A nova pesquisa Real Time Big Data para o Governo do Paraná traz uma fotografia que merece ser observada com mais cuidado do que simplesmente reproduzir a manchete de que Sergio Moro continua liderando a corrida eleitoral.
Sim, Moro está na frente.
Mas há outros números tão importantes quanto os 35% obtidos pelo senador.
O principal deles talvez seja o avanço de Sandro Alex, que aparece agora com 23%, reduzindo para 12 pontos percentuais a distância para Moro. Requião Filho aparece com 20%.
Na pesquisa anterior do mesmo instituto, divulgada em 18 de agosto, Moro tinha 37%, Sandro Alex 22% e Requião Filho 20%. Ou seja: em cerca de dez dias, Moro oscilou dois pontos para baixo, Sandro Alex avançou um ponto e Requião permaneceu no mesmo patamar.
A diferença entre Moro e Sandro, que era de 15 pontos, caiu para 12.
Não é uma virada. Mas é uma aproximação.
E, em uma eleição que ainda está sendo formada, aproximações merecem atenção.
O dado mais importante pode estar escondido atrás dos 35%
Na pesquisa estimulada, aquela em que os nomes dos candidatos são apresentados ao eleitor, Moro aparece com 35%, Sandro Alex com 23% e Requião Filho com 20%.
Luiz França tem 2%, outros candidatos somam 1%, brancos e nulos representam 6% e 13% não sabem ou não responderam.
É esse o número que provavelmente dominará as redes sociais e as manchetes.
- "Moro tem 35%."
- "Sandro tem 23%."
- "Requião tem 20%."
Mas existe uma informação muito mais reveladora sobre o estágio da eleição quando se olha para a pergunta espontânea.
E aí a história muda bastante.
Quando os nomes desaparecem, a eleição fica muito mais aberta
Na pesquisa espontânea, o entrevistado não recebe uma lista de candidatos.
Precisa dizer, por conta própria, em quem pretende votar.
O resultado:
- Moro: 16%
- Sandro Alex: 9%
- Requião Filho: 7%
- Ratinho Junior: 4%
- Outros: 3%
- Branco/nulo: 10%
- Não sabe/não respondeu: 51%.
- Aqui está o número que deveria ser colocado no centro da discussão:
51% dos eleitores ainda não conseguem apontar espontaneamente um candidato.
Mais da metade.
Isso significa que a eleição ainda está longe de ser uma disputa cristalizada na cabeça do eleitor.
E existe uma diferença fundamental entre dizer que um candidato tem 35% em uma lista apresentada pelo pesquisador e afirmar espontaneamente que pretende votar nele.
Moro tem 35% na estimulada, mas 16% na espontânea.
Sandro Alex passa de 23% para 9%.
Requião Filho cai de 20% para 7%.
Isso não significa que os números da estimulada sejam inválidos.
Significa que o eleitor ainda precisa ser lembrado dos nomes para escolher.
E isso é um sinal de que a campanha ainda terá muito trabalho pela frente.
Sandro Alex está se aproximando?
Sim, os números permitem dizer isso.
Mas é preciso fazer uma distinção importante entre aproximação e ameaça imediata à liderança.
Sandro Alex está 12 pontos atrás de Moro na estimulada. Com margem de erro de dois pontos percentuais, essa diferença é grande o suficiente para que não se possa falar em empate ou em disputa tecnicamente igualada.
Mas a direção do movimento chama atenção.
Na pesquisa anterior do Real Time, Moro tinha 37% e Sandro 22%.
Agora, Moro tem 35% e Sandro 23%.
A distância caiu de 15 para 12 pontos.
E há outro dado ainda mais interessante: na espontânea, Sandro também avançou.
Passou de 8% para 9%, enquanto Moro foi de 15% para 16% e Requião Filho de 6% para 7%.
Ou seja, os três principais candidatos cresceram um ponto na espontânea.
Isso pode indicar uma campanha que começa, lentamente, a ganhar maior definição.
Mas ainda está longe de ser suficiente para afirmar que o eleitorado está consolidado.
