A campanha eleitoral começou oficialmente, mas, em Curitiba, Eduardo Pimentel já deixou claro que não pretende assistir à disputa de longe. O prefeito está assumindo uma participação cada vez mais direta na campanha de Sandro Alex e Rafael Greca ao Governo do Paraná e de Alexandre Curi ao Senado.
A reunião convocada por Pimentel com integrantes do primeiro e do segundo escalões da Prefeitura, realizada fora do horário de expediente, é um sinal claro dessa movimentação. Segundo o Blog Politicamente, o encontro teve como objetivo mobilizar o grupo político para as candidaturas da chapa do PSD. O prefeito também deverá assumir a coordenação da campanha em Curitiba.
E há uma razão política bastante evidente para isso.
Com Rafael Greca dentro da chapa, Pimentel ganhou ainda mais liberdade para entrar no jogo.
Greca não é um adversário. É o vice de Sandro Alex.
Essa mudança reorganizou completamente o ambiente político de Curitiba.
De sucessor a cabo eleitoral
Eduardo Pimentel não é um prefeito que chegou à Prefeitura por acaso ou por uma estrutura política improvisada. Antes de assumir o cargo, foi vice-prefeito de Curitiba por dois mandatos justamente ao lado de Rafael Greca. Em 2024, venceu a eleição para prefeito no segundo turno com 57,64% dos votos válidos.
Agora, o prefeito tem diante de si uma eleição estadual na qual está diretamente envolvido o grupo político que ajudou a construir sua trajetória.
E é nesse ponto que sua participação ganha dimensão maior.
Pimentel não está apenas pedindo votos para Sandro Alex.
Ele está mobilizaando a rede política que o levou à Prefeitura de Curitiba.
Vereadores, lideranças comunitárias, secretários, ex-secretários, dirigentes partidários, lideranças de bairro e aliados que participaram da campanha municipal de 2024 passam a ter uma razão concreta para voltar às ruas.
É uma estrutura política que não se limita ao gabinete do prefeito.
Ela está espalhada pelos bairros.
A Prefeitura é uma coisa. A política é outra
Há, evidentemente, uma linha que precisa ser respeitada.
A administração pública deve continuar funcionando normalmente e os recursos, servidores e estruturas da Prefeitura não podem ser utilizados para campanha eleitoral.
O próprio relato sobre a reunião destaca que ela ocorreu fora do expediente, justamente para separar a atividade administrativa da mobilização política.
Essa distinção é fundamental.
Mas isso não impede que um prefeito, como cidadão e liderança política, participe da campanha fora do horário de trabalho e mobilize seus aliados.
E é exatamente isso que Pimentel parece estar fazendo.
A entrada de Greca facilitou o movimento
Existe também um componente político que não pode ser ignorado.
Durante muito tempo, Pimentel e Greca estiveram juntos na política de Curitiba. Pimentel foi vice de Greca em 2016 e 2020. A relação política entre os dois, portanto, é anterior à atual campanha estadual.
Agora, com Greca como vice de Sandro Alex, o antigo grupo de Curitiba reaparece reunido em uma mesma chapa estadual.
Isso cria uma narrativa eleitoral bastante simples:
Greca no Governo como vice.
Sandro Alex como candidato a governador.
Pimentel comandando a articulação política em Curitiba.
Alexandre Curi na disputa pelo Senado.
É uma composição que conecta a política municipal da capital com a eleição estadual.
E Curitiba será decisiva
Não é necessário fazer previsões para reconhecer o peso eleitoral da capital.
Curitiba concentra uma parcela expressiva do eleitorado paranaense e, historicamente, exerce influência importante sobre a formação do debate político estadual.
Por isso, a entrada de Pimentel na campanha não é um movimento meramente protocolar.
O destaque é justamente a capilaridade política de setores da Prefeitura nos bairros como um dos fatores que tornam a participação do prefeito relevante para a campanha.
É aí que entra o conhecimento territorial.
Uma coisa é um candidato aparecer em uma propaganda eleitoral.
Outra é ter uma rede de pessoas capazes de abrir portas, organizar reuniões, apresentar lideranças e fazer a campanha chegar a diferentes regiões da cidade.
Pimentel possui essa rede.
A campanha agora sai do gabinete e vai para a rua
O movimento também coincide com o início da campanha oficial.
Até poucos dias atrás, os candidatos estavam limitados pelas regras da pré-campanha. Agora, a disputa ganhou outra intensidade.
Pimentel já vinha aparecendo ao lado de Sandro Alex, Rafael Greca e Alexandre Curi em agendas políticas. Há registros, inclusive, de participação conjunta em atividades na capital.
A partir de agora, porém, a participação tende a ser muito mais explícita.
E isso pode incluir encontros nos bairros, reuniões políticas, participação em programas eleitorais e mobilização das lideranças que estiveram ao lado de Pimentel na campanha municipal.
O prefeito deixa de ser apenas um apoiador e passa a atuar como articulador.
O recado político
A reunião com o primeiro e segundo escalões, portanto, deve ser lida menos como um evento administrativo e mais como um sinal político.
Pimentel está dizendo aos seus aliados que a eleição estadual também interessa ao projeto político que governa Curitiba.
E há uma lógica nisso.
Se Sandro Alex vencer a eleição para o Governo, Pimentel terá um aliado no Palácio Iguaçu.
Se Alexandre Curi conquistar uma das duas vagas ao Senado, terá outro aliado em Brasília.
E se Rafael Greca chegar ao Palácio Iguaçu como vice, estará novamente ao lado de um grupo político com o qual Pimentel tem uma história de muitos anos.
Não se trata de afirmar que esse arranjo garantirá votos ou vitória — isso será decidido pelos eleitores.
Mas, do ponto de vista da organização de campanha, a entrada de Pimentel acrescenta uma nova camada à disputa em Curitiba.
A eleição estadual começa a ganhar, cada vez mais, uma dimensão municipal.
E Eduardo Pimentel parece ter decidido que não ficará apenas olhando o jogo da arquibancada.
Vai para o campo. Já está em campo.
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