A nova pesquisa do Paraná Pesquisas, desta segunda-feira (17) traz um dado que talvez seja mais importante do que a liderança de qualquer candidato: 59,5% dos eleitores não souberam ou não quiseram apontar espontaneamente em quem pretendem votar para governador do Paraná.
É uma fotografia especialmente relevante porque o levantamento foi realizado entre 13 e 16 de agosto, justamente na passagem para o período oficial de campanha eleitoral. Foram ouvidos 1.520 eleitores, com margem de erro de 2,6 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pelo Partido Liberal e registrada no TSE sob o número PR-09048/2026.
Ou seja: a campanha começou oficialmente, mas a maioria do eleitorado ainda não tem um nome espontaneamente escolhido para o Governo do Paraná.
E isso muda a leitura da eleição.
A espontânea é o retrato de um eleitor que ainda está formando sua escolha
Quando os nomes dos candidatos são apresentados, o eleitor pode simplesmente reconhecer aquele em quem pretende votar.
Na pesquisa espontânea, não. Ninguém recebe uma lista. O entrevistado precisa lembrar, por conta própria, quem está disputando a eleição.
E os números mostram uma concentração muito baixa:
- Sergio Moro — 19,9%
- Requião Filho — 7,5%
- Sandro Alex — 5,1%
- Ratinho Junior — 2,2%
- Luiz França — 0,3%
- Outros nomes — 0,7%
- Ninguém/Branco/Nulo — 4,9%
- Não sabe/Não opinou — 59,5%.
Moro é o candidato mais lembrado espontaneamente, mas nem sequer chega a um quinto do eleitorado.
Requião Filho aparece com 7,5% e Sandro Alex com 5,1%.
O dado realmente expressivo, portanto, não está na diferença entre os candidatos.
Está nos 59,5% que ainda não apontaram espontaneamente nenhum deles.
Mais da metade ainda precisa ser convencida
É importante fazer uma ressalva: dizer que 59,5% "não decidiram" é uma simplificação.
A pesquisa espontânea mede quem o eleitor consegue citar sem que os nomes sejam apresentados. Isso é diferente de afirmar que todos esses eleitores estejam necessariamente indecisos ou que não tenham preferência.
Mas o número revela algo bastante claro: a escolha ainda não está consolidada espontaneamente para a maioria dos entrevistados.
E é justamente aqui que começa a importância da campanha eleitoral. A partir de agora, os candidatos terão muito mais ferramentas para disputar esse eleitor: Televisão, rádio, debates, sabatinas, entrevistas, redes sociais, comícios, carreatas, material de campanha e, sobretudo, pedido explícito de voto.
O levantamento, portanto, pode ser visto como uma espécie de ponto de partida para uma nova fase da eleição.
A televisão pode mudar o grau de conhecimento dos candidatos
A partir de 28 de agosto, começa a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Isso representa uma mudança significativa na exposição dos candidatos.
Até aqui, quem acompanha a eleição diariamente já conhece Moro, Requião, Sandro e os demais nomes.
Mas existe uma parcela enorme da população que não acompanha política dessa maneira.
Para esse eleitor, o horário eleitoral poderá ser o primeiro contato sistemático com os candidatos e suas propostas.
E aí estará uma das grandes disputas da eleição: transformar desconhecimento em conhecimento e conhecimento em preferência.
Sandro Alex, por exemplo, aparece com apenas 5,1% na espontânea, mas a própria trajetória recente das pesquisas mostra que seu desempenho muda significativamente quando seu nome é apresentado ao eleitor. Isso indica que a exposição da campanha poderá ser particularmente importante para candidatos que ainda não conseguiram transformar sua presença política em lembrança espontânea.
A diferença entre espontânea e estimulada é reveladora
No cenário estimulado apresentado pelo Paraná Pesquisas, o quadro é bastante diferente:
Sergio Moro aparece com 46,1%, Requião Filho com 26,5% e Sandro Alex com 16,4%.
