A política costuma premiar quem sabe esperar o momento certo para mover as peças. No Paraná, as convenções partidárias dos últimos dias mostram que o governador Ratinho Junior conduziu uma estratégia que, independentemente do resultado das urnas, já alterou profundamente o cenário eleitoral de 2026.
A convenção do Republicanos foi mais um capítulo dessa construção. O partido confirmou o apoio ao projeto governista, oficializou Alexandre Curi como candidato ao Senado e ainda foi marcada pelo licenciamento do presidente estadual da legenda, em um ambiente que reforçou o alinhamento da sigla com a sucessão construída pelo Palácio Iguaçu.
Se há poucas semanas o quadro político era marcado por diversas candidaturas isoladas, hoje o cenário é outro.
Ratinho Junior conseguiu reunir em torno de Sandro Alex lideranças que, até pouco tempo, ocupavam espaços distintos no tabuleiro. Convenceu Rafael Greca a abrir mão da candidatura ao Governo para assumir a vice, preservou a unidade da base, consolidou Alexandre Curi como um dos candidatos ao Senado e chega ao momento decisivo com a expectativa de anunciar Cristina Graeml como o segundo nome da chapa majoritária.
Caso essa composição seja confirmada, o governador concluirá uma das mais complexas operações políticas da história recente do Paraná.
A escolha de Cristina Graeml teria um peso que vai além da simples composição eleitoral.
Ela representaria a incorporação de uma liderança que conquistou forte visibilidade na eleição municipal de Curitiba e dialoga com um segmento conservador do eleitorado. Ao mesmo tempo, ampliaria o alcance político da chapa em uma disputa na qual cada voto poderá ser decisivo. Até o momento, porém, a indicação ainda depende do anúncio oficial esperado para esta terça-feira.
Enquanto isso, Alexandre Curi emerge como um dos grandes vencedores das negociações.
Durante meses, seu nome esteve cercado de especulações sobre a composição da chapa ao Senado. Com a desistência de Álvaro Dias da disputa e a confirmação do apoio do Republicanos, Curi passa a iniciar a campanha em uma posição muito mais confortável politicamente do que aquela desenhada no início da pré-campanha. Não significa que terá uma eleição fácil, mas significa que o principal obstáculo interno à sua consolidação foi removido.
O que chama atenção é o método utilizado por Ratinho Junior.
Em vez de antecipar decisões, o governador administrou o tempo político. Manteve negociações abertas, evitou rompimentos públicos, acomodou interesses partidários e trabalhou até o limite do calendário eleitoral. Enquanto adversários ainda buscavam definir alianças, o grupo governista concentrava esforços para construir uma chapa ampla e competitiva.
Esse movimento também altera o ambiente para a oposição.
As pesquisas divulgadas antes das convenções registravam uma realidade que já não existe mais. Rafael Greca era candidato ao Governo. Álvaro Dias ainda aparecia como possibilidade para o Senado. A composição da base governista permanecia indefinida.
Hoje, o cenário é completamente diferente.
As próximas pesquisas precisarão medir o impacto da entrada de Greca na chapa de Sandro Alex, da consolidação da candidatura de Alexandre Curi ao Senado e, caso confirmada oficialmente, da inclusão de Cristina Graeml na majoritária.
Naturalmente, alianças políticas não garantem votos.
A transferência de capital eleitoral nunca é automática, e o eleitor costuma fazer sua própria leitura dos acordos construídos nos bastidores. Mas também seria um erro ignorar o peso político dessa reorganização.
Ao final das convenções, Ratinho Junior parece ter alcançado aquilo que buscava desde o início do ano: transformar um grupo de lideranças com projetos próprios em uma única frente eleitoral.
Agora começa uma etapa completamente diferente.
As negociações praticamente terminaram. A campanha começa. E, a partir de agora, não serão mais os dirigentes partidários que decidirão o rumo da sucessão estadual, mas o eleitor paranaense.
Se o anúncio de Cristina Graeml se confirmar ainda hoje, Ratinho Junior encerrará a fase das articulações tendo reunido, na mesma aliança, Sandro Alex, Rafael Greca, Alexandre Curi e uma das principais lideranças conservadoras surgidas nas últimas eleições municipais.
Será uma demonstração de força política rara na história recente do Paraná. O desafio seguinte será transformar essa engenharia partidária em votos suficientes para manter o grupo no comando do Palácio Iguaçu.
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Foto: divulgação PRB

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