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PL torra grana e fundo eleitoral vira munição dentro do próprio partido do Paraná

O estopim foi a informação de que Rosângela Moro recebeu R$ 2,6 milhões do partido para sua campanha. Segundo os dados...

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Redação14/09/2026
PL torra grana e fundo eleitoral vira munição dentro do próprio partido do Paraná

A disputa eleitoral no Paraná ganhou um novo capítulo — desta vez, dentro do próprio PL. O candidato a deputado federal Jocelino Veloso fez uma denúncia pública contra a direção estadual do partido e questionou os critérios utilizados para distribuir os recursos do Fundo Eleitoral.

​“Vocês podem comprar prefeito, podem comprar vereador, podem comprar liderança de comunidade, podem comprar liderança de bairros, podem comprar lideranças de municípios, mas o povo do Paraná vocês não vão comprar”.​

O estopim foi a informação de que Rosângela Moro recebeu R$ 2,6 milhões do partido para sua campanha. Segundo os dados divulgados pela Folha de S.Paulo, o valor representa 21,6% dos R$ 12 milhões distribuídos pelo diretório nacional do PL aos 31 candidatos paranaenses e cerca de 34% de todo o dinheiro destinado às candidaturas femininas.

A direção do partido afirma que a distribuição segue uma estratégia eleitoral para fortalecer candidaturas com maior potencial de votação. É uma justificativa legítima do ponto de vista político, mas que não elimina a pergunta feita pelo próprio candidato do PL: quais são, afinal, os critérios utilizados para decidir quem recebe milhões e quem disputa uma eleição praticamente sem recursos?

Jocelino foi além. Segundo a reportagem, afirmou que faz campanha sem dinheiro do Fundo Eleitoral e acusou grupos políticos de utilizarem recursos para conquistar apoio de vereadores e outras lideranças locais. Ele chegou a mencionar valores de R$ 30 mil e R$ 50 mil que, segundo sua denúncia, estariam sendo oferecidos a lideranças para atuação em campanhas. O candidato disse que pretende levar as acusações à Justiça Eleitoral.

A denúncia coloca Filipe Barros, presidente estadual do PL e candidato ao Senado, no centro da discussão. Jocelino cobra publicamente uma explicação de Barros sobre a distribuição da estrutura partidária e dos recursos.

O episódio expõe uma contradição que merece ser discutida: um partido que se apresenta como defensor da renovação política e do combate aos privilégios precisa explicar com transparência como distribui o dinheiro público destinado às campanhas.

Fundo Eleitoral não é dinheiro privado de um dirigente partidário. São recursos públicos. E, justamente por isso, a sociedade tem o direito de saber por que determinadas candidaturas recebem milhões enquanto outras afirmam não receber praticamente nada.

A denúncia ainda precisa ser apurada e comprovada pelas autoridades competentes. Mas politicamente ela já produz um estrago: a guerra eleitoral que deveria colocar o PL contra seus adversários começou a revelar uma guerra dentro do próprio partido.

E quando o dinheiro público entra no centro da disputa, a pergunta deixa de ser apenas quem terá mais votos.

Passa a ser: quem decidiu quem receberia o dinheiro — e por quê?