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Quaest - 73% ainda não escolheram: a pesquisa que mostra que a eleição do Paraná está longe de estar decidida

E aí entram o horário eleitoral, os debates, as sabatinas, as entrevistas, as redes sociais e a campanha nas ruas...

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Redação25/08/2026
Quaest - 73% ainda não escolheram: a pesquisa que mostra que a eleição do Paraná está longe de estar decidida

A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (24), traz um dado que deveria provocar mais reflexão do que a liderança de Sergio Moro: 73% dos eleitores não souberam apontar espontaneamente em quem pretendem votar para governador do Paraná.

E esse número muda bastante a leitura da eleição.

Na pesquisa espontânea, quando nenhum nome é apresentado ao eleitor, Moro aparece com 13%, Requião Filho com 7% e Sandro Alex com apenas 4%. Outros candidatos somam 2%, enquanto os indecisos chegam a impressionantes 73%.

É difícil encontrar demonstração mais clara de que a eleição ainda não entrou de verdade na cabeça do eleitor paranaense.

A fotografia está longe de ser definitiva

No cenário estimulado, Moro aparece com 37%, Requião Filho com 21% e Sandro Alex com 15%. Há ainda 18% de indecisos e 7% que optariam por branco, nulo ou não votariam.

É uma vantagem confortável de Moro neste levantamento, sem dúvida.

Mas existe uma diferença enorme entre dizer que Moro lidera e dizer que a eleição está encaminhada.

Não está.

Se três em cada quatro eleitores ainda não conseguem mencionar espontaneamente um candidato, existe um gigantesco espaço para a campanha modificar a fotografia atual.

E é justamente por isso que os próximos dias serão muito mais importantes do que os números de hoje.

O eleitor ainda está esperando para conhecer os candidatos

A campanha eleitoral começou oficialmente, mas a pesquisa sugere que boa parte do eleitorado ainda está em outra frequência.

Isso pode parecer ruim para todos os candidatos, mas favorece especialmente aqueles que ainda têm muito espaço para crescer em conhecimento e posicionamento.

Sandro Alex, por exemplo, tem apenas 4% na espontânea. No cenário estimulado, entretanto, chega a 15%.

Essa diferença mostra que uma parcela significativa dos eleitores ainda precisa ser apresentada — ou reapresentada — ao candidato.

E aí entram o horário eleitoral, os debates, as sabatinas, as entrevistas, as redes sociais e a campanha nas ruas.

É nesse momento que candidatos deixam de ser apenas nomes em uma pesquisa e passam a ser avaliados por aquilo que dizem, defendem e propõem.

A Quaest também coloca um freio na euforia de quem já declarou a eleição resolvida

A pesquisa é particularmente útil para desmontar uma certa narrativa de que a eleição estaria praticamente decidida porque Moro aparece na frente.

O senador lidera, mas 37% no primeiro turno não são 50%.

Há uma distância considerável entre liderar uma pesquisa e garantir uma eleição.

Além disso, os cenários de segundo turno mostram Moro à frente: 51% contra 27% de Requião Filho e 48% contra 19% de Sandro Alex. No confronto entre Requião Filho e Sandro, Requião aparece com 37% contra 24%.

Esses números são favoráveis a Moro e não devem ser maquiados.

Mas também não eliminam a principal característica desta eleição: há muita gente que ainda não decidiu.

E aqui está a parte mais interessante

A pesquisa Quaest foi realizada entre 20 e 23 de agosto, com 804 eleitores e margem de erro de três pontos percentuais.

Praticamente no mesmo momento, a Alfa Inteligência encontrou um cenário bastante diferente: Moro com 38%, Sandro Alex com 26% e Requião Filho com 20%. No segundo turno, Moro apareceu com 46% contra 41% de Sandro.

Não se trata de escolher qual pesquisa "está certa". Institutos utilizam metodologias e amostras diferentes.

Mas a discrepância é reveladora.

Se uma pesquisa encontra Sandro com 15% e outra, realizada praticamente no mesmo período, encontra 26%, é evidente que a disputa ainda está extremamente sensível ao conhecimento, à exposição e à formação da opinião do eleitor.

E é exatamente isso que os 73% da espontânea ajudam a explicar.

A eleição começa agora

Durante a pré-campanha, candidatos puderam testar discursos, construir alianças e aparecer seletivamente.

Agora é diferente.

Eles serão obrigados a falar para um eleitor que ainda não escolheu.

E o eleitor terá condições de comparar.

Moro terá de mostrar que sua trajetória nacional pode ser transformada em capacidade de administrar o Paraná.

Requião Filho terá de convencer que representa uma alternativa capaz de superar a rejeição que aparece em outros levantamentos.

E Sandro Alex terá de transformar o apoio político que possui e o vínculo com o governo Ratinho Junior em voto próprio.

Há uma vantagem para cada um — e um problema para cada um.

Mas 73% de indecisão espontânea significa que nenhum deles pode comemorar antes da hora.

O número que deveria estar no título

A manchete mais fácil seria:

"Moro lidera pesquisa Quaest para o Governo do Paraná".

É verdade.

Mas existe uma manchete talvez mais importante:

"73% dos paranaenses ainda não sabem em quem votar espontaneamente."

Essa é a informação que melhor traduz o momento eleitoral.

Porque, quando quase três quartos do eleitorado ainda não conseguem dizer o nome de seu candidato, qualquer tentativa de transformar a pesquisa de hoje em prognóstico para outubro é, no mínimo, precipitada.

Moro lidera a fotografia. Mas 73% ainda estão procurando quem querem colocar na moldura.

E, a partir de agora, começa justamente a disputa para convencê-los.