Na política, vencer uma eleição começa muito antes da campanha. Ela se constrói na capacidade de negociar, de agregar interesses, de acomodar divergências e, principalmente, de fazer com que cada movimento fortaleça o projeto maior. É justamente nesse terreno que Ratinho Junior tem consolidado uma das suas principais características: a de articulador político.
Desde que decidiu disputar o Governo do Paraná, em 2018, o governador construiu sua trajetória muito mais pela capacidade de formar alianças do que pelo confronto permanente. Ao longo dos anos, consolidou uma base que ultrapassa as fronteiras do PSD e reúne partidos de diferentes matizes ideológicos em torno de um projeto comum.
Esse perfil volta a aparecer com força na sucessão estadual.
A engenharia política montada para sustentar a candidatura de Sandro Alex demonstra uma estratégia que vai além da simples soma de siglas. Em cada negociação, a lógica parece ser a da compensação política: quando uma liderança deixa a base, outra é incorporada; quando um partido cria dificuldades, outro amplia sua participação. A matemática da política, nesse caso, não é apenas eleitoral, mas também estratégica.
É um cálculo que busca impedir o isolamento da candidatura governista e, ao mesmo tempo, ampliar sua capilaridade no interior, entre prefeitos, deputados e lideranças regionais.
A composição com o MDB, que levou Rafael Greca para a vice, é apenas o exemplo mais visível de uma articulação que vem sendo construída há meses. Enquanto parte dos adversários concentra esforços em disputar espaços dentro de seus próprios grupos, Ratinho Junior trabalha para ampliar a coalizão que sustentará seu candidato ao Palácio Iguaçu.
Essa capacidade de negociação ajuda a explicar por que a candidatura governista continua acumulando apoios, mesmo diante das inevitáveis disputas por espaço que marcam qualquer sucessão estadual.
É justamente esse capital político que aparece refletido na mais recente pesquisa Genial/Quaest.
O levantamento divulgado nesta semana mostra Ratinho Junior com 81% de aprovação, o maior índice entre os governadores avaliados pela pesquisa, mantendo uma trajetória consistente de alta popularidade entre os paranaenses.
Embora aprovação não signifique transferência automática de votos, ela amplia significativamente o poder de negociação de quem governa. Um governador bem avaliado passa a oferecer aos aliados um ativo político valioso: a perspectiva de participar de um projeto que chega competitivo à disputa eleitoral.
É nesse ponto que a pesquisa deixa de ser apenas um retrato da administração estadual para se transformar em instrumento político.
Os 81% de aprovação fortalecem Ratinho Junior nas mesas de negociação, dão segurança aos partidos que decidiram embarcar na candidatura de Sandro Alex e aumentam o custo político para quem optar pelo caminho oposto.
A sucessão paranaense, portanto, não está sendo construída apenas nas pesquisas de intenção de voto. Ela vem sendo desenhada, sobretudo, na capacidade de articular interesses, recompor alianças e manter unida uma ampla base política.
No fim das contas, a principal vantagem de Ratinho Junior talvez não esteja apenas na elevada aprovação popular. Está na habilidade de transformar esse respaldo em moeda de negociação, convertendo prestígio administrativo em força política.
E, na matemática da política, essa continua sendo uma das operações mais difíceis de executar — e uma das mais valiosas quando o objetivo é eleger um sucessor.
