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Quando a campanha esquenta: Moro parte para o ataque e Sandro Alex responde no TRE

Sandro Alex não ignorou o ataque. Não respondeu apenas pelas redes sociais. Levou a questão ao TRE.

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Redação08/08/2026
Quando a campanha esquenta: Moro parte para o ataque e Sandro Alex responde no TRE

A eleição para o Governo do Paraná começa a deixar para trás a fase das articulações e entra, definitivamente, no terreno do confronto. A representação apresentada pela equipe jurídica de Sandro Alex contra Sergio Moro no TRE-PR, depois de declarações do senador sobre suposto caixa 2 e o uso de helicóptero, é um sinal claro de que a disputa entre os dois principais polos da corrida começa a ganhar outro tom.

Moro questionou publicamente a utilização de helicópteros durante a pré-campanha e levantou dúvidas sobre a origem dos recursos utilizados para financiar deslocamentos que considerou caros. Em uma de suas manifestações, associou o discurso de campanha "sem caixa 2" à crítica aos adversários. O episódio ganhou força depois que uma aeronave que transportava Sandro Alex fez um pouso forçado durante uma agenda no Paraná.

A resposta de Sandro Alex foi imediata e institucional: levar o caso à Justiça Eleitoral.

Segundo a representação, a defesa entende que as declarações podem configurar calúnia eleitoral e exige que Moro esclareça se efetivamente acusou Sandro Alex de praticar caixa 2 e, principalmente, quais seriam os fatos e provas utilizados para sustentar uma acusação dessa gravidade. A defesa também apresentou documentação indicando que o voo foi contratado pelo diretório estadual do PSD, por meio de fretamento, e que a despesa será incluída na prestação de contas eleitoral.

É aqui que começa a parte mais interessante da disputa política.

Até recentemente, Moro aparecia confortável na condição de principal nome da oposição ao grupo de Ratinho Junior. Mas a consolidação da candidatura de Sandro Alex, a entrada de Rafael Greca na vice e a formação de uma ampla aliança governista mudaram o ambiente eleitoral. O confronto, que antes era predominantemente de discursos, começa agora a ganhar características de uma campanha mais agressiva.

E há uma leitura política possível para a ofensiva de Moro: o crescimento de Sandro Alex começa a incomodar.

Não se trata de afirmar que a representação judicial seja, por si só, prova de desespero. Seria precipitado. Mas a mudança de comportamento é politicamente significativa. Quando uma campanha deixa de concentrar seus esforços apenas na apresentação de propostas e passa a explorar acusações contra o adversário, é sinal de que a disputa entrou em uma fase mais dura.

Moro escolheu atacar justamente um ponto que pode atingir a imagem de Sandro Alex: a associação entre poder econômico, estrutura de campanha e utilização de aeronaves. A estratégia é evidente. O objetivo é criar uma narrativa de contraste entre uma campanha apresentada como "pé no chão" e outra supostamente associada a estruturas mais caras.

O problema é que a acusação precisa sobreviver ao teste das provas.

E, nesse caso, a defesa de Sandro Alex afirma ter apresentado documentos que apontam para a contratação regular da aeronave. Cabe agora à Justiça Eleitoral avaliar o conteúdo das manifestações, a documentação e os limites jurídicos das declarações feitas na campanha.

Politicamente, porém, o episódio revela algo maior.

Os ataques começaram.

E isso pode ser apenas o primeiro capítulo de uma campanha que tende a ficar muito mais acirrada. Sandro Alex não é mais apenas o candidato escolhido por Ratinho Junior. Com a chapa fechada e uma estrutura partidária ampla, tornou-se o principal obstáculo para Moro chegar ao Palácio Iguaçu.

Por isso, a reação do grupo governista também mudou de patamar.

Sandro Alex não ignorou o ataque. Não respondeu apenas pelas redes sociais. Levou a questão ao TRE.

É uma demonstração de que a campanha pretende estabelecer limites para aquilo que seus adversários poderão dizer e, ao mesmo tempo, sinaliza que não aceitará passivamente a construção de narrativas que possam atingir sua imagem eleitoral.

Há ainda uma ironia política no episódio.

Moro construiu boa parte de sua trajetória pública em torno do discurso de combate à corrupção, fiscalização e rigor com o uso de recursos públicos. É natural que explore esse discurso durante uma campanha. O que muda agora é que ele terá de sustentar acusações concretas quando elas atingirem diretamente um adversário.

Da mesma forma, Sandro Alex terá de demonstrar transparência absoluta em relação aos gastos da campanha. Se a contratação foi regular, como sustenta sua defesa, a prestação de contas deverá oferecer os elementos necessários para esclarecer a questão.

No final, a Justiça Eleitoral poderá resolver a parte jurídica, mas o eleitor decidirá a parte política.

E é justamente por isso que o episódio merece atenção.

A eleição paranaense deixou definitivamente a fase das convenções, das alianças e dos acordos. Agora começa a fase em que cada movimento será calculado para produzir efeito eleitoral.

Se Moro percebeu que Sandro Alex cresceu e decidiu elevar o tom dos ataques, a tendência é que a campanha fique ainda mais intensa. E se a equipe de Sandro Alex entendeu que chegou o momento de reagir, o confronto entre os dois deve dominar boa parte da eleição.

O tabuleiro mudou. E, quando começam os ataques, geralmente é porque a disputa deixou de ser uma possibilidade e passou a ser uma ameaça real para quem estava na frente.

A questão agora é saber quem conseguirá transformar o confronto em votos — e quem acabará sendo consumido por ele.