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O tabuleiro virou: pesquisas já nasceram velhas e o Paraná entra em uma nova fase da disputa

O Paraná viveu, em menos de uma semana, uma sequência de movimentos capazes de alterar significativamente a corrida ...

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Redação03/08/2026
O tabuleiro virou: pesquisas já nasceram velhas e o Paraná entra em uma nova fase da disputa

As pesquisas divulgadas até o último fim de semana fotografavam um cenário político que, em poucos dias, praticamente deixou de existir. Não porque os institutos tenham errado, mas porque a política acelerou em um ritmo que nenhum levantamento conseguiria acompanhar.

O Paraná viveu, em menos de uma semana, uma sequência de movimentos capazes de alterar significativamente a corrida pelo Palácio Iguaçu e pelas duas vagas ao Senado.

Um dos exemplos mais claros é o de Tony Garcia. Algumas pesquisas ainda o apresentavam como candidato ao Governo do Estado, embora a realidade política já fosse outra. A mudança na direção estadual do Democracia Cristã (DC) levou o partido a abandonar o projeto de candidatura própria e anunciar apoio à candidatura de Sergio Moro. Assim, levantamentos realizados antes dessa mudança passaram a retratar um cenário que já não correspondia às articulações partidárias.

A maior transformação, entretanto, veio com a decisão de Rafael Greca.

Durante meses, o ex-prefeito de Curitiba construiu sua pré-candidatura ao Governo do Paraná e apareceu com desempenho competitivo em diferentes pesquisas de intenção de voto. Ao desistir da disputa para aceitar o convite de Sandro Alex e compor a chapa como candidato a vice-governador, Greca retirou um concorrente importante da eleição e modificou completamente a dinâmica do bloco governista. A homologação da aliança MDB-PSD consolidou esse movimento.

É impossível afirmar, neste momento, que os eleitores de Greca migrarão automaticamente para Sandro Alex. Transferência de votos nunca ocorre de forma integral. Ainda assim, é razoável esperar que a composição tenha potencial para fortalecer a candidatura governista, sobretudo por reunir duas lideranças que passaram meses dialogando com parcelas semelhantes do eleitorado.

Outro capítulo dessa engenharia política está na disputa pelo Senado.

Desde a convenção do PSD, Ratinho Junior tem tratado Alexandre Curi como um dos nomes do grupo para a disputa ao Senado, reforçando publicamente essa construção política.

Mas a matemática eleitoral ainda depende das decisões dos partidos aliados.

Nesta segunda-feira, o Republicanos realiza sua convenção estadual. A expectativa é pela definição formal sobre a permanência na coligação liderada pelo PSD. Embora a direção do partido venha participando das articulações da base governista, a oficialização das convenções é o momento em que essas decisões ganham validade jurídica e política. Até lá, qualquer mudança de rumo continua sendo objeto de especulação.

E uma eventual mudança teria um custo político elevado.

Durante semanas, o eleitor foi exposto a uma intensa campanha nas redes sociais e nos atos públicos apresentando Alexandre Curi como integrante do projeto de Ratinho Junior e Sandro Alex. Uma alteração brusca, às vésperas do encerramento do prazo legal para as convenções, exigiria uma rápida reorganização do discurso político e da comunicação das campanhas.

No meio desse quebra-cabeça permanece Cristina Graeml.

A jornalista tem reiterado publicamente seu interesse em disputar uma das vagas ao Senado. Entretanto, a definição da chapa majoritária e a disputa pelos espaços disponíveis tornam seu futuro político uma das principais incógnitas desta reta final das convenções. Se a composição se consolidar com os nomes já anunciados pelos partidos aliados, restará saber qual será o caminho escolhido por Graeml. Até o momento, ela tem sinalizado que uma candidatura à Câmara dos Deputados não faz parte de seus planos, o que aumenta a expectativa sobre sua decisão política.

O fato é que as pesquisas divulgadas até agora cumpriram seu papel: retrataram um momento específico da pré-campanha. O problema é que aquele momento passou.

As próximas sondagens terão uma missão muito mais importante. Elas precisarão medir o impacto real das convenções partidárias, da entrada de Rafael Greca na chapa de Sandro Alex, da saída de Tony Garcia da disputa, da reorganização das candidaturas ao Senado e da consolidação — ou não — das alianças costuradas por Ratinho Junior.

É somente quando a poeira baixar que será possível compreender como o eleitor reagiu a esse novo tabuleiro. Porque, se até a semana passada as pesquisas fotografavam uma eleição, a partir de agora elas terão de retratar outra completamente diferente.