Durante muito tempo, o turismo no Paraná foi tratado quase como atividade complementar, algo secundário. Enquanto outros estados transformavam identidade regional em indústria econômica, o Paraná parecia subutilizar parte enorme do seu potencial: natureza, gastronomia, cultura, interiorização e diversidade regional. Os movimentos recentes do setor mostram que isso começou a mudar. E o encontro promovido pelo Viaje Paraná em Campo Largo é um retrato claro dessa nova lógica.
O turismo deixou de ser tratado como “evento”. Esse é o principal avanço. O governo começou a trabalhar o turismo como cadeia econômica, integração regional, geração de renda, fortalecimento local e desenvolvimento permanente. O evento em Campo Largo reuniu empresários, gestores, lideranças e profissionais do setor justamente para discutir: governança, sustentabilidade, integração regional e turismo inteligente. Isso revela uma mudança importante de mentalidade.
Nos últimos anos o Paraná começou a olhar para si mesmo. Talvez o estado tenha demorado para perceber a própria força turística. Poucos lugares conseguem reunir simultaneamente: litoral, cânions, vinhos, turismo rural, tropeirismo, gastronomia, parques naturais, imigração europeia e turismo religioso. A pequena Campo Largo simboliza bem isso: enoturismo, turismo rural, tradição cultural, natureza e proximidade com Curitiba.
“O Turismo precisa ser compreendido como uma atividade econômica porque gera empregos, renda e traz resultados positivos ao comércio e a população”, disse Irapuan Cortes, diretor-presidente do Viaje Paraná.
O turismo virou política de desenvolvimento regional. Esse é o aspecto mais inteligente da estratégia atual. O governo parece ter entendido que: turismo não movimenta apenas hotel e restaurante. Movimenta: pequenos empreendedores, comércio local, agricultura familiar, transporte, eventos, cultura regional e geração de emprego. E isso é especialmente importante para municípios fora dos grandes centros.
O interior passou a ocupar espaço estratégico. Historicamente, o turismo paranaense ficou muito concentrado em Curitiba, Foz do Iguaçu e litoral. Agora há uma tentativa clara de ampliar o mapa turístico estadual. A valorização dos Campos Gerais, do tropeirismo, do turismo rural e das rotas regionais mostra isso. O Paraná começa a vender experiência e não apenas destino.
A crítica positiva: o estado ainda explora menos do que poderia. Apesar dos avanços, existe um ponto evidente: o potencial turístico do Paraná ainda é maior do que sua exploração atual. O estado possui patrimônio natural forte, identidade cultural rica, logística privilegiada e diversidade regional incomum. Mas ainda enfrenta baixa promoção nacional comparada a outros estados, subexploração internacional e necessidade maior de profissionalização em algumas regiões. É exatamente por isso que o Viaje Paraná ganhou importância crescente ao criar integração entre municípios, profissionalizar o setor e construir identidade turística estadual.
O turismo também virou ativo político. Há um componente político importante nisso tudo. O governo Ratinho Junior tem trabalhado para consolidar uma imagem de modernização, infraestrutura, desenvolvimento regional e integração econômica.
O turismo se encaixa perfeitamente nessa narrativa. Porque permite mostrar investimento, circulação econômica, valorização regional e presença do estado no interior.
E aí? O Paraná começa a viver uma mudança silenciosa no turismo. Deixa de tratar o setor como atividade periférica e passa a tratá-lo como vetor econômico estratégico. Esse é o principal mérito dessa nova fase seja justamente esse: integrar desenvolvimento regional com identidade cultural.
Fato. O Paraná descobriu que turismo não é apenas cartão-postal. É economia circulando. É interior se fortalecendo. É identidade regional virando oportunidade. E, quando um estado começa a transformar território em experiência, o turismo deixa de ser passeio. Passa a ser projeto de desenvolvimento.
