A pesquisa que mudou o tom da disputa no Paraná: Sandro Alex cresce, empata com Requião Filho e aparece à frente em uma simulação de segundo turno
A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quinta-feira (24), mexe no tabuleiro da eleição para o Governo do Paraná.
Não porque Sergio Moro tenha deixado a liderança. Não deixou: aparece com 36%. O dado que merece atenção está logo abaixo.
Sandro Alex saltou de 15% para 20% e empatou com Requião Filho, que oscilou de 21% para 20%. Com margem de erro de três pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.
Mas o movimento de Sandro não aparece apenas na pesquisa estimulada.
Na espontânea, quando nenhum nome é apresentado ao eleitor, Sandro foi de 4% para 9%. Moro passou de 13% para 21% e Requião Filho de 7% para 11%.
E há um número que explica por que a eleição ainda está longe de ser uma fotografia definitiva: 57% dos entrevistados não apontaram espontaneamente nenhum candidato. Além disso, 36% afirmam que ainda podem mudar o voto.
O candidato que estava atrás começou a chegar
Há um mês, Sandro Alex aparecia com 15%. Agora, são 20%.
É um crescimento de cinco pontos em uma única rodada.
Mais importante: ele saiu de uma situação em que aparecia isolado na terceira posição para uma situação de empate técnico com o segundo colocado.
Isso não autoriza afirmar que haverá uma virada. Pesquisa não é urna.
Mas também seria um erro tratar esse movimento como irrelevante.
A campanha de Sandro conseguiu aumentar seu conhecimento entre os eleitores. O percentual dos que dizem conhecer o candidato e poderiam votar nele passou de 22% para 34%, enquanto o desconhecimento caiu de 62% para 47%.
Em outras palavras: Sandro está chegando ao eleitorado que ainda não o conhecia.
E é justamente aí que começa a ficar interessante.
A segunda rodada é ainda mais reveladora
Se o primeiro turno mostra Moro na liderança e Sandro empatado com Requião, os cenários de segundo turno apresentam outra fotografia.
Contra Requião Filho, Sandro Alex aparece com 38%, contra 32%.
Na pesquisa anterior, Requião tinha 37% e Sandro apenas 24%.
É uma mudança expressiva no comportamento da simulação: Sandro ganhou 14 pontos, enquanto Requião perdeu cinco.
Contra Moro, a distância ainda é maior: 43% para Moro contra 29% para Sandro.
Mas aqui também houve movimento. Na rodada anterior, Moro tinha 48% e Sandro 19%.
Ou seja, a distância caiu de 29 para 14 pontos.
Não significa que Sandro esteja assegurado no segundo turno. Significa que os cenários testados pela Quaest mostram uma redução importante das distâncias em relação à rodada anterior.
E isso muda o ambiente da campanha.
A rejeição pode ser decisiva
Outro aspecto que merece atenção é a rejeição.
Na rodada anterior da Quaest, Requião Filho tinha 44% de rejeição, Moro 33% e Sandro 16%.
O levantamento atual mantém uma diferença relevante entre os candidatos, embora a leitura dos números precise considerar também o grau de conhecimento de cada nome.
Sandro ainda é menos conhecido do eleitorado do que Moro e Requião.
Isso pode funcionar em duas direções. Por um lado, existe espaço para crescimento. Por outro, parte desse eleitorado ainda precisa decidir o que pensa sobre o candidato.
Portanto, baixa rejeição não é sinônimo de voto, assim como alto conhecimento não significa automaticamente intenção de voto. São indicadores diferentes.
Mas, em uma eleição na qual mais da metade dos eleitores ainda não apresentou espontaneamente um nome, a capacidade de conquistar os indecisos passa a ter enorme importância.
E aqui está o dado que deveria estar no centro da discussão
A Quaest perguntou aos paranaenses se Ratinho Junior merece eleger um sucessor.
A resposta foi:
- 65% — sim.
25% — não.
10% — não sabem ou não responderam.
E esse resultado permanece praticamente idêntico ao da pesquisa anterior.
Ao mesmo tempo, 79% aprovam o governo Ratinho Junior, enquanto apenas 12% desaprovam. Na avaliação geral, 69% consideram a administração positiva e 5% negativa.
É aqui que aparece a principal questão política da eleição:
- Se 79% aprovam o governo e 65% dizem que Ratinho merece eleger um sucessor, por que essa força política não apareceu imediatamente nas intenções de voto de Sandro Alex?
Essa é a pergunta que a campanha do PSD precisa responder.
E a própria pesquisa começa a oferecer uma resposta possível.
Sandro ainda não era suficientemente conhecido.
Quando 62% diziam não conhecê-lo em agosto, era difícil esperar uma transferência integral da aprovação de Ratinho para seu candidato.
Agora, esse desconhecimento caiu para 47%.
E, simultaneamente, Sandro saiu de 15% para 20%.
A correlação não permite afirmar causalidade, mas a sequência dos números é politicamente significativa.
Ratinho tem aprovação. Sandro precisa transformar aprovação em voto.
Essa talvez seja a questão central da reta final.
Ratinho Junior tem capital político próprio.
A pesquisa mostra isso com clareza: 79% aprovam sua administração e 65% entendem que ele merece eleger um sucessor.
Mas eleição majoritária não é plebiscito sobre o governador.
É uma escolha sobre quem ocupará o Palácio Iguaçu a partir de 2027.
Por isso, Sandro precisa fazer algo mais difícil do que simplesmente aparecer ao lado de Ratinho.
Precisa fazer com que o eleitor reconheça nele a continuidade que diz desejar.
E a pesquisa mostra que esse processo começou a acontecer.
Não está concluído, mas começou.
A pergunta que fica para a reta final
Há uma semana, a discussão poderia ser resumida em uma pergunta: Sandro Alex conseguiria chegar ao segundo turno?
A nova Quaest torna a pergunta mais concreta.
Ele já está empatado tecnicamente com Requião Filho no primeiro turno.
E, no confronto direto entre os dois, aparece com 38% contra 32%.
Isso não é previsão de segundo turno. É uma simulação de intenção de voto realizada entre 20 e 23 de setembro, com 804 entrevistados e margem de erro de três pontos percentuais.
Mas revela uma mudança importante na fotografia eleitoral.
A campanha de Sandro chegou à reta final em movimento.
Enquanto Moro permanece na liderança, a disputa pela outra posição ganhou um novo componente.
Sandro saiu de 15% para 20%. Mais do que dobrou na espontânea.
Reduziu significativamente o desconhecimento.
Manteve rejeição inferior à dos dois principais adversários.
E aparece numericamente à frente de Requião em uma simulação de segundo turno.
Tudo isso acontece ao mesmo tempo em que 65% dos paranaenses dizem que Ratinho Junior merece eleger um sucessor.
A eleição, portanto, continua aberta a mudanças.
Não há como afirmar hoje quem chegará ao segundo turno.
Mas há algo que a nova pesquisa torna difícil ignorar:
- Sandro Alex não é mais o mesmo candidato de um mês atrás.
E, na reta final, quando 36% dos eleitores ainda admitem mudar de voto e 57% não declaram espontaneamente nenhum candidato, cinco pontos de crescimento podem significar que a disputa pelo segundo turno ainda terá capítulos importantes.
