A entrevista de Sandro Alex (PSD) à RPC, nesta terça-feira (15), terminou com um saldo político mais favorável ao candidato governista do que a sabatina de Sergio Moro (PL), realizada na véspera. Se Moro concentrou boa parte de suas respostas em temas nacionais, corrupção, sua relação com Ratinho Junior e alianças políticas, Sandro foi colocado diante de uma bateria de questões diretamente relacionadas à administração do Paraná — e conseguiu manter o discurso de continuidade do atual governo.
A diferença é importante. A série de entrevistas da RPC reservou 30 minutos para cada um dos três candidatos, além de um minuto para considerações finais. Moro abriu a rodada na segunda-feira, Sandro foi entrevistado na terça e Requião Filho será ouvido na quarta.
Sandro enfrentou perguntas difíceis — e não fugiu
Ao contrário de uma entrevista baseada essencialmente em sua trajetória política, Sandro teve de responder a questões incômodas sobre Copel, pedágios, regime de urgência, segurança pública, câmeras corporais e serviços públicos.
Sobre a Copel, defendeu os investimentos previstos e afirmou que pretende ampliar a infraestrutura de distribuição de energia. Quando pressionado sobre a qualidade do serviço, assumiu o discurso de gestor: “eu entendo de infraestrutura e eu vou resolver”.
Também foi questionado sobre o uso do regime de urgência pela Assembleia Legislativa em projetos importantes do governo Ratinho Junior. Sandro não recuou: disse que, se necessário, também poderá utilizar o mecanismo, defendendo mais velocidade para a administração pública.
Nos pedágios, a entrevista ficou ainda mais espinhosa. A RPC questionou a promessa de suspender tarifas em trechos onde obras estejam atrasadas. Sandro teve de explicar que a medida dependeria dos mecanismos previstos nos contratos e das providências jurídicas cabíveis.
Na segurança, defendeu a ampliação do programa Olho Vivo e das câmeras corporais para policiais, reconhecendo que ajustes podem ser necessários para ampliar a eficiência dos equipamentos.
A diferença para Moro
Na entrevista de segunda-feira, Moro também foi confrontado com temas relevantes, como Copel, gastos de R$ 720 mil em cota parlamentar, sua relação com Ratinho Junior, Valdemar Costa Neto, Flávio Bolsonaro e a criação de uma agência estadual de combate à corrupção.
Mas, politicamente, a entrevista de Sandro teve uma vantagem: o candidato conseguiu trazer a discussão para o terreno em que pretende disputar a eleição — a administração do Paraná.
Enquanto Moro precisou explicar alianças, relações políticas e decisões de sua trajetória, Sandro passou boa parte da sabatina defendendo aquilo que pretende fazer no governo estadual e justificando decisões tomadas durante os anos em que participou da gestão Ratinho Junior.
É justamente aí que está o melhor resultado político de Sandro na comparação entre as duas entrevistas.
Moro no Senado
No final da entrevista veio o momento mais politicamente inteligente.
Sandro afirmou que Moro deveria cumprir integralmente seu mandato de senador, até 2031, em vez de abandonar o Senado para disputar o Governo do Paraná.
“O Paraná não pode perder uma cadeira”, afirmou o candidato, defendendo a permanência de Moro no Senado.
Foi uma maneira elegante de atacar o principal adversário sem partir para o confronto direto.
Sandro não disse que Moro não tem condições de governar. Disse, em essência, que Moro já tem um mandato para cumprir e que o Paraná precisa manter sua representação no Senado.
Ao mesmo tempo, apresentou-se como o candidato preparado para assumir o Palácio Iguaçu e dar continuidade ao projeto iniciado por Ratinho Junior.
O recado eleitoral
A entrevista reforçou a estratégia de Sandro: menos Brasília, mais Paraná; menos disputa ideológica, mais gestão.
Isso não significa que o candidato tenha passado ileso pela sabatina. Houve momentos de pressão, especialmente nas questões envolvendo Copel, pedágios e regime de urgência. Mas Sandro conseguiu sair da entrevista sem permitir que esses temas dominassem sua mensagem principal.
E esse é justamente o ponto que pode fazer diferença na campanha.
Na comparação direta, Sandro Alex saiu melhor da RPC do que Sergio Moro. Não necessariamente porque tenha respondido melhor a todas as perguntas, mas porque conseguiu transformar uma entrevista potencialmente defensiva em uma oportunidade para reforçar seu perfil de gestor, defender a continuidade do governo Ratinho Junior e, no último minuto, colocar Moro diante de uma escolha: Senado ou Palácio Iguaçu.
A resposta, agora, cabe ao eleitor.
Sandro ficou com o Paraná. Moro, segundo a provocação do candidato do PSD, deveria ficar com o Senado
