Há pouco mais de um ano, Bruno Secco era apresentado pela Câmara Municipal de Curitiba como o santista que havia escolhido a capital paranaense para viver e que, depois de construir sua trajetória na cidade, havia atendido ao chamado da política.
Em 2024, o comunicador e ativista político foi eleito vereador de Curitiba com 11.436 votos, conquistando uma cadeira na Câmara Municipal. A história, porém, sofreu uma reviravolta poucos meses depois.
Secco perdeu o mandato em 2026 depois que a Justiça Eleitoral cassou a chapa do PMB pela qual havia sido eleito, em processo relacionado à fraude à cota de gênero. A decisão atingiu a chapa proporcional e provocou a retotalização dos votos, retirando o mandato que ele havia conquistado nas urnas de 2024.
Foi uma situação politicamente incomum: um vereador eleito com mais de 11 mil votos deixou o cargo não por ter perdido uma eleição, mas por causa da cassação da chapa partidária pela qual havia concorrido.
A saída da Câmara, entretanto, não encerrou sua trajetória política.
Secco mudou de partido, deixou o PMB, passou pelo Republicanos e ingressou no Novo com um objetivo claro: disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná. O próprio Blog do Tupan registrou, em abril, que a troca para o Novo tinha como horizonte justamente a eleição estadual de 2026.
E o resultado das urnas foi expressivo.
Bruno Secco recebeu 82.898 votos para deputado estadual e terminou como o candidato mais votado do Novo. Na própria chapa, ficou à frente de Luiz Fernando Guerra, que buscava a reeleição. A Assembleia Legislativa confirmou sua eleição para a legislatura 2027-2031.
A diferença entre os dois momentos chama atenção.
Em 2024, Secco chegou à política institucional pela porta da Câmara Municipal de Curitiba. Em 2026, depois de perder o mandato, voltou às urnas para uma disputa muito mais ampla e multiplicou por mais de sete vezes sua votação nominal.
É claro que não se trata de uma comparação eleitoral direta. A eleição para vereador ocorre em um único município e dentro de uma disputa proporcional com dezenas de candidatos locais. A eleição para deputado estadual envolve todo o Paraná, outra estrutura partidária, outra exposição e uma quantidade muito maior de eleitores.
Ainda assim, o salto numérico ajuda a dimensionar o resultado.
E existe outro elemento importante: Secco não chegou à Assembleia carregando apenas o resultado de sua passagem pela Câmara de Curitiba. Ele chega depois de uma crise política que poderia ter interrompido sua carreira.
A cassação do mandato produziu um revés. A resposta foi voltar às urnas.
Em vez de desaparecer do cenário político, Secco mudou de legenda, reorganizou sua candidatura e disputou uma eleição estadual. O resultado mostra que sua base eleitoral não desapareceu com a perda do mandato municipal.
Mais do que isso: ela cresceu.
A trajetória também ajuda a explicar uma característica do Novo no Paraná. O partido elegeu três deputados estaduais em 2026: Bruno Secco, Luiz Fernando Guerra e Deivid Wisley. Secco, porém, terminou muito à frente dos companheiros de legenda, consolidando-se como o principal nome do partido na disputa para a Assembleia.
Agora começa uma etapa completamente diferente.
Na Câmara Municipal, Secco tinha como principal território político Curitiba. Na Assembleia, terá de atuar diante de um eleitorado estadual e de uma composição política muito mais ampla.
Também terá de responder a uma pergunta inevitável: o que fará com os 82,9 mil votos que recebeu?
A votação o colocou em posição de destaque dentro do Novo, mas mandato parlamentar não se mede apenas pelo tamanho da votação. A partir de fevereiro de 2027, será necessário transformar capital eleitoral em atuação legislativa, articulação política e resultados concretos.
A história de Bruno Secco, portanto, ganhou um capítulo que poucos poderiam prever quando ele assumiu a cadeira de vereador em Curitiba.
O santista que chegou à capital, entrou na política, foi eleito vereador, perdeu o mandato por uma decisão relacionada à chapa partidária e mudou de legenda agora retorna ao Legislativo.
Só que não mais como vereador.
Bruno Secco chega à Assembleia Legislativa como o deputado estadual mais votado do Novo no Paraná.
Perdeu uma cadeira. Conquistou outra — e, desta vez, com uma votação que o coloca entre os nomes de maior expressão eleitoral do partido.
A política, como se sabe, raramente segue uma linha reta.
