A nova pesquisa Paraná Pesquisas, divulgada nesta sexta-feira (18), traz um dado que merece tanta atenção quanto os números da liderança: 48,3% dos eleitores não souberam ou não quiseram apontar espontaneamente um candidato ao Governo do Paraná. Quando somados os 6,1% que escolheram branco, nulo ou “ninguém”, chega-se a 54,4% do eleitorado sem uma preferência espontânea por um dos candidatos.
No cenário espontâneo, Sergio Moro aparece com 25,4%, seguido por Requião Filho, com 9,8%, e Sandro Alex, com 9,2%. A distância entre os três primeiros, entretanto, precisa ser analisada junto com o elevado grau de indefinição: praticamente um em cada dois eleitores não apresenta espontaneamente nenhum nome.
Na estimulada, Moro lidera
Quando os nomes dos candidatos são apresentados, Moro registra 44,7%, Requião Filho aparece com 23% e Sandro Alex com 19,7%. Luiz França tem 0,7%, Alexandre Salomão e Tayná Miessa aparecem com 0,4% cada, enquanto Adriano Funileiro e Samuel de Mattos têm 0,3% cada. Brancos e nulos somam 5,8% e 4,8% não sabem ou não opinam.
A diferença entre os dois cenários é significativa. Moro passa de 25,4% na espontânea para 44,7% na estimulada; Requião vai de 9,8% para 23%; e Sandro Alex, de 9,2% para 19,7%.
Isso mostra como a apresentação dos nomes altera o retrato da disputa e, principalmente, como existe uma parcela considerável do eleitorado que ainda não transformou uma preferência potencial em uma escolha espontânea.
Rejeição coloca Requião no centro da disputa
Outro dado importante está na rejeição. Quando perguntados em qual candidato não votariam de jeito nenhum, 37,8% apontaram Requião Filho, a maior taxa entre os nomes pesquisados. Sergio Moro aparece em seguida, com 26,6%, enquanto Sandro Alex registra 12,2%.
Como cada entrevistado poderia indicar mais de um candidato, os percentuais de rejeição não somam 100%.
A diferença entre Requião e Moro é de 11,2 pontos percentuais. Em outras palavras, o levantamento mostra que, além das intenções de voto, existe uma dimensão importante de resistência eleitoral que pode influenciar a composição da disputa à medida que o eleitorado consolida suas escolhas.
O paradoxo da pesquisa
O levantamento produz um contraste interessante: Moro lidera tanto na espontânea quanto na estimulada, mas também aparece com a segunda maior rejeição. Requião Filho, por sua vez, ocupa a segunda posição na estimulada, mas apresenta a maior rejeição entre todos os candidatos.
Sandro Alex aparece com 19,7% na estimulada e 12,2% de rejeição, enquanto 23% declaram intenção de votar em Requião e 37,8% dizem não votar nele de jeito nenhum.
Esses números não permitem antecipar o resultado eleitoral, mas ajudam a compreender que intenção de voto e rejeição são indicadores diferentes: um candidato pode ter um percentual expressivo de intenção e, simultaneamente, enfrentar um contingente relevante de eleitores que descartam seu nome.
A reta final ainda tem um eleitorado a conquistar
A pesquisa foi realizada entre 15 e 17 de setembro, com 1.280 eleitores em 57 municípios do Paraná, margem de erro de 2,8 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número PR-01022/2026.
Com a eleição marcada para 4 de outubro, o principal dado político da pesquisa talvez esteja justamente fora da liderança: 48,3% ainda não conseguem ou não querem indicar espontaneamente um candidato.
É esse enorme contingente de eleitores que torna a fotografia da pesquisa diferente de uma previsão de resultado. A disputa está numericamente definida no cenário estimulado, mas a escolha de uma parcela muito grande do eleitorado ainda não está consolidada na pergunta espontânea.
