As últimas pesquisas eleitorais do Paraná mostram uma mudança política importante: Sandro Alex deixou de ser apenas um nome competitivo e começou a se consolidar como principal adversário de Sergio Moro. E isso ocorre justamente no momento em que Ratinho Junior intensifica presença no interior, quando Sandro Alex passa a acompanhar permanentemente o governador e o ambiente nacional do PL começa a sofrer desgaste político.
A disputa mudou de patamar.
O crescimento é estrutural.
É perceptível que existe uma grande diferença entre crescer por exposição momentânea e crescer por construção política. O avanço de Sandro Alex nas pesquisas mostra crescimento estrutural. Isso porque ele passou a reunir simultaneamente o apoio do governador mais aprovado do Paraná, presença constante nas entregas de obras, associação direta com resultados administrativos, apoio de prefeitos e forte inserção regional no interior. A pesquisa IRG mostrou exatamente isso: quando o eleitor associa Sandro Alex a Ratinho Junior, o crescimento é imediato e consistente.
Moro perdeu o controle absoluto da disputa.
Sergio Moro ainda lidera. Sua notoriedade permanece, quando o eleitor lembra da Lava Jato, quando esse eleitor é do campo conservador consolidado e tem forte presença em Curitiba. Mas o cenário já não é o mesmo do início da pré-campanha. As pesquisas recentes apontam que Moro deixou de ampliar vantagem e Sandro começou a encurtar distância. Isso tem explicação política clara.
O ambiente nacional e o campo bolsonarista.
O crescimento de Sandro Alex coincide com o desgaste nacional envolvendo o entorno político de Flávio Bolsonaro. A divulgação de informações envolvendo empresários ligados ao financiamento de estruturas políticas bolsonaristas (Vorcaro) e operações em paraísos fiscais ampliou o desgaste do núcleo conservador nacional. A reportagem da Folha de S.Paulo reforçou esse ambiente ao revelar conexões empresariais e financeiras envolvendo apoiadores do campo bolsonarista em estruturas offshore. Isso produz reflexo político direto, porque Moro passou a ficar mais vinculado ao projeto nacional do PL, enquanto Ratinho Junior mantém distância estratégica de Brasília. Esse detalhe virou diferencial eleitoral.
Ratinho Junior e a blindagem política baseada em gestão.
O governador evita radicalização ideológica, confrontos nacionais e guerras políticas de Brasília. Tem insistido nesse discurso de que é preciso evitar que os problemas de Brasilia venham para o Paraná. Seu foco permanece em obras, infraestrutura, emprego, investimentos, educação e interiorização administrativa. Isso protege politicamente Sandro Alex. Enquanto Moro aparece conectado ao debate nacional, ao bolsonarismo e aos desgastes recentes envolvendo aliados, Sandro cresce associado ao governo que entrega resultados.
Sandro Alex virou símbolo de continuidade administrativa.
Outro fator decisivo é que Sandro Alex não surgiu agora. Ele foi secretário de Infraestrutura de Ratinho Junior e participou diretamente da expansão rodoviária, das concessões, das pontes, das pavimentações e das grandes obras estaduais. Grande parte das entregas atuais carrega participação direta de Sandro Alex. Isso fortalece a narrativa de continuidade. O eleitor começa a enxergar Ratinho como liderança consolidada e Sandro como continuidade natural da gestão.
Moro enfrenta dificuldade crescente no interior.
As pesquisas começam a revelar outro movimento importante: o interior do Paraná pesa cada vez mais e nesse terreno, Ratinho Junior domina, prefeitos apoiam o governo, Sandro Alex cresce rapidamente e o PSD ocupa politicamente todas as regiões do estado. Moro continua com força nos grandes centros, mas, eleição estadual no Paraná, não se vence apenas em Curitiba.
O experiente Roberto Requião sabe como funciona a eleição nos grandes e nos pequenos municípios.
Na eleição de 2006, quando disputava a reeleição para governador, obteve 50,1% dos votos válidos, apenas 10 mil votos à frente de Osmar Dias, do PDT. E qual foi a explicação para essa pequena diferença? Osmar Dias venceu a disputa em todas as cidades com mais de 200 mil habitantes.
Em Curitiba, onde Requião havia sido prefeito, Dias venceu com 470,283 mil votos (50,03%), enquanto Requião obteve 469,696 mil (49,97%). A explicação da época, para essa surpresa de última hora, foi a demora para a chegada dos votos das pequenas cidades para a totalização no TRE, em Curitiba.
Diante dos telões instalados para mostrar a apuração em tempo real, na absoluta maior parte do tempo, Osmar Dias aparecia na frente e, a cada nova parcial, o time dele gritava o proclamava governador. Muitos saíram em carreatas pela cidade, comemorando a vitória.
Nos 45 do segundo tempo, quando a diferença começava a diminuir, o time de Osmar foi se acalmando e o time adversário (Requião) começou esticar o pescoço para ver melhor o telão, sem acreditar no que estava acontecendo. Resultado final: os votos dos pequenos municípios deram a vitória a Requião.
Ratinho Junior conhece bem essa história e está levando ao pé da letra.
As entregas em pequenas cidades, como Prado Ferreira, que na eleição de 2024 elegeu Silvio Damaceno com 1.445 votos, 52,99% dos votos válidos e em outras tantas, o governador tem sido abraçado, fotografado e recebido o carinho para si e para o seu candidato Sandro Alex. Ou seja, esse eleitorado pode ser decisivo na eleição deste ano.
Enquanto isso, o eleitor compara duas narrativas.
A disputa ganha formato muito claro: De um lado: Sergio Moro, PL, bolsonarismo, ambiente nacional polarizado e desgaste político vindo de Brasília. Do outro: Ratinho Junior, Sandro Alex, interiorização, gestão, obras e continuidade administrativa. E as pesquisas mostram que esse segundo campo começou a crescer com velocidade.
O que as pesquisas realmente revelam.
Os levantamentos recentes mostram que: ✅ Moro ainda lidera; ✅ Sandro Alex cresce em ritmo consistente; ✅ Ratinho Junior conseguiu iniciar transferência política real; ✅ e o ambiente nacional passou a produzir desgaste indireto sobre o campo do PL.
Fato. Sergio Moro continua sendo um candidato forte, mas a eleição do Paraná deixou de ser uma disputa desequilibrada. Sandro Alex entrou definitivamente no jogo, e entrou sustentado pela força política de Ratinho Junior, pela aprovação do governo, presença no interior e a associação direta com obras e entregas. Enquanto Moro tenta administrar os desgastes do ambiente nacional do PL e do entorno político de Flávio Bolsonaro, Sandro Alex cresce vinculado à estabilidade, à gestão e à continuidade. E isso começa a aparecer de forma cada vez mais clara nas pesquisas.
