A nova pesquisa Bem Paraná/Instituto IRG confirma um cenário que começa a se consolidar na sucessão estadual: Sergio Moro permanece na liderança da corrida ao Palácio Iguaçu, mas a movimentação mais significativa do levantamento é o crescimento de Sandro Alex, que passa a disputar diretamente a segunda colocação e amplia seu espaço político na pré-campanha.
No principal cenário estimulado, Sergio Moro aparece com 40,7% das intenções de voto, seguido por Requião Filho, com 18,6%. Na sequência, surgem Sandro Alex, com 10,6%, e Rafael Greca, com 9,6%, em situação de empate técnico dentro da margem de erro. Luiz França registra 3,1% e Tony Garcia, 1,9%. Os indecisos representam 11,1%, enquanto 4,5% afirmam votar em branco ou anular o voto.
Embora a liderança de Moro permaneça consistente, o crescimento de Sandro Alex merece atenção por três motivos.
O primeiro é que ele se consolida como o principal representante do grupo político do governador Ratinho Junior, cuja administração continua registrando elevados índices de aprovação. A tendência é que a exposição da campanha fortaleça ainda mais essa associação.
O segundo aspecto é que Sandro Alex reduz a distância para os candidatos que tradicionalmente ocupavam as primeiras posições nas pesquisas. O levantamento demonstra que ele já disputa voto a voto o terceiro lugar com Rafael Greca e se aproxima de Requião Filho, consolidando-se como um dos protagonistas da sucessão estadual.
Mas talvez o dado mais relevante da pesquisa esteja na rejeição dos pré-candidatos.
REJEIÇÃO
Nesse quesito, Requião Filho lidera com 38,9%, ou seja, quase quatro em cada dez entrevistados afirmam que não votariam nele de jeito nenhum. Em segundo lugar aparece Sergio Moro, com 27,6% de rejeição. Em seguida vêm Luiz França (8,3%), Rafael Greca (6,6%), Sandro Alex (5,3%) e Tony Garcia (3,6%). Outros 3,3% rejeitam todos os nomes apresentados, enquanto 6,4% afirmam não rejeitar nenhum dos pré-candidatos.
Esses números ajudam a explicar por que a corrida eleitoral está longe de ser decidida.
A intenção de voto mostra quem está na frente hoje. A rejeição indica quem encontra mais dificuldades para crescer amanhã.
No caso de Requião Filho, a pesquisa revela um obstáculo expressivo. Com 38,9% de rejeição, sua margem para conquistar novos eleitores torna-se naturalmente mais estreita, especialmente em uma disputa que tende a ser decidida pelos votos do centro político e pelos indecisos.
Sergio Moro vive situação semelhante, ainda que em menor intensidade. Lidera com folga nas intenções de voto, mas também carrega uma rejeição elevada (27,6%), resultado da forte polarização que acompanha sua trajetória política. Em campanhas majoritárias, candidatos com altos índices de rejeição costumam enfrentar maior dificuldade para ampliar sua vantagem.
É justamente nesse cenário que Sandro Alex se diferencia.
Sua rejeição de apenas 5,3% é, entre os principais concorrentes, a mais baixa da pesquisa. Isso significa que, embora ainda tenha um percentual menor de intenção de voto, enfrenta pouca resistência do eleitorado. Em outras palavras, existe espaço para crescer à medida que sua candidatura se torne mais conhecida e a campanha ganhe intensidade.
Outro dado que merece atenção é o percentual de indecisos. Os 11,1% que ainda não escolheram um candidato representam um contingente suficientemente expressivo para alterar o equilíbrio da disputa nas próximas semanas. Historicamente, esse eleitor tende a observar o desempenho dos candidatos durante a campanha, os debates, o horário eleitoral e o apoio de lideranças políticas antes de tomar sua decisão.
Por isso, a fotografia apresentada pelo IRG vai além da liderança momentânea de Sergio Moro. Ela revela uma disputa em transformação.
Enquanto Moro continua como favorito neste momento e Requião Filho mantém a segunda colocação, Sandro Alex demonstra evolução consistente, impulsionado pelo grupo político do governo estadual e beneficiado por um ativo eleitoral cada vez mais importante: a baixa rejeição.
Em eleições majoritárias, não basta apenas começar na frente. É preciso manter capacidade de crescimento durante toda a campanha. Sob esse aspecto, a pesquisa Bem Paraná/IRG indica que Sandro Alex pode ser um dos candidatos com maior potencial de expansão nos próximos meses, especialmente se conseguir converter a força política do governo Ratinho Junior em maior conhecimento junto ao eleitorado paranaense.
