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Moro tenta baixar o tom com Ratinho, mas disputa eleitoral expõe contradições

A decisão do TRE-PR concedeu direito de resposta a Ratinho Junior e determinou que Moro não repita a afirmação...

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Redação15/09/2026
Moro tenta baixar o tom com Ratinho, mas disputa eleitoral expõe contradições

O candidato do PL ao Governo do Paraná, Sergio Moro, adotou um discurso de contenção ao falar sobre os atritos com o governador Ratinho Junior (PSD). Em entrevista à RPC, Moro afirmou que não é adversário do governador e negou estar tentando se beneficiar da elevada popularidade de Ratinho — justamente no momento em que a Justiça Eleitoral proibiu o candidato de utilizar em sua propaganda a afirmação de que mantém uma aliança política com o governador desde 2018.

A decisão do TRE-PR concedeu direito de resposta a Ratinho Junior e determinou que Moro não repita a afirmação. O episódio revela uma situação politicamente delicada: Moro tenta preservar uma imagem de proximidade com um governo bem avaliado, enquanto Ratinho já escolheu Sandro Alex (PSD) como seu candidato à sucessão. 

Moro, porém, insiste na narrativa de que a relação institucional existiu. Ele cita projetos desenvolvidos durante o período em que ocupou o Ministério da Justiça, como o programa Em Frente Brasil, em São José dos Pinhais, e o Centro Integrado de Operações de Fronteiras, em Foz do Iguaçu. Também lembra que, em 2022, foi eleito senador pela coligação de Ratinho.

A equação política de Moro

O movimento de Moro é claro: evitar transformar Ratinho Junior em adversário direto, mesmo estando no campo oposto na sucessão estadual.

Isso porque o governador mantém elevada aprovação e seu grupo político está organizado em torno de Sandro Alex. A estratégia de Moro, portanto, parece ser a de separar a imagem de Ratinho da disputa eleitoral, preservando os elogios à gestão quando isso for conveniente e, ao mesmo tempo, apresentando-se como alternativa para o governo estadual.

A dificuldade está justamente na coerência dessa estratégia. Se Moro afirma que não é adversário de Ratinho, mas disputa o governo contra o candidato apoiado pelo governador, a campanha entra numa zona de ambiguidade que tende a ser explorada pelos adversários.

Valdemar e Flávio: outra frente de explicações

Na mesma entrevista, Moro também foi questionado sobre sua relação com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e sobre o apoio a Flávio Bolsonaro.

Sobre Valdemar, Moro adotou uma postura pragmática. Reconheceu a condenação do dirigente no Mensalão, mas afirmou que ele cumpriu a pena e disse não ter conhecimento de novos envolvimentos em irregularidades. A justificativa política foi direta: “ele não vai governar o Paraná. Quem vai governar o Paraná sou eu”.

A fala mostra que Moro pretende separar sua candidatura das controvérsias envolvendo dirigentes nacionais do partido. A mesma lógica foi utilizada ao defender Flávio Bolsonaro: segundo o candidato, se surgirem novos fatos, o presidenciável deverá explicá-los, mas não há compromisso com eventuais erros.

Moro também tenta virar a página dos debates

Outro ponto relevante foi a confirmação de que Moro pretende participar do debate da RPC marcado para 29 de setembro. O candidato havia desistido de dois debates anteriores, da Band e da TMC Paraná, apesar de ter confirmado presença inicialmente. Agora afirma que não tem problema com “debate qualificado” e que os encontros anteriores ocorreram, em sua avaliação, em momento prematuro.

A mudança de postura é importante. Com a campanha avançando, a ausência em debates deixa de ser apenas uma escolha estratégica e pode começar a ser explorada pelos adversários como tentativa de evitar confrontos.

A disputa entra em uma nova fase

O episódio mostra que a eleição paranaense começa a exigir dos candidatos algo além de números nas pesquisas: coerência política.

Moro tenta manter pontes com Ratinho Junior, defender a direção nacional do PL, sustentar o apoio a Flávio Bolsonaro e, simultaneamente, apresentar-se como candidato capaz de promover mudanças no Estado.

O problema é que a eleição é uma disputa de escolhas. E, quando o eleitor precisar decidir entre Moro e Sandro Alex, será cada vez mais difícil sustentar a ideia de que não existe uma disputa entre os dois grupos.

No Paraná, a campanha começa a deixar de ser apenas uma disputa de nomes e passa a ser também uma disputa sobre alianças, legado e coerência.