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Ratinho Junior fecha o tabuleiro e impõe um novo desafio aos adversários

O anúncio de Cristina Graeml talvez seja o movimento mais emblemático dessa engenharia política...

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Redação04/08/2026
Ratinho Junior fecha o tabuleiro e impõe um novo desafio aos adversários

Foto: Jonathan Campos

Se até poucos dias atrás a eleição paranaense era marcada por indefinições, especulações e disputas internas, o anúncio da chapa majoritária liderada por Sandro Alex encerra um ciclo de articulações e inaugura uma nova fase da campanha. Com Sandro Alex para o Governo, Rafael Greca na vice e Alexandre Curi e Cristina Graeml na disputa pelas duas vagas ao Senado, o grupo liderado por Ratinho Junior chega ao início oficial da campanha com uma composição definida e uma mensagem clara: unidade.

O anúncio de Cristina Graeml talvez seja o movimento mais emblemático dessa engenharia política.

Depois de meses em que seu futuro político esteve cercado de dúvidas — passando por mudanças partidárias e diferentes possibilidades de candidatura —, a jornalista passa a integrar a chapa governista como candidata ao Senado. A escolha amplia o alcance eleitoral da coligação ao incorporar uma liderança que ganhou projeção na eleição municipal de Curitiba em 2024 e mantém forte identificação com parte do eleitorado conservador.

Mas a importância dessa decisão vai além do nome escolhido.

Ratinho Junior conseguiu concluir uma negociação que parecia improvável semanas atrás. Primeiro, trouxe Rafael Greca para a chapa de Sandro Alex, retirando da disputa um candidato competitivo ao Governo. Depois, consolidou Alexandre Curi como candidato ao Senado, superando as incertezas que surgiram durante as negociações envolvendo outros nomes. Agora, com Cristina Graeml, fecha a composição da majoritária e entrega ao eleitor uma chapa completa antes do início efetivo da campanha.

A composição também revela uma estratégia eleitoral bem definida.

Sandro Alex representa a continuidade administrativa da gestão Ratinho Junior. Rafael Greca agrega experiência de gestão e forte presença em Curitiba. Alexandre Curi leva para a chapa sua articulação política e a visibilidade conquistada na presidência da Assembleia Legislativa. Cristina Graeml amplia o diálogo com um segmento do eleitorado que, até pouco tempo atrás, estava fora da órbita do PSD.

É uma chapa construída para conversar com públicos diferentes.

Isso não significa, naturalmente, que todos esses eleitorados caminharão automaticamente juntos. Transferência de votos não é uma operação matemática. O eleitor pode admirar Rafael Greca sem votar em Sandro Alex. Pode apoiar Cristina Graeml e fazer outra escolha para o Governo. Cada cargo tem sua dinâmica própria.

Ainda assim, a fotografia política mudou.

As pesquisas divulgadas antes das convenções já nasceram envelhecidas. Elas retratavam um cenário em que Greca disputava o Governo, Alexandre Curi ainda enfrentava incertezas sobre o Senado e Cristina Graeml sequer tinha uma definição partidária consolidada. Hoje, o desenho é outro, e os próximos levantamentos precisarão medir como o eleitor recebeu essa reorganização.

Outro aspecto que merece atenção é o discurso adotado pelo grupo governista.

Durante a apresentação da chapa, Sandro Alex voltou a enfatizar a ideia de que o grupo permanece "unido e em paz", repetindo uma expressão utilizada por Ratinho Junior durante todo o processo de construção da aliança. A mensagem é política: transmitir estabilidade, evitar a percepção de conflitos internos e reforçar que as divergências das últimas semanas ficaram para trás.

Agora, porém, começa uma etapa completamente diferente.

Até aqui, a disputa era travada nos bastidores, entre partidos, lideranças e negociações. A partir de agora, o julgamento deixa de ser feito pelas executivas partidárias e passa para as ruas.

A habilidade de Ratinho Junior em montar uma ampla coalizão é evidente e lhe permitiu reunir lideranças com trajetórias e bases eleitorais distintas em torno de um mesmo projeto. Isso fortalece a estrutura política da campanha e reduz as divisões dentro da base governista. No entanto, uma coalizão ampla é uma vantagem de partida, não uma garantia de vitória.

Com a chapa fechada, o foco muda de eixo. As articulações deram lugar à disputa pelo convencimento do eleitor. As próximas pesquisas mostrarão se a estratégia de unir continuidade administrativa, experiência de gestão, articulação política e alcance sobre diferentes segmentos do eleitorado se traduzirá em intenção de voto.

Até lá, uma conclusão já pode ser feita: Ratinho Junior encerrou a fase das negociações tendo alcançado praticamente todos os objetivos centrais que perseguia desde o início da sucessão. A campanha, agora, começa em um tabuleiro muito diferente daquele que existia há apenas algumas semanas.