A distância entre o cenário espontâneo e o estimulado mostra justamente a importância de apresentar os nomes ao eleitor.
Moro passa de 19,9% para 46,1%.
Requião Filho vai de 7,5% para 26,5%.
Sandro Alex sobe de 5,1% para 16,4%.
Isso significa que há uma diferença expressiva entre lembrar espontaneamente de um candidato e declarar intenção de voto quando os nomes são apresentados.
Por isso, seria precipitado tratar a pesquisa como uma fotografia definitiva da eleição.
Ela é uma fotografia do momento — e é preciso entender que pesquisas de intenção de voto não são previsão do resultado das urnas.
O cenário começa a ficar mais interessante justamente agora
Existe ainda um aspecto temporal que merece atenção.
A pesquisa foi realizada de 13 a 16 de agosto. A campanha eleitoral começou oficialmente em 16 de agosto.
Portanto, praticamente todo o levantamento foi realizado antes ou exatamente no início da nova fase da campanha.
O eleitor ainda não havia sido submetido ao volume de comunicação que virá nas próximas semanas.
Isso inclui os programas eleitorais, as inserções comerciais, os debates e a sequência de sabatinas e entrevistas que já começa a ser organizada pelas emissoras e veículos de comunicação.
É razoável imaginar que esse ambiente aumentará o conhecimento sobre as candidaturas.
O que não é possível afirmar é para quem esses eleitores irão migrar. E essa é justamente a grande incógnita.
Sandro, Requião e Moro terão desafios diferentes
Para Sergio Moro, que lidera tanto a espontânea quanto a estimulada, o desafio é transformar a vantagem inicial em uma preferência consolidada.
Requião Filho aparece em segundo no cenário estimulado e precisa preservar essa posição diante da entrada efetiva da campanha.
Sandro Alex, por sua vez, tem um desafio particular: converter exposição em lembrança espontânea.
Se conseguir ampliar significativamente seu índice de 5,1%, poderá demonstrar que sua candidatura deixou de depender apenas da apresentação de seu nome na pesquisa.
Mas o mesmo raciocínio vale para todos. A campanha ainda terá tempo suficiente para produzir mudanças.
E há outro número que merece atenção
A pesquisa também mediu a rejeição.
Requião Filho aparece com 36,3%, Sergio Moro com 23,8% e Sandro Alex com 11,1%.
Esse dado ajuda a explicar por que uma eleição com alto nível de indefinição pode mudar rapidamente. Não basta conquistar votos.
É preciso também encontrar espaço entre eleitores que rejeitam determinados candidatos.
Nesse sentido, os 59,5% da espontânea e os índices de rejeição formam duas peças importantes do mesmo quebra-cabeça.
A eleição começa com mais perguntas do que respostas
A grande conclusão dessa pesquisa não deveria ser simplesmente "Moro lidera". Sim, Moro lidera o cenário estimulado, com 46,1%.
Mas a pesquisa também mostra que 59,5% dos entrevistados não apontam espontaneamente nenhum nome. E essa é uma diferença enorme.
Significa que a campanha que começou oficialmente agora terá um papel importante na formação da decisão eleitoral.
O eleitor será exposto aos candidatos de maneira muito mais intensa. Terá oportunidade de comparar discursos, propostas, biografias, alianças e capacidade de responder aos questionamentos.
Os debates poderão produzir fatos novos. As sabatinas poderão revelar diferenças. A propaganda eleitoral apresentará versões cuidadosamente produzidas de cada candidatura. E as redes sociais tentarão ocupar o espaço que a televisão não alcançar.
No fim, a pergunta central será simples:
quem conseguirá transformar os 59,5% de eleitores que hoje não citam espontaneamente um candidato em votos efetivos?
É aí que a eleição começa a ficar realmente interessante. Porque a pesquisa divulgada nesta segunda-feira mostra uma liderança, mas também revela algo talvez ainda mais importante:
o Paraná ainda tem uma maioria do eleitorado por conquistar.
E, com a campanha oficialmente nas ruas, começa justamente a disputa por esse eleitor.
