Há números que servem apenas para alimentar uma manchete. E há números que ajudam a contar uma história.
O Paraná acaba de avançar duas posições e chegar ao terceiro lugar entre os estados brasileiros no pilar de Infraestrutura do Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). O Estado havia aparecido na quinta colocação na edição anterior e agora fica atrás apenas de Santa Catarina e São Paulo.
Mais do que uma posição em um ranking, o resultado chama atenção porque ocorre depois de um ciclo de investimentos que mudou a forma como o Paraná vem tratando sua infraestrutura — especialmente rodovias e logística.
E é justamente nesse ponto que a declaração de Sandro Alex merece ser destacada:
“Isso é fruto de um trabalho organizado. Ampliamos os investimentos públicos próprios em corredores logísticos, principalmente com as rodovias de concreto, e contratamos o maior pacote de obras do Brasil com as novas concessões, algumas delas já em andamento.”
A frase não é apenas uma declaração de campanha. Ela pode ser confrontada com obras, investimentos e indicadores.
Não foi apenas uma obra. Foi uma estratégia
Durante praticamente oito anos à frente da Secretaria de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex esteve diretamente envolvido na execução de uma política que combinou investimentos públicos, concessões rodoviárias e ampliação da capacidade logística.
O resultado aparece em diferentes frentes.
O programa de rodovias em concreto já se aproximou de mil quilômetros, com investimentos superiores a R$ 5 bilhões. A estratégia atingiu corredores considerados importantes para o transporte da produção e para a integração das regiões paranaenses.
Ao mesmo tempo, as novas concessões rodoviárias passaram a incorporar um volume expressivo de obras de duplicação, ampliação de capacidade e melhorias.
Segundo Sandro Alex, os contratos preveem aproximadamente 1,8 mil quilômetros de duplicações. A Agência Nacional de Transportes Terrestres já registra, por exemplo, a antecipação de obras nas novas concessões da BR-277, incluindo a liberação de terceiras faixas na ligação entre a Região Metropolitana de Curitiba e o Porto de Paranaguá.
Ou seja: não se trata apenas de anunciar que haverá investimento.
Parte dele já começou a aparecer na estrada.
A infraestrutura não termina no asfalto
Outro mérito que aparece na declaração de Sandro Alex é justamente o de ampliar a discussão.
Infraestrutura não é apenas rodovia.
O ranking considera também qualidade e acesso à energia elétrica, custo de combustíveis, acessibilidade dos serviços de telecomunicações, disponibilidade de voos e saneamento, entre outros indicadores. O Paraná apresentou melhora justamente em alguns desses componentes, com destaque para a qualidade das rodovias, disponibilidade de voos diretos e custo do saneamento básico.
Na logística, a estratégia também envolveu portos, aeroportos e ferrovias.
Os Portos do Paraná aparecem como parte importante dessa equação, enquanto o Estado também trabalha na ampliação da infraestrutura aeroportuária e na integração dos diferentes modais.
Na área de energia, Sandro Alex cita mais de 50 subestações e aproximadamente 25 mil quilômetros de rede trifásica.
É essa visão integrada que ajuda a explicar por que infraestrutura deixou de ser apenas uma discussão sobre buracos e pavimentação.
Para um Estado que depende fortemente do agronegócio, da indústria e da exportação, logística é competitividade.
Cada quilômetro duplicado, cada gargalo eliminado, cada ponte construída e cada corredor de produção melhor estruturado representa potencialmente menos tempo de transporte, maior segurança e maior capacidade de circulação de mercadorias.
O desafio agora é transformar investimento em resultado
Mas há uma ressalva importante.
Um ranking não significa que todos os problemas de infraestrutura do Paraná estejam resolvidos.
Muito pelo contrário.
Um Estado que pretende continuar crescendo precisa fazer mais do que comemorar a terceira posição. Precisa transformar os investimentos contratados em obras entregues, fiscalizar contratos, cobrar cronogramas e continuar eliminando gargalos.
A própria declaração de Sandro Alex aponta nessa direção quando afirma que o objetivo é chegar, em poucos anos, à melhor malha rodoviária do Brasil.
É uma promessa ambiciosa.
E, justamente por isso, deverá ser cobrada.
A política também entra na história
Não há como separar completamente esse resultado da disputa eleitoral de 2026.
Sandro Alex é candidato ao Governo do Paraná e foi secretário de Infraestrutura e Logística durante praticamente todo o ciclo de investimentos do governo Ratinho Junior. O próprio PSD apresenta sua candidatura como uma proposta de continuidade desse modelo administrativo.
Portanto, é natural que ele utilize o resultado do ranking para defender sua experiência e apresentar sua candidatura como continuidade de uma política que considera bem-sucedida.
O avanço do Paraná é resultado de uma política pública que envolve governo estadual, Assembleia Legislativa, municípios, setor privado, concessionárias e diferentes estruturas de Estado.
A diferença está em quem esteve na execução e em quem terá de responder, daqui para frente, pela continuidade.
O Paraná melhorou. Agora precisa acelerar
O dado mais interessante talvez seja justamente este: o Paraná não está apenas comemorando uma posição; está avançando em uma área que tem impacto direto sobre sua economia.
O Estado manteve ainda a terceira colocação geral no Ranking de Competitividade dos Estados, posição alcançada em 2022 e preservada desde então. Também houve avanço em indicadores como Potencial de Mercado e Segurança Pública.
Na infraestrutura, entretanto, o salto de quinto para terceiro lugar é particularmente significativo porque demonstra evolução em um dos pontos historicamente mais sensíveis para um Estado com a dimensão territorial e a importância econômica do Paraná.
E talvez seja esse o principal recado do resultado.
Infraestrutura não aparece de um dia para o outro.
Uma ponte demora anos para sair do papel. Uma rodovia não é duplicada em uma semana. Uma concessão exige planejamento, licitação, contrato, investimento e fiscalização.
Por isso, quando Sandro Alex diz que o terceiro lugar é resultado de "um trabalho organizado", há uma questão objetiva que merece ser considerada: o ranking está medindo justamente os efeitos acumulados de uma política de infraestrutura que começou a ser executada anos atrás.
Agora, a disputa eleitoral colocará uma segunda pergunta sobre a mesa:
quem será capaz de manter esse ritmo — e, principalmente, entregar o que já foi contratado?
Porque chegar ao terceiro lugar é uma conquista.
Mas, para um Paraná que pretende continuar crescendo, o terceiro lugar precisa ser ponto de passagem, não ponto de chegada.
