Governos em reta final normalmente seguem um roteiro previsível: desaceleração política, redução de agenda, desgaste natural, disputa interna por sucessão e sensação de encerramento de ciclo. No Paraná, porém, o cenário parece caminhar na direção oposta. O último ano do governo Ratinho Junior não transmite acomodação. Transmite movimento. E talvez esse seja hoje o principal ativo político do grupo governista.
A aprovação elevada mudou o tamanho da sucessão.
As pesquisas mais recentes continuam mostrando índices elevados de aprovação do governador. E isso produz um efeito político relevante: a eleição deixa de ser apenas disputa entre candidatos e passa a ser também um referendo sobre continuidade administrativa.
Porque governos com altos índices de aprovação, normalmente tentam transferir confiança, sensação de estabilidade e percepção de entrega. Ratinho Junior, presidente do PSD Paraná, não terá mandato politico a partir de 31 de dezembro, mas, garantindo a transferência dessa credibilidade a Sandro Alex, estará garantindo o “mando político” do Estado.
O interior virou palco político permanente. O que chama atenção neste último ano não é apenas a quantidade de obras entregues. É o ritmo. Rodovias, viadutos, hospitais, escolas, infraestrutura logística e grandes intervenções seguem sendo inauguradas em praticamente todas as regiões do estado. “O homem não para! Tá difícil acompanhar o ritmo dele”, disse um servidor que trabalha diretamente com o governador. A verdade é que, o governo age como quem ainda está expandindo e não como quem encerra mandato. E isso, no último ano de mandato, altera completamente a percepção de fim de ciclo.
Sandro Alex aparece como peça central dessa narrativa. Outro ponto importante: Sandro Alex acompanha praticamente todas as agendas estratégicas do governo. Isso não parece casual. Politicamente, o movimento constrói uma mensagem simples: associar o pré-candidato diretamente às entregas do governo. Nisso, a lógica é clara: Ratinho Junior entrega - Sandro Alex acompanha - e a continuidade passa a ganhar rosto político.
A sucessão deixou de ser apenas partidária. O governo trabalha para construir algo maior do que uma candidatura. Tenta consolidar a ideia de continuidade administrativa. E isso aparece especialmente em grandes obras estruturantes:
- infraestrutura rodoviária
- modernização logística
- investimentos regionais
- e projetos simbólicos como a Ponte da Guaratuba.
A mensagem implícita é tão clara, quanto as ações do governo: “o estado avançou e não pode parar”.
Não há ambiente de transição enfraquecida. Esse talvez seja o ponto mais relevante. Muitos governos chegam ao último ano administrando crises internas, perda de força política ou esvaziamento gradual. No Paraná, o cenário parece diferente. O governo mantém: • agenda intensa • presença regional • articulação política • e alta exposição pública.
O grupo não atua como quem está saindo. Atua sim como quem quer permanecer. Entregar o comando político do Estado para o grupo adversário, passa longe dos planos de Ratinho Junior.
O embate da campanha virá. É só aguardar para constatar as ações dos adversários, que até agora parecem “amiguinhos”. Essa suposta paz política, que a oposição se esforça para mostrar, nada mais é do que a falta de argumentos fortes e plausíveis para criticar o governo. Daqui a pouco o jogo sujo deve começar.
O desafio real continua sendo eleitoral. Mesmo com aprovação elevada, a transferência de votos nunca é automática. E o próprio cenário eleitoral mostra isso. Hoje, Ratinho Junior mantém força política elevada, mas Sandro Alex ainda está em processo de crescimento e consolidação pública. Isso significa que o governo trabalha contra o relógio. É preciso transformar aprovação administrativa em competitividade eleitoral.
E aí? O último ano do governo Ratinho Junior talvez seja menos sobre encerramento de mandato e mais sobre construção de legado político. As viagens pelo interior, a intensificação das entregas e a presença constante de Sandro Alex nas agendas revelam um governo determinado a transmitir uma ideia específica: o ciclo ainda não terminou.
Fato. O Paraná não vive hoje um clima clássico de final de governo. Vive um ambiente de continuidade em construção. E, na política, quando um governo chega ao último ano ainda entregando obras, ampliando agenda e ocupando território político, a sucessão deixa de ser apenas disputa eleitoral. Passa a ser disputa sobre quem representa o próximo capítulo do mesmo projeto.
