menos como defesa da legalidade e mais como tentativa de limitar artificialmente a força do adversário. Uma espécie de censura.

O isolamento político do PL no Paraná é um detalhe importante: o PL rompeu com o governo Ratinho Junior após a entrada de Sergio Moro no partido e desde então perdeu espaço institucional, deixou a base aliada, endureceu discurso e passou a atuar como oposição permanente. O problema é que boa parte dos prefeitos e lideranças regionais continua próxima do governador.

Ou seja, o PL tenta judicializar aquilo que não conseguiu neutralizar politicamente e, mais do que isso, inaugura a briga que se desenha pela frente.

Moro quer briga sim. Acabou aquela fala mansa de elogiar o governador e tentar até tirar proveito de obras entregues. Agora é briga.

Um líder político em atividade plena. A irritação da oposição também decorre de outro fator: Ratinho Junior não age como governador em fim de mandato. Pelo contrário. Ele intensificou viagens, acelerou entregas, ampliou presença no interior, atua para fortalecer cada vez mais o PSD e passou a apresentar Sandro Alex em praticamente todos os encontros políticos.

Isso cria percepção de continuidade. E continuidade eleitoral assusta adversários. Nisso, qual é o erro, o crime de Ratinho Junior? Nenhum! Como dito, qualquer governante bem avaliado tem o direito e deve lutar para eleger o sucessor.

A oposição (Moro) é contra as obras? Existe ainda um efeito colateral perigoso para o PL. Quando tenta impedir divulgação de entregas, presença em inaugurações ou associação política com obras, a oposição corre o risco de transmitir ao eleitor o desconforto com o próprio sucesso administrativo do governo. E isso é delicado. Porque o eleitor do interior normalmente valoriza estrada pronta, investimento liberado, hospital entregue, escola inaugurada e presença física do governo.

E aí? A ação do PL no TRE revela muito mais sobre o momento eleitoral do Paraná do que sobre direito eleitoral. Ela mostra preocupação crescente com o avanço político de Sandro Alex, reconhecimento da força de Ratinho Junior, e dificuldade da oposição em conter a associação entre governo aprovado e sucessão estadual.

Fato. Quando a oposição tenta impedir que um governador apareça ao lado do próprio sucessor político, está admitindo uma coisa: a imagem conjunta funciona. O PL saiu da base do governo, perdeu espaço, mudou o discurso e agora tenta no TRE limitar aquilo que Ratinho Junior construiu politicamente no interior: presença, aprovação, obras e continuidade. Porque, no fundo, o problema para o PL e Sergio Moro, não é Sandro Alex aparecer ao lado de Ratinho. O problema é o eleitor gostar da imagem. Moro quer briga sim.