NARRATIVA.política, poder e versão

Sandro Alex sai do primeiro debate maior do que entrou

Sergio Moro justificou sua ausência alegando que os adversários estariam combinados para atacá-lo, o que foi desmentido durante o debate

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Redação10/08/2026
Sandro Alex sai do primeiro debate maior do que entrou

O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Paraná produziu uma imagem que talvez seja mais importante do que a própria ausência de Sergio Moro: Sandro Alex não se intimidou diante das provocações e assumiu integralmente a responsabilidade de defender o governo Ratinho Junior.

Sem Moro no estúdio, a expectativa poderia ser de um debate esvaziado. O que aconteceu foi diferente. Sandro Alex e Requião Filho travaram um confronto direto, com críticas de lado a lado, mas sem transformar o encontro em um espetáculo de agressões. E Sandro aproveitou o espaço para apresentar sua candidatura, defender aquilo que considera os resultados da atual administração e deixar claro que não pretende esconder sua ligação com o governador.

Esse talvez tenha sido o principal mérito político de Sandro no debate: em nenhum momentotentou se desvincular de Ratinho Junior justamente quando era mais conveniente fazê-lo.

Requião Filho explorou aquilo que provavelmente será uma das principais linhas de ataque durante a campanha: privatização da Copel, custos de energia, ICMS, água, obras e o conjunto de políticas do atual governo. Sandro, em vez de fugir do confronto, respondeu defendendo a gestão e apresentando obras de infraestrutura, duplicações, rodovias e outros investimentos realizados durante os últimos anos.

Isso é particularmente relevante porque Sandro Alex não está disputando uma eleição baseada na ideia de ruptura. Sua candidatura foi construída justamente sobre a continuidade de um projeto administrativo.

E ele assumiu isso sem rodeios.

Ao se apresentar como o "braço direito" e o "tocador de obras" de Ratinho Junior, Sandro transformou aquilo que poderia ser explorado como uma vulnerabilidade — ser o candidato do atual governo — em parte central de sua identidade eleitoral.

É uma estratégia que exige coragem política: se o governo é alvo de críticas, quem se apresenta como seu sucessor também precisa estar disposto a defendê-lo.

Não houve recuo diante das provocações

Requião Filho tentou colocar Sandro na defensiva ao associá-lo à administração Ratinho Junior e ao classificá-lo como uma escolha do governador. Sandro respondeu não apenas aceitando essa condição, mas reafirmando-a.

Também procurou ocupar o espaço político da direita, afirmando representar esse campo e fazendo referência a obras realizadas em conjunto pelos governos estadual e federal durante a administração Jair Bolsonaro. Ao mesmo tempo, rebateu as críticas de Requião Filho e procurou associá-lo ao governo Lula.

Ou seja: Sandro não entrou no debate para pedir desculpas por ser o candidato de Ratinho Junior. Entrou para dizer por que acredita que o projeto deve continuar.

Essa postura pode ser importante daqui para frente.

A pesquisa divulgada no fim de semana colocou Sandro Alex em segundo lugar, com 27,6%, atrás de Sergio Moro, que aparece com 35,3%, e à frente de Requião Filho, com 19,5%. A diferença para Moro é de 7,7 pontos. O levantamento foi realizado logo após o encerramento das convenções, quando o novo desenho das candidaturas começava a chegar ao eleitor.

Portanto, o debate aconteceu justamente quando Sandro deixou de ser apenas uma candidatura em formação e passou a ocupar uma posição mais relevante na disputa.

E Rafael Greca?

Outro ponto importante foi a maneira como Sandro tratou seu vice.

Nas considerações finais, fez questão de agradecer a Ratinho Junior e destacar Rafael Greca, apresentado como uma liderança capaz de somar experiência à chapa. Em entrevista após o debate, Sandro voltou a dizer que considera uma "alegria" ter Greca ao seu lado e ressaltou que ambos já trabalharam juntos no governo estadual.

A presença de Greca não é apenas uma composição eleitoral.

O ex-prefeito de Curitiba agrega à chapa uma trajetória política própria e uma identificação particularmente forte com a capital. Para Sandro, portanto, valorizar Greca significa também reforçar uma mensagem de experiência e capacidade administrativa.

É uma associação que deverá ser explorada durante a campanha.

A ausência de Moro acabou criando um paradoxo

Sergio Moro justificou sua ausência alegando que os adversários estariam combinados para atacá-lo. O problema político dessa decisão é que a cadeira vazia acabou sendo transformada em personagem do próprio debate.

Sandro e Requião puderam falar sobre Moro sem que ele estivesse presente para responder imediatamente.

Isso não significa que a ausência tenha necessariamente prejudicado sua candidatura. Moro continua liderando as pesquisas. Mas, para um candidato que está à frente, a ausência em um confronto direto cria uma situação que merece ser acompanhada nos próximos debates.

A campanha está apenas começando.

E os próximos encontros deverão ser diferentes. Moro terá de decidir se participa dos próximos confrontos e, caso participe, terá de enfrentar diretamente os dois adversários que já começaram a disputar o espaço político existente entre a liderança e o restante do pelotão.

Sandro, por sua vez, sai deste primeiro debate com uma tarefa bastante clara: transformar a exposição obtida em crescimento eleitoral.

Não tentou parecer outra coisa. Não escondeu quem o apoia. Não abandonou o governo do qual fez parte. E, diante das críticas, preferiu defender o legado de Ratinho Junior.

Agora, caberá ao eleitor decidir se essa estratégia funciona.

Porque a partir deste momento a campanha deixa de ser apenas uma disputa entre nomes e passa a ser também uma escolha entre projetos: continuidade, mudança ou ruptura.

E o primeiro debate mostrou que Sandro Alex já escolheu seu lado. Ele quer ser julgado justamente por aquilo que fez ao lado de Ratinho Junior — e pelo que promete fazer se receber do eleitor a responsabilidade de continuar esse projeto.