O segundo turno apresenta uma informação ainda mais interessante
Quando o instituto simula um eventual segundo turno entre Moro e Sandro Alex, a distância diminui ainda mais.
Moro aparece com 44%, enquanto Sandro Alex tem 32%.
São 12 pontos de diferença.
Brancos e nulos somam 13% e 11% não sabem ou não responderam.
É uma diferença importante, mas muito menor do que a observada no confronto Moro x Requião Filho.
Nesse cenário, Moro chega a 54%, contra 27% de Requião.
Já quando Sandro enfrenta Requião Filho, o candidato do PSD aparece numericamente à frente: 35% contra 30%, com 17% de brancos e nulos e 18% de indecisos.
Isso produz uma leitura bastante interessante.
Sandro Alex está se consolidando como um competidor relevante para um eventual segundo turno.
E, dependendo de como a campanha evoluir, a disputa pelo segundo lugar pode ser tão importante quanto a própria liderança de Moro.
O verdadeiro adversário pode ser o eleitor que ainda não decidiu
Há uma característica comum nas pesquisas recentes do Paraná: os percentuais mudam de instituto para instituto, mas aparece repetidamente um eleitorado ainda bastante aberto.
A Quaest, por exemplo, encontrou 73% de indecisos na pesquisa espontânea divulgada no início desta semana. A Alfa encontrou números diferentes, mas também registrou uma parcela significativa de eleitores que ainda não havia definido completamente sua escolha.
Agora, a Real Time Big Data encontra 51% de "não sabe/não respondeu" na espontânea.
São metodologias, períodos e levantamentos diferentes, portanto não se deve somar ou comparar os percentuais como se fossem uma única pesquisa.
Mas há uma conclusão que parece difícil de ignorar:
o eleitor paranaense ainda não está completamente decidido.
E isso muda a maneira como os números devem ser interpretados.
Pesquisa não é eleição
Moro lidera. Isso é fato.
Sandro Alex está mais próximo do líder nesta rodada do Real Time do que estava na pesquisa anterior do mesmo instituto. Isso também é fato.
Requião Filho permanece muito próximo de Sandro no primeiro turno. Outro fato.
Mas transformar esses números em uma previsão do resultado seria um erro.
A própria pesquisa mostra por quê.
- Se 51% não conseguem citar espontaneamente um candidato, ainda existe uma parcela enorme do eleitorado que pode ser influenciada por campanha, debates, propaganda eleitoral, propostas, alianças, ataques, respostas e acontecimentos que ainda nem ocorreram.
E agora começa uma etapa especialmente importante da eleição: o horário eleitoral gratuito.
A televisão e o rádio passam a dividir espaço com as redes sociais. Os candidatos terão mais capacidade de apresentar propostas, mas também ficarão mais expostos ao confronto político.
E é nesse ambiente que os números podem começar a mudar com maior velocidade.
A pesquisa mostra uma liderança, mas também mostra uma oportunidade
- Para Moro, o levantamento confirma uma liderança.
- Para Sandro Alex, mostra que existe espaço para crescer.
- Para Requião Filho, mostra que a disputa pelo segundo lugar continua aberta.
E para todos eles, existe um dado que deveria preocupar mais do que qualquer percentual individual:
51% dos eleitores ainda não disseram espontaneamente em quem pretendem votar.
Esse é o tamanho do mercado eleitoral que ainda está em disputa.
É muita gente.
E é justamente por isso que ninguém deveria tratar a eleição de agosto como se fosse a eleição de outubro.
A fotografia mudou.
E pode mudar novamente.
- Sandro Alex ainda está atrás de Moro, mas diminuiu a distância.
- Moro continua liderando, mas não está eleito.
- Requião Filho continua competitivo, mas precisa transformar seus 20% em uma posição mais sólida.
E, acima de todos eles, existe um eleitor que ainda está olhando para os candidatos e dizendo:
"Ainda não sei."
Talvez seja esse eleitor — e não os 35%, 23% ou 20% das manchetes — que decidirá o resultado da eleição.
