A última pesquisa Quaest antes da eleição acrescenta um dado importante à disputa pelo Governo do Paraná: Sandro Alex chega a 29% dos votos válidos e aparece tecnicamente próximo de Requião Filho, que tem 27%. Sergio Moro lidera com 43%.
Mas talvez o número mais importante da pesquisa não esteja no topo da tabela.
Está na pesquisa espontânea.
- Quatro em cada dez eleitores ainda não apontam espontaneamente nenhum candidato.
- Sandro cresce na espontânea
Na pesquisa espontânea, quando os nomes não são apresentados ao entrevistado, Sandro Alex aparece agora com 16%, atrás de Moro, com 26%, e à frente de Requião Filho, com 13%. Outros nomes somam 4%, enquanto 40% permanecem indecisos.
O dado ganha importância quando comparado com a pesquisa anterior da própria Quaest.
Em 24 de setembro, Sandro tinha 9% na espontânea. Agora chega a 16%.
São 7 pontos de crescimento em pouco mais de uma semana.
Mais do que observar apenas o percentual atual, portanto, é possível identificar um movimento dentro da série do próprio instituto: Sandro passou a ser citado espontaneamente por uma parcela maior do eleitorado justamente na reta final da campanha.
Isso não permite transformar o crescimento em previsão do resultado. Mas é um dado objetivo da pesquisa e merece ser considerado.
O tamanho dos indecisos continua impressionante
Ao mesmo tempo em que Sandro cresce na espontânea, o contingente de eleitores que ainda não aponta um candidato permanece muito elevado.
- São 40% de indecisos.
Na rodada anterior da Quaest, eram 57% os entrevistados que não citavam nenhum candidato espontaneamente. Houve, portanto, uma redução expressiva desse grupo.
Isso significa que parte do eleitorado começou a definir sua escolha.
Mas ainda restam quatro em cada dez entrevistados sem apresentar espontaneamente um nome.
E isso acontece na véspera da eleição.
É um dado que recomenda cautela diante de qualquer tentativa de transformar a pesquisa em previsão do resultado das urnas.
A estimulada conta outra história
No cenário estimulado, com os nomes apresentados, Moro chega a 43% dos votos válidos, Sandro a 29% e Requião Filho a 27%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Sandro, portanto, aparece apenas dois pontos à frente de Requião Filho, diferença que está dentro da margem de erro.
Aqui também é importante observar a metodologia: a Quaest apresenta nesta rodada os resultados do primeiro turno em votos válidos, excluindo brancos, nulos e indecisos. Por isso, a comparação direta com os 20% registrados por Sandro na pesquisa estimulada anterior precisa ser feita com cuidado, pois aquela rodada apresentava os percentuais sobre o total de entrevistados.
Ainda assim, a evolução na espontânea é perfeitamente comparável e chama atenção: de 9% para 16%.
E se a disputa for para o segundo turno?
A Quaest também testou um eventual confronto entre Moro e Sandro Alex.
O resultado aponta 42% para Moro e 37% para Sandro, com 10% de indecisos e 11% de branco, nulo ou que não pretende votar. Com margem de erro de dois pontos, a distância de cinco pontos fica próxima de duas margens de erro.
Mais uma vez, a pesquisa não deve ser confundida com previsão.
Ela mostra uma fotografia produzida nos dias 2 e 3 de outubro, com 2.004 entrevistados e margem de erro de dois pontos percentuais.
A última fotografia antes da urna
A nova Quaest deixa três informações importantes sobre a reta final.
- Primeiro: Moro permanece numericamente na liderança.
- Segundo: Sandro Alex aparece com 29% dos votos válidos e apenas dois pontos à frente de Requião Filho, dentro da margem de erro.
- Terceiro — e talvez mais relevante para entender a dinâmica da eleição: Sandro cresceu de 9% para 16% na intenção espontânea, enquanto 40% dos eleitores ainda não apontam espontaneamente nenhum candidato.
Esse último número mostra que, mesmo na véspera da votação, uma parcela muito grande do eleitorado não transformou sua preferência em uma declaração espontânea.
Pesquisas são fotografias. A eleição é o filme completo.
E agora o filme está chegando ao último capítulo.
Neste domingo, 4 de outubro, os 40% que hoje não apontam espontaneamente um candidato, assim como todos os demais eleitores, terão finalmente a oportunidade de transformar intenção, dúvida ou preferência em voto